Depois de mais de 1 ano morando na Europa, já sei de cor e salteado quais são os clichês que os europeus mais falam sobre o Brasil: futebol, sensualidade, Ronaldinho, samba, mulheres bonitas, caipirinha, bundas, verão, espanhol (?), Ai Se Eu Te Pego, etc. Mas hoje, tive uma experiência que prova totalmente o contrário do que os gringos pensam sobre os brasileiros serem um povo tão, digamos assim… Caliente.

Brasileiro adora ser chamado de povo bonito, sensual, fio dental na praia e pouca roupa no calor… Mas rola inclusive uma baita contradição nessa história toda, porque a gente quer mostrar uma sensualidade totalmente forçada e plastificada que, pra mim, ta longe de ser interessante.

Não só aqui na Holanda, como também em alguns outros países da Europa tipo Rússia ou Alemanha, eles tem o costume de frequentar saunas. E diferente do que a gente pensa sobre as saunas no Brasil, o fato de frequentar uma sauna não tem nada a ver com ser gay ou estar desesperado por sexo. Aqui as pessoas vão em família, casais, e levam até as crianças quando se é conveniente. Hoje foi a minha primeira vez numa sauna como essas, e acho que posso dizer que nunca fiquei tanto tempo pelada na frente de outras pessoas, desde que comecei a entender o que é estar, de fato, pelado.

Aqui as pessoas frequentam as saunas completamente nuas. Sem frescura, sem pudor… Sem medo de ser feliz mesmo. Quando cheguei lá, já no vestiário, vi um monte de peito, pinto, bunda, pele caída, barriga tanquinho e mais uma mistura de um monte de tipos de corpos, sem nenhum sinal de vergonha ou vontade de esconder. Tentei agir com naturalidade, mas quando comecei a tirar a roupa deu aquele friozinho na barriga. Isso passou completamente depois de uns 5 minutos, pois o fato de estar pelado e a vontade é melhor do que qualquer outro sentimento. A sauna que eu fui era gigante… Tinha piscina a céu aberto, sauna molhada, seca, com água, com vapor… Tudo quanto é tipo. E a maior parte do lugar era completamente aberta, então, para se movimentar de uma sauna pra outra, você tinha que andar de roupão, toalha ou… Pelado mesmo. O engraçado era que tava fazendo 4˚ quando chegamos lá, e eu não imaginei que conseguiria sair pelada do lado de fora. Mas não é que a gente acostuma? A melhor coisa do mundo era sair de uma sauna muito quente e caminhar pelo gramado lá fora, com os pés descalços e sem a toalha pra cobrir tudo.

(eu me comportei e só tirei uma foto do lado de fora do lugar.)

Mesmo me sentindo super a vontade, tive que controlar meus olhares. Como evitar olhar pro pinto daquele cara super gato que estava entrando na jacuzzi que eu tava, né? Ou ficar analisando qual é o tipo de depilação que as mulheres holandesas mais gostam. Poxa, nunca tive essa oportunidade! :) Mas deixando um pouco as brincadeiras de lado, fiquei muito me imaginando lá com alguns amigos ou até mesmo a minha família. Será que eu me sentiria tão a vontade assim? Esse seria o assunto principal se eu estivesse lá com uma pessoa do Brasil. Nunca tive muito essa cultura de ficar pelada em casa, então acho que não iria pra sauna com o meu irmão por exemplo. Mas ao mesmo tempo, eu estava lá pelada no meio de TANTA gente, bonita, feia, velha, nova… Como poderia ter vergonha do meu próprio irmão?

pudor |ô|
(latim pudor, -oris)
s. m.
1. Sentimento de vergonha. = CONSTRANGIMENTO, EMBARAÇO, PEJO

Achei importante colocar o significado dessa palavra aqui, pra todo mundo entender o que exatamente significa. Pudor é uma coisa que o brasileiro tem muito, independentemente se usa fio dental, rebola até o chão ou faz letras de música com cunho totalmente sexual. Nossos corpos precisam ser lindos, sem celulite, peito siliconado… Se não, nem na praia de biquine a gente quer aparecer. Mas as pessoas na sauna se sentiam tão bem, tão relaxadas… Tavam lá de pernas abertas pro mundo ver, mesmo se não estivessem com a depilação em dia.

Daí comecei a imaginar como seria se abrissem um lugar desses no Brasil. Invés de relaxar, a galera iria pra lá se mostrar, desfilar, reparar nos outros. Ou os caras iriam com um grupo de amigos, pra ver se conseguiam pegar alguma mulher. Celular então? Vixe… A galera ia dar um jeito de entrar com o celular no bolso, pra tirar umas fotos escondidos e postar no Facebook, certeza. Não tô falando mal de brasileiro de graça não, porque eu mesma, no começo, agi exatamente da mesma forma. Porque isso simplesmente não faz parte da nossa cultura, e tudo que é diferente, a gente tende a reparar, analisar ou até mesmo julgar.

No fim, acredito que consegui disfarçar bem a falta de experiência. A pior parte do dia todo foi ter que tomar banho e colocar a roupa de novo. Calcinha, calça, sutiã, casaco… Parecia que tinha voltado pra prisão, de onde nunca havia saído antes. Se eu continuar morando aqui, quero fazer desse costume algo bem presente na minha vida. Suei todas as minhas tristezas e voltei completamente revigorada de um dia na sauna.

Você acha que teria coragem de frequentar um lugar assim? Ou como imagina que seria se abrissem uma sauna dessas no Brasil?

 
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31 comentários em “Saunas na Holanda e os pudores do Brasil”

  1. Mito Persona

    10/10/2012 a 20:40:40

    Adorei seu texto lindinha.
    Contudo, no Brasil existe milhares de saunas como essa.
    Pena que em SP tenha poucas…


  2. Mito Persona,
    milhares? Nunca vi nem ouvi falar.


  3. Viajei para a Alemanha no começo do ano e também fui numa dessas saunas. Fui pra lá meio de surpresa e a princípio fiquei apreensiva de todo mundo peladão. Mas minha experiência foi bem parecida com a sua. No começo achