Hoje acordei pensando nele. Atrasada, como sempre, peguei um ônibus até o trabalho e comecei a ouvir uma música que me levou de volta aos braços dele naquele quarto de hotel. Quando vi, lágrimas escorriam pelo meu rosto. Que estranho, pensei, eu nem cheguei a desenvolver sentimentos tão profundos por ele… A gente mal se conhecia. Ficamos poucos dias juntos. Mas é engraçado como às vezes nosso corpo pede por contato humano, peles quentinhas se tocando e um abraço que, por mais desconhecido que seja, nos faz sentir tão bem.

Lembro que na hora de dormir ele me abraçava por trás e aquilo parecia certo. Ao mesmo tempo que pensava que não conseguiria dormir assim tão junto, tão grudado, eu não achava ruim o abraço dele porque sabia que não teria aquilo por muito tempo. Ele ia voltar pro país dele em poucos dias e se tornaria mais um dos meus breves amores gringos do Tinder aqui no Brasil. Como será que ele se sente dormindo assim tão abraçadinho com uma garota que ele também nem conhece?, eu pensava. Dormir nos braços de uma pessoa me parece algo tão íntimo, tão pessoal. Passa muito esse sentimento de proteger/ser protegido. Mas do que? De quem?

Talvez seja mais simples que isso. Talvez os solteiros que dormem abraçadinhos com pessoas que mal conhecem estejam apenas buscando se proteger da solidão. E apesar de adorar ser solteira, tem dias que a gente acorda com a solidão machucando o coração.

 
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Se você me perguntar qual é meu gênero preferido para filmes, direi drama sem pestanejar. Adoro histórias tristes e de relacionamentos que se aproximam da nossa realidade e fazem a gente refletir sobre a vida. Nunca fui muito fã de ficção científica, mas recentemente descobri uma série sueca chamada Äkta Människor, que em inglês foi traduzido para Real Humans, ou seja, Humanos Reais. Ela mostra uma sociedade moderna como a nossa, só que com a existência de robôs que imitam a aparência dos humanos. Eles parecem gente como a gente, mas são vendidos em lojas de robôs como empegados, trabalhadores ou até cuidadores de idosos. Daí a série mostra o desenrolar de ter robôs em nossas vidas, como pessoas que se apaixonam pelos robôs ou tratam eles como humanos, ou pessoas que são totalmente antitecnologia e querem que todos os robôs sumam da terra, já que eles roubam o emprego dos humanos e podem ser perigosos. Apesar de ser uma situação irreal nos tempos de hoje (por enquanto! rs), a série mostra muito essa coisa humana de pessoas e como elas se relacionam, e é isso que eu curto na série, independente de existirem robôs ou não. Mesma linha da série Black Mirror, que acho que é minha série preferida de todos os tempos e vocês devem conhecer, já que está no Netflix.

Nessa onda toda de assistir uma série sobre robôs, descobri também um curta metragem escrito e dirigido por ninguém mais ninguém menos que Spike Jonze, que é o cara que fez Her, um dos meus filmes preferidos sobre o qual já falei aqui no blog. Ele mostra um romance entre robôs que, ao assistir, podemos traçar totalmente um paralelo com relacionamentos na vida real. Sabe quando você ama tanto uma pessoa que acaba abdicando várias coisas da sua vida por ela? Daí no final, a pessoa termina com você e você percebe que não restou nada de quem você era antes de conhecer esse amor. Bom, o curta não é tão trágico porque podemos imaginar um “final feliz”, mas eu, do jeito que sou, já imagino o pior: que depois que o curta acabou, a robozinha descobre que não ama o robozinho de verdade e acaba terminando com ele por causa de outro, rs :(

Assistam:

E aí, curtiram? Agora quero saber o que vocês sentiram ao assistir, e como interpretaram o final do curta! Foi trágico? Você lembrou de alguma situação da sua vida real, onde “deu tudo” por uma pessoa e depois acabou ficando sem ela? Ou… Esse dar tudo valeu a pena e hoje vocês estão vivendo um final feliz? <3

E ah! E não poderia deixar de compartilhar o link para baixar o torrent de Real Humans, já que a série é muito boa, mas infelizmente não tem no Netflix. Para assistir você precisa saber inglês, pois não achei legendas e português e sueco nem pensar, né? hahaha

Download 1ª temporada de Real Humans

Download 2ª temporada de Real Humans

Legendas em inglês para 1ª e 2ª temporada de Real Humans

Curiosidade: pesquisando no Google descobri que Spike Jonze já foi casado com a linda e talentosíssima Sofia Coppola. Casais como esse deviam ter muitos filhos pra perpetuar esses genes, minha gente!

 
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Como vocês devem ter visto, fui conhecer Belo Horizonte pela primeira vez e AMEI! Então resolvi escrever mais um post contando pra vocês os highlights da viagem. Para saber mais do Collaborate Hostel, onde me hospedei por lá, é só dar um pulo no post anterior.

Antes de falar da viagem, acho que vale contar que a minha ida pra lá foi uma saga. Era feriado em São Paulo na quinta-feira e eu comprei a passagem para ir na quinta a noite, em um dos últimos ônibus disponíveis. Pensei: vou passar a noite viajando e chego lá um pouco descansada para aproveitar o dia. Ledo engano… Perdi o ônibus na rodoviária porque minha passagem veio impressa toda torta e eu fiquei esperando o busão na plataforma errada. Daí, mesmo tentando me tranferir pro próximo ônibus, a viagem foi cancelada porque o ônibus estava cheio. Consegui meu dinheiro da passagem de volta e voltei pra casa com o rabinho entre as pernas. “Não vai ser dessa vez que vou conhecer Belo Horizonte…” pensei comigo mesma. Mas daí, chegando em casa lá pela 1h da manhã, decidi que ainda valeria a pena pegar o ônibus do primeiro horário na quarta, pois ainda teria uma noite a mais para aproveitar, já que os outros feriados seriam todos grudados no final de semana. E foi isso que eu fiz. Sem arrependimentos. A única parte ruim de fazer isso é que na quinta a noite, no meu primeiro programa em BH, eu passei mal porque quase não tinha comido durante a viagem, mas até isso acabou sendo bom: as pessoas da cidade são tão queridas que além da minha amiga Ana ter me ajudado, um grupo de amigos desconhecido acabou comprando uma água pra mim e ficamos bróders pelo resto da minha viagem. Lá no final do post tem fotos de todos eles <3

Instituto Inhotim

Apesar de não ficar em Beagá, o Instituto Inhotim é parada obrigatória pra quem vai pra lá. Aliás, um dos motivos pelo qual eu queria ir conhecer Belo Horizonte era dar uma passada em Brumadinho para visitar Inhotim. Eu tinha expectativas altíssimas sobre o lugar e todas elas foram superadas. O dia estava lindo e Inhotim é um lugar incrível. Me apaixonei e queria morar lá por tipo… 1 semana! Dizem que 1 dia é pouco para conhecer o lugar inteiro, e é verdade. Mas eu não teria tempo de ir por mais que isso, e mesmo assim consegui ver a maioria das coisas que queria. O ingresso custa R$40 inteira e R$20 meia, e lá tem vários restaurantes e diferentes opções de comida. Vejam algumas fotos:



Maletta

O Maletta é um edifício no centro que todo mundo me falou pra ir. No segundo andar eles tem vários bares onde as mesas ficam numa espécie de sacadinha em volta do prédio, e você pode tomar drinks ou cerveja com os amigos olhando pra cidade. O bar que fui lá se chamava DUB, que é famoso por seus drinks diferentes e deliciosos. Apesar deu gostar mais de cerveja, tinha que prestigiar um dos drinks da casa, né? Então pedi um Vanilla Mojito (R$18), que era um mojito de limão com um toque de baunilha (ele é o da segunda foto ali em baixo, que está junto com um drink que tem canela em cima). Devo dizer que foi o melhor mojito que eu já tomei na vida! Outro drink bem famoso por lá é o Bloody Mary (primeira foto), que eles fazem de um jeito minucioso e único! Começam queimando um galhinho de alecrim com um maçarico dentro do copo de ponta cabeça, para dar um gostinho de “alecrim defumado”. O drink é finalizado com uma folha de coentro e uma fatia bonita de bacon, também preparada com o maçarico. Coisa linda de se ver e se beber, eu provei e achei delícia. O drink laranja da foto é um Negroni, que era o preferido do Luiz Felipe!

Foto via Guia BH

Angu

Eu nunca nem tinha ouvido falar em angú, mas ainda no DUB, resolvi pedir uma porção de “pastel de angu”, que nada mais é um pastel de polenta (depois me explicaram que angú era basicamente polenta, hahaha). Esse pastel vem crocante e sequinho por fora e molinho e cremoso por dentro, nunca tinha comido algo igual. Se alguém conhecer um lugar que vende isso em São Paulo, por favor, me indiquem aí nos comentários do post!

Pôr-do-sol no mirante das Mangabeiras

Lá em BH eu vi um dos pores do sol mais bonitos da minha vida. Fui com meu querido amigo Luiz Felipe ao Mirante das Mangabeiras, que fica pertinho (ou meio dentro?) do Parque das Mangabeiras (que também vale uma visita, se você tiver tempo). Para andar do parque até o mirante, dá uma boa caminhadinha cheia de subida, por mais ou menos uma meia hora. Mas como estávamos cheios de energia para gastar, andamos e conseguimos chegar a tempo de pegar o sol ainda alto. O clima lá estava tão gostoso que além de tirar um milhão de fotos, resolvemos ficar até tarde pra dar pra ver as luzes da cidade. Valeu muito a pena! Acho que é um dos lugares que mais indico para quem for visitar Belo Horizonte pela primeira vez. É um pouco longe do centro da cidade, então dependendo de onde você estiver é preciso pegar um táxi. Ele fica um pouco mais acima da Praça do Papa, que é um dos outros pontos turísticos da cidade. Dizem que o pôr-do-sol na Praça do Papa é incrível, mas eu te aconselharia a subir mais até o Mirante porque lá é muito mais bonito e alto!

O povo mineiro

Sempre ouvia falar bem dos mineiros, que eles eram receptivos e queridos, e quando cheguei lá a fama foi 100% comprovada! Que sotaque gostoso, sô! Que simpatia deliciosa. No meu primeiro dia lá, fui numa feirinha depois de chegar cansada da rodoviária e minha pressão baixou, achei que fosse morrer (rs) e um grupo de desconhecidos foi super atencioso e me comprou até uma água. Acabei virando bróder deles e nos vimos todos os dias da viagem. Me senti em casa e acabei até participando de festinhas no apê de um deles no centro, me senti quase parte da turma! hehehe Fora esses novos amigos, encontrei também a Ana, que só conhecia pela internet e tornou a viagem perfeita! Ela me levou pra cima e pra baixo de carro, enquanto ia apontando todos os lugares icônicos da cidade e contando sua história e curiosidades. Ela parecia uma enciclopédia ambulante, adoro pessoas que memorizam as histórias dos lugares (porque sou péssima pra isso! hahaha). Sem contar que eu e ela parecíamos amigas de longa data, tínhamos muito em comum e ela acabou se tornando uma amiga ainda mais especial.

Esses foram os highlights da minha viagem. E você, já foi pra Belo Horizonte? Me conta aí nos comentários as suas impressões e lugares preferidos, eu voltei com o sentimento de que quero ir pra lá de novo um dia!

 
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Desde que fui picada pelo bichinho da viagem, não consigo muito parar quieta na minha cidade. Esse ano estabeleci uma meta de que tentaria sempre viajar nos feriados para uma cidade diferente no Brasil. Adoro viajar, mas conheço pouco meu próprio país, então queria mudar isso! Esse ano fui pra Curitiba, que era uma das cidades que estavam no topo das que eu queria conhecer, e nesse último feriado fui Pra Belo Horizonte. Gente, que cidade querida! Já ouvia falar super bem dos mineirinhos, mas minhas expectativas foram todas superadas. Esse post será especialmente dedicado ao hostel que fiquei, o Collaborate Design Hostel, mas depois escreverei outro sobre a viagem em si com fotos e impressões sobre a cidade.

Encontrei o Collaborate procurando por hostels no Hostelworld. O que me chamou a atenção foi o visual, a decoração, a arquitetura da casa e principalmente a proposta do hostel. Eles fazem algumas exposições colaborativas com artistas de BH que deixam o hostel ainda mais bonito. Meus olhinhos de designer brilharam ao ver fotos do lugar e até o logo deles me encantou, fui conquistada pelo visual! Antes mesmo de chegar lá já comecei a imaginar as fotos que ia tirar pra ilustrar esse post! hahaha

O hostel tem diferentes opções de acomodações. Eu fiquei no quarto feminino que tinha 5 camas. Uma coisa que achei ótimo foi o tamanho dos lockers (armários individuais), que cabia até minha mala de mão que é bem grandinha. Ponto positivíssimo, pois não curto muito deixar a mala, mesmo que trancada, dando sopa no quarto enquanto passo o dia todo fora. Vejam algumas fotos do quarto:

As opções de quartos são:

● 4 Quartos coletivos mistos de 6, 7 ou 16 camas.
● 1 suíte com cama de casal
● 1 quarto privativo para 2 pessoas (com beliche)
● 1 quarto feminino com 5 camas (esse foi o que eu fiquei)

O que o hostel tem de bom?

● Na diária já está incluso o café da manhã, que não tem hora pra acabar, só termina quando acaba a comida. Achei isso um puta diferencial porque quando estamos viajando às vezes voltamos super tarde e é um saco ter que acordar cedo pra pegar o café da manhã;
● Tomadas em todas as camas. Isso faz muita diferença, porque dá pra deixar o celular/computador carregando enquanto estamos na cama e ele fica pertinho da gente o tempo todo;
● Armários individuais super espaçoso, como já mencionei antes;
● Eles também disponibilizam uma toalha para todos os hóspedes junto com a roupa de cama, o que foi perfeito pra mim porque esqueci minha toalha! Sempre levo uma toalhinha de mochileiro daquelas pequenas que secam rápido, mas dessa vez esqueci e normalmente aluguel de toalhas é cobrado em hostels. No Collaborate não! <3
● O hostel é bem tranquilo e tem um ambiente super agradável. Me senti mega confortável lá e o pessoal da recepção era super prestativo!
● A localização do hostel é muito boa! Me falaram pra ficar nessa área chamada Savassi, que é tipo uma “Vila Madalena” de BH, e acertaram em cheio. O bairro é charmoso e cheio de barzinhos. Também dá pra ir a pé até o centro, que leva um tempinho, mas achei super agradável andar pela área.


Clique nas fotos para vê-las maiores:






Vale lembrar

● A área onde o Collaborate fica é super bem localizada e cool, mas cheia de ladeiras muito loucas. Aliás, tem MUITOS hostels naquela região. Se você tiver problemas em subir ladeiras, prepare-se! Eu costumava ir pro centro sempre a pé, porque era decida, mas acabava voltando de táxi porque no final do dia já estava sem condições de subir tudo aquilo.
● Eles não tem computador para os hóspedes. Isso pra mim não fez a menor diferença porque eu mal ficava lá e usava só o celular, mas se você for precisar acessar a internet de um computador ou passar as fotos da câmera, por exemplo, é melhor levar o seu.
● Também senti falta de um secador de cabelo, alguns hostels disponibilizam um na recepção para emprestar para os hóspedes e é ótimo porque o meu ocupa muito espaço na mala. Mas se for ficar no Collaborate e não consegue viver sem secador, leve o seu! ;)

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A Juliana Rosa, do blog Trip Feeling, também fez um post review do hostel, e lá você pode ver mais algumas fotos dos outros quartos – dá uma olhada!

 
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Se você me segue nas redes sociais, já sabe que estou solteira novamente e voltei pro Tinder. Não, isso não é uma notícia boa porque ainda sou completamente apaixonada pelo meu ex namorado, mas a distância São Paulo – Londres era o menor dos nosso problemas, então tivemos que tomar a difícil decisão racional de terminar. Depois de passar mais de dois meses na fossa, sem nem conseguir olhar pro lado, resolvi levantar e partir pro ataque. Não ataque aos bofes, mas sim ataque a minha alma que parecia estar morta. Tô tentando dar uns socos nela pra ela acordar e eu voltar a ser uma pessoa feliz, que não fica choramingando e sofrendo por amor pelos cantos.

Bom, enquanto meu coração não encontra um novo amor verdadeiro (coisa que no momento eu sinto que nunca vai acontecer), eu me divirto com as pessoas erradas e fazendo parte do meu time do coração: o time da zueira. Apesar de estar muito mais seletiva no Tinder – acho que dou não pra 90% dos caras que aparecem, – tô bem menos encanada com o fato de conhecê-los pessoalmente. Comigo tem sido assim: se deu match, é porque tô a fim de pelo menos saír pra uma breja. Sem essa de enrolação ou papinho mole. (A não ser que o cara seja um babaca né, disso a gente não consegue fugir antes de dar like apenas julgando pela aparência)

As experiências até agora, apesar de poucas, foram todas divertidas. Tenho optado por caras que estão apenas de passagem, porque não tô a fim de me apegar a ninguém ou ter que lidar com aquele joguinho chato de “será que ele vai ligar no dia seguinte? será que eu mando mensagem? zzzzz”. Se o cara ta só viajando as coisas são obrigadas a acontecer mais rápido e não tem necessariamente que ter uma continuação. Muito pelo contrário: elas já tem até uma data pra acabar.

Esses dias apareceu um gringuito chamado Maxi, que parecia ser divertido pelas fotos. Ele usava aquela funcionalidade de ver o Tinder em outro país, porque pela localização ele tava a mais de 9 mil km longe de mim. Pensei: “Bom, se pá ele tá se adiantando pra conhecer alguma garota na sua futura próxima viagem a São Paulo, certo?” - Mas isso eu nunca saberei.

Curti o bonitinho e deu match na hora. “Oba!” – E mandei uma carinha:

Esperei mais ou menos um dia e ele não respondeu. Mas vi que ele entrou no Tinder várias vezes ao longo do dia, então com certeza tinha visto minha mensagem. Bom, talvez ele não seja muito criativo e mandar um simples emoticon é uma tática meio curinga né? Te dá o crédito de ter começado a conversa mas ao mesmo tempo não diz nada sobre você e também não ajuda a pessoa a continuar o papo. Ok, vamos dar uma chance pro boy:

“Where are you?
(isso já me levava a descobrir de que país ele era pra talvez ter alguma referência do que conversar…?)

Fui solenemente ignorada de novo.

Daí fiquei pensando: “Cara, que merda né? Por que uma pessoa entra no Tinder, dá match e não responde? É muita sacanagem. E o cara nem ta aqui no Brasil, qual é a dele?” – Depois de passar a raivinha do ego ferido, resolvi perder o último pingo de dignidade que tinha e tentar mais uma vez, com um pouquinho de bom humor:

“Match but no chat? Bo bo bo boooriiinnng ¬¬’”

Esperei horas, dias e……….. NADA.

Meu lado leonina de ser não me deixou abater. Resolvi encarar aquele fora com dignidade e mostrar pra mim mesma que lidar com a tragédia fazendo piada é bem mais legal do que ficar chorando a perda de algo que nunca tive. Daí falei assim:

Para contextualizar, dei o apelido de MaxiBean porque os dois dentes da frente dele pareciam dois grandes feijões brancos. Fora que colocar a palavra “feijão” depois do nome, dá um ar meio lúdico e engraçadinho para a coisa toda, né?

Daí, depois de mandar várias mensagens falando sobre minha vida pra ele, como se ele realmente fosse um amigo imaginário, algo inesperado aconteceu. Contei a história no Snapchat, pra facilitar a vida de vocês que, assim como eu, tem preguiça de ler:

A parte que vocês ainda não sabem é que eu acabei respondendo. Olha a continuação da trama:

O problema é que depois de enviar isso, adivinha só? O Maxibean, que na verdade voltou a ser Maxi porque se tornou real novamente, ENTROU NO TINDER VÁRIAS VEZES AO LONGO DO DIA E NÃO RESPONDEU A PORRA DA MINHA MENSAGEM. Gente, não é muita sacanagem ele me ignorar pela segunda vez na vida, sendo que eu nem pedi por isso? Tô aqui preferindo acreditar que eu sou legal e ele é um babaca, que o problema não sou eu, é ele, haha, mas meu coração está ferido. Ele simplesmente assassinou meu amigo imaginário, acabou com a minha diversão e me deixou sozinha no mundo sem eu nem precisar dele in the first place.

Agora tô aqui tentando decidir o que fazer. Continuo mandando mensagens pra ele e fazendo a louca? Ignoro ele pra sempre e deixo ele descer na lista da minha coleção de matches do passado? Acho que tem horas que a gente precisa apenas aceitar que perdeu. Mas ainda não consegui passar dessa fase da vida!

 
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Sabe quando você viaja para um lugar e dá tudo errado? Daí você volta pro Brasil reclamando que odiou aquela cidade, as pessoas, o clima e tudo. Mas a verdade é que viagens são feitas de experiências e sorte, MUITA sorte. A experiência de conhecer Paris, por exemplo, pode ser totalmente diferente para mim do que para você. Quando fui pra lá esse ano recebi várias dicas de conhecidos que já tinham ido e mó galera falava mal dos parisienses, que eles eram mal educados e bla bla bla, daí acabou que minha experiência em Paris foi incrível, inclusive com os parisienses! Cheguei até a ser abordada na rua por um, pois ele viu que eu estava com um mapa na mão parecendo perdida, e ele me ofereceu ajuda. Sério, como não amar?

Daí esses dias me deparei com esse vídeo lindo na minha timeline do Facebook, que fala exatamente sobre isso:

O vídeo chama “I hate Thailand“, ou “Eu odeio a Tailândia“, e surpreende com a reviravolta que rolou na história do cara. Fui pesquisar e vi que o vídeo é, na verdade, um vídeo para promover o turismo na Tailândia usando psicologia inversa, e também limpar um pouco a imagem do país depois de uns crimes meio pesados que rolaram com turistas por lá. De qualquer forma, achei o vídeo muito bom! E me lembrei de várias viagens que já fiz e histórias que já ouvi sobre pessoas que odeiam lugares que eu amo, mas que na verdade elas apenas tiveram falta de sorte no lugar. Até as cidades mais feias do mundo merecem uma segunda chance para poder mostrar sua real beleza!

São Paulo, por exemplo, é uma cidade muito subestimada na minha opinião. Trabalhei durante cinco meses em um hostel e a maioria dos gringos que vinha pra cá ficava no máximo uns dois dias ou só vinha porque tinha conexão nos aeroportos de São Paulo. Gringos que vem pro Brasil geralmente querem ver natureza, praia, mulheres de biquine… Não uma selva de pedras que é São Paulo. Mas a verdade é que aqueles poucos que resolviam ficar por mais tempo, ou já sabiam do potencial da cidade, acabavam querendo ficar mais e mais, porque é aqui que a magia acontece. O calor do concreto e a pressa das pessoas no dia a dia demora um pouco pra conquistar os estrangeiros mas, com o tempo, eles acabam vendo o quanto de coisas legais a cidade tem pra oferecer.Tem até um vídeo bem bacana de um gringo que se apaixonou por São Paulo e quis mostrar pra todo mundo o quanto a cidade é underrated:

Massa, né? Se você é paulistano e tem amigos gringos, mande esse vídeo pra eles já!

Bom, depois de ter visto o vídeo da Tailândia e ter pensado sobre o assunto, comecei a lembrar de cidades que eu já visitei e que merecem uma segunda chance para que eu me apaixone por elas também. Berlim, por exemplo, é uma cidade que eu já visitei duas vezes e nenhuma das duas foi tão incrível assim. E olha que Berlim é uma cidade que tem a minha cara, hein? Mas nas duas vezes que fui estava numa fase de vida super complicada e a cidade foi dura comigo, os alemães foram um pouco fechados, o tempo também judiou um pouco de mim… Mas sempre voltei com aquele sentimento que diz: Berlim ainda vai me conquistar um dia!

E você, tem alguma cidade que merece uma segunda chance?

 
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Hoje acordei e pensei: vai ser um bom dia. Levantei da cama cedo, fui na feira comprar legumes, dei comida pra Pandora, brinquei com ela, fiz café da manhã… E enquanto ia pro trabalho, debaixo daquele solzão quente, sentia o calor do sol, dava bom dia pras pessoas na rua… Sabe aquela pessoa irritantemente feliz? Então, era eu. Daí, chegando no trabalho, me deparo com um envelope em cima do teclado, todo escrito à mão, com o endereço dizendo “Brazil”, com Z mesmo. O selo era dos Estados Unidos, então logo pensei: não pode ser do Sam. Primeiro porque ele fala Brasil com S (eu que ensinei!), e segundo porque o selo não era do Reino Unido. Mas quem poderia me mandar uma carta tão bonitinha dos Estados Unidos? Não tenho amigos lá…

Daí abri toda ansiosa e eis o que vejo:

[clique na foto para ver maior]
Meus olhos se encheram de lágrimas, eu tinha certeza que o dia hoje ia ter mesmo bom. Lógico que mandei mensagem pra ele no mesmo minuto e ele ficou super feliz que chegou. Disse que num dia super ocupado ele acabou caindo em um site, achou bonitinho e resolveu me mandar uma carta. Mas como foi meio rápido e ele não tinha nada no histórico de e-mail, ele nem lembrava qual era o site. Ainda bem que a pessoa que escreveu a carta colocou o endereço atrás:

Primeiro eu estranhei que não tinha nem carimbo de data e apenas um selo sem muitas explicações. Endereço do remetente também não, daí descobri que era o projeto artístico de um americano chamado Ivan Cash, que assim como eu, trabalha com publicidade. Bom… Ele trabalhava. Há alguns anos atrás ele resolveu largar seu ~emprego dos sonhos~ numa agência em Amsterdam e começou esse projeto de escrever cartas para estranhos, já que ele amava escrever cartas mas com a correria da vida lhe faltava tempo. A gente recebe tantos e-mails por dia, que dá até agonia de ter que ler todos. Às vezes pode até ser um e-mail carinhoso de alguém que a gente gosta, mas nem se compara a recebermos uma carta escrita a mão dessa pessoa, né?

A ideia foi tão incrível que ele e seu time enviaram mais de 10 mil cartas, publicaram um livro e hoje em dia promovem um evento anual, que dura uma semana inteira e pessoas do mundo inteiro participam. Infelizmente não dá pra entrar no site e enviar uma carta, parece que o esquema é ficar de olho na fanpage do projeto para saber quando vai rolar o evento e mandar a sua carta. O desse ano rolou na primeira semana de novembro e eu tive sorte do meu namorado, que mora do outro lado do mundo, achar o site a tempo e me mandar uma cartinha! Fico imaginando quem foi a pessoa que escreveu, acho que foi uma menina porque a letra é super bonitinha e a pessoa se importou em escrever o nome do Sam com um coração e xxx com caneta colorida. <3

Essas são algumas fotos de cartas que já foram enviadas pelo Snail Mail My Email, olha que graça:

Agora me respondam:

Fiquei aqui pensando no quanto essa ideia é incrível e tem tudo a ver com o meu blog. Se eu fizesse um esquema desses de enviar cartas escritas a mão, todas caprichadinhas com ilustrações feitas por mim, quanto você pagaria pelo envio? Quem sabe não faço as contas do material e tempo que gastaria fazendo isso, e começo um projeto paralelo que deixaria meus dias e o dia de outras pessoas mais feliz?

 
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Hoje o Sam me mandou um link que eu amei tanto que fiquei com vontade de compartilhar com o mundo!

Tem uma banda que eu adoro, chamada We Are The Willows, e eles vão lançar um novo álbum agora em novembro, chamado “Picture (Portrait)”. A característica mais forte da música deles é a voz do vocalista Peter Miller, que quando eu ouvi pela primeira vez podia jurar que era a voz de uma mulher. É super delicada e suave, e as músicas são tristes do jeitinho que eu gosto. Essa é uma das músicas mais famosas deles e foi também a primeira que eu ouvi, olha só os berros que ele dá mais pro final da música, parece até um pouco voz de criança!

Bom, a parte linda do novo álbum que eles estão lançando, é que as músicas foram inspiradas por cartas de amor trocadas pelos avós do Peter Miller, enquanto o avô dele lutava na Segunda Guerra Mundial. O Peter Miller morou alguns anos com seus avós enquanto fazia faculdade, e eles sempre falavam pra ele dessas cartas. Daí ele se formou na faculdade e sabe o que os avós deram de presente? Todas as cartas trocadas por eles naquela época, que na verdade nem eram todas porque o avô dele teve que se desfazer de muitas quando a guerra acabou e ele voltou pros Estados Unidos. Eu sou suspeita pra falar, mas não é o presente mais incrível do mundo? Deu até vontade de perguntar pra minha vó se ela guarda cartas de amor da época que ela conheceu meu avô! :’)

No link que o Sam me mandou tem uma entrevista completa com o Peter Miller em inglês, falando um pouco sobre a história e seu processo criativo para escrever/fazer as músicas, mas aqui eu traduzi a parte que mais gostei:

Você acha que o romance está realmente morto?

Peter Miller: A relação dos meus avós me fez pensar muito sobre como o romance está ligado à proximidade, escassez e acesso à informação. As condições em que meu avô escrevia as cartas para a minha avó com certeza não eram ideais para um namoro. Suas cartas eram muito censuradas e muitas vezes ele nem sabia se minha avó iria recebê-las. Se ela as recebesse, ele só teria sua carta-resposta vários meses depois. Dá pra imaginar ficar sem saber se os sentimentos da pessoa são recíprocos ou não enquanto você espera a resposta?  Quanto sentimento deve estar envolvido nisso!

E o amor na era moderna?

Peter Miller: Hoje podemos saber muito sobre uma pessoa sem nem antes falar com ela! Podemos stalkear a pessoa online e descobrir se ela gosta do mesmo tipo de música que a gente, se ela estudou fora, fez trabalho voluntário, se tem uma irmã etc. E quando falamos com elas, já sabemos que a resposta será quase que imediata (ou percebemos que ela não está muito interessada caso demore muito para responder). Além do mais, temos uma gama muito maior de opções. Não temos apenas 4 ou 5 potenciais parceiros, temos milhares! Outro fator é que hoje temos muito menos pressão social e biológica para escolhermos alguém.

Então, se compararmos os parâmetros de hoje em dia com os da época dos nossos avós, acredito que a gente conheça mais as pessoas do que eles conheciam naquela época. Temos chances de encontrar alguém compatível com a gente. Sendo assim, se escolhemos alguém para nos relacionar, quer dizer que já conhecemos a pessoa o bastante para querer nos relacionar com ela e amá-la, de fato. Nossa escolha é muito mais exata, portanto, um pouco mais verdadeira.

A parte linda, confusa e incrível da época dos nossos avós é que eles escolhiam seus parceiros de forma muito diferente. Eles não tinham o mesmo acesso à informação, então, se apaixonar por alguém era muito mais uma questão de escolha. 

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Esse papo todo de amor na era moderna me lembrou muito esse texto aqui, que escrevi quando assisti o filme “Her”: Como explicar o amor nos tempos modernos?. E ah! Esse é o clipe de uma das músicas desse novo álbum deles, já inspirada nas cartas: Dear Ms. Branstner

 
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Essa é a continuação de uma linda história que começou em outro post, se você não leu, clique aqui e leia. Ah! Pra dar mais sentimento, dê play para ouvir esse cara enquanto lê a continuação da história:

Eu tinha gostado muito muito muito de você e daquela noite. No dia seguinte só conseguia pensar no quanto eu amava Londres e deveria estar morando ali. Você me trouxe todos os sentimentos bons e sonhos que eu tinha deixado de lado quando voltei pro Brasil, e isso era incrível. Londres é realmente a cidade da minha vida e onde toda a magia acontece. Eu já estava feliz e satisfeita por ter tido uma noite deliciosa, daí você me mandou mensagem dizendo que queria me ver de novo. Eu ainda tinha uns dias na cidade e pensei, por que não? Sou dessas que acho que quando a gente está viajando não deve se privar de nada, então topei o seu convite e fui passar a sexta-feira de ressaca vendo filme na sua casa. A gente pediu comida, ficou juntinhos no sofá vendo tv… E aquilo parecia tão certo, fazia tanto sentido. Minha mente foi longe imaginando como seria minha vida se eu morasse ali e tivesse você como namorado (eu sei, eu sempre faço isso e também acho ridículo, mas e daí?! rs). Para “piorar”, mais tarde descobri que o seu gosto musical era parecido com o meu. Você ganhou ainda mais meu coração colocando Keaton Henson pra tocar. Era como se aquele filme lindo da nossa breve vida juntos tivesse ganhado a trilha sonora mais bonita de todas. O foda é que as músicas eram tristes, e era impossível não pensar no fato de que aquilo tudo ia acabar em poucos dias.

Daí você me chamou pra passar a próxima noite com você. E a outra, e a outra. Então eu cancelei minhas noites solitárias no hostel e me mudei pra sua casa. Que rápidos, né? Todo mundo deve estar pensando. Mas pra mim, todas essas paixões avassaladoras e inconsequentes foram as que mais valeram a pena até hoje. Fui sem medo de ser feliz. E… Cacete, como a gente foi feliz em tão poucos dias?! Ao mesmo tempo que eu tinha medo de estar me envolvendo tanto com uma pessoa que não tinha a menor chance de ver de novo no futuro, não me privei de sentir nem um pinguinho de sentimento. Aliás, não acho que eu seja dessas pessoas que consegue se privar de SENTIR. Eu sempre vou até o fundo porque se apaixonar e curtir alguém novo é uma das melhores coisas dessa vida. Confesso que me preocupei um pouco com a intensidade das coisas, principalmente pela vida que eu levava fora daquela realidade de viagem. Mas escolhi não me privar de nada, e no fim descobri que essa foi a melhor escolha que poderia ter feito, já que minha realidade desmoronou depois de poucos dias que te deixei em Londres para ir passar uns dias em Berlim. Ter seguido meus instintos e vivido os sentimentos ao máximo foi a melhor escolha que eu poderia ter feito durante a minha viagem inteira.

Berlim foi, pela segunda vez, uma cidade dura. Eu queria ter ficado com você, os dias estavam cinzas e frios. E daí aconteceu aquela coisa que me fez sentir ainda mais sem chão. Mas você continuou ali, falando comigo todos os dias e se fazendo presente e aumentando ainda mais tudo que eu sentia por você. Não havia a menor chance da gente conseguir se ver de novo, mas eu estava tão apegada que não me importei de fazer os sentimentos se aflorarem cada vez mais. Pra onde a gente tava indo? Eu não fazia a menor ideia, só sabia que você me fazia bem e eu não queria parar. Daí veio Copenhagen, que foi uma viagem mais feliz. Eu reaprendi a curtir meus momentos sozinha e me fiz mais forte para poder voltar pra minha realidade no Brasil. Mas você, de certa forma, agora fazia parte dessa realidade, e continuava lá firme e forte, me lembrando o quanto gostava de mim e sentia saudade. Juro que eu não imaginava que fôssemos tão longe assim.

Agora estou aqui em São Paulo e já faz mais de um mês que nos conhecemos. Aliás, logo menos completaremos dois meses juntos (!), quem diria, hein? Eu, que acreditava que o único caminho era ter relacionamentos abertos e condenava muito os relacionamentos à distância, estou aqui: num relacionamento monogâmico com uma pessoa que mora em outro continente. Paguei minha língua, minha mente, meu corpo inteiro. A gente realmente não tem como prever o futuro. Não vou dizer que está sendo fácil, ninguém disse que seria, né? Mas a cada dia isso tudo parece mais certo, mais “meant to be”. E quer saber? Por mais loucura que tudo isso possa parecer ou ser, de fato, eu não me importo. Se não der certo, vou continuar tendo tudo que tenho hoje: minha vida, meu emprego, minha família e… A vontade de ser feliz. Aliás, a tal vontade de ser feliz acho que nunca vou perder, e é por isso que acabo me metendo em situações loucas como essa. A gente tem mesmo é que correr atrás da nossa felicidade e, se a tentativa não der certo, não deu. A gente vai lá, levanta e começa tudo de novo. Afinal… Continuar tentando só pode me trazer coisas boas, assim como quando a vida me trouxe você.

 
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Eu já estava um pouco de saco cheio de usar o Tinder em Londres. Váááários caras gatos mas nenhum papo interessante – isso quando eles me respondiam, né? Lembro que ficava tirando print da tela só para guardar aqueles rostinhos bonitos, mas como ia embora em menos de uma semana, tentar insistir em encontros não me parecia tão tentador. Lembro que só dei like seu perfil dele porque, além de bonitinho, você parecia ser diferente. Aquela foto sua todo quebrado na cadeira de rodas parecia meio debochada, então achei que talvez pudesse ser um cara interessante. Mesmo assim, não esperava nada. Ainda bem que você pediu para irmos pro Whatsapp e insistiu para que nos encontrássemos. Se não fosse isso, eu não teria tentado nada. E, bom… Já que era meu primeiro dia sozinha na viagem e eu realmente não tinha nada melhor pra fazer, sair com um cara local pra uma cerveja me pareceu a melhor opção. Nunca fui fã de curtir a noite sozinha e em Londres os caras só pensam em beber. Olhar/falar/interagir com mulheres é a última coisa que se passa na cabeça deles, rs.

Enquanto te esperava no bar, começou a bater aquele pânico que sempre tenho – e odeio – antes dos primeiros encontros. Um frio na barriga péssimo, que me fazia querer acabar logo com aquele começo da noite e pular para a parte onde já estivéssemos íntimos um do outro. Não sabia se você era legal, se a gente gostava das mesmas coisas… Se você teria o humor inglês que é tão diferente do humor do meu país. Será que meu inglês está enferrujado? Será que ele vai gostar de mim? Será que ele é alto? Baixo? Chato? Daí você chegou. Eu tinha achado uma exposição de arte hipster bem em frente ao meu hostel, e te convidei pra ir comigo dar uma olhada. Hummm… Pelo jeito você não era muito ligado em arte, né? Ok, vamos sair daqui e tomar logo uma cerveja.

Minha primeira impressão foi que você era um cara muito engraçado. Mas muito engraçado mesmo. Até demais. Achei que a noite seria meio chata porque você fazia muitas piadas e uma hora ou outra eu ia ficar entediada. Também achei engraçado o fato de você ter aqueles dentinhos tortos que muitos ingleses tem. Era um pacote completo: inglesinho, loiro – ou meio ruivo, como você gosta de dizer que é – e dentinhos zuados. Conversa vai conversa vem, comecei a te achar legal. O fato de você ser engraçadão parou de me incomodar e eu comecei a rir genuinamente das suas piadas. Você me ganhou quando começamos a falar sobre o quão chato era sair para primeiros encontros. Os papinhos, o doce que normalmente as meninas fazem… Lembro de você me contando que elas te perguntavam coisas sem noção, ficavam com vergonha de falar sobre certos assuntos e nada parecia natural. Ouso dizer que, apesar do mal estar sempre presente em primeiros encontros, com a gente foi natural desde o começo, né? Eu tenho esse medinho antes de encontrar o cara mas ele termina no exato momento em que o encontro. Acho isso incrível!

Daí fomos pra balada, você tentou me beijar… E eu com essa mania de querer que todos os primeiros beijos sejam perfeitos, recusei, porque aquela não era a hora de dar o primeiro beijo (ainda). Acho que você não entendeu nada, né? Mas a espera valeu a pena. Foi tudo tão gostoso. E eu nunca vou esquecer da gente saindo daquele pub com você enfiando dois pints enormes na cueca por minha causa! hahaha.

[continua aqui...]

 
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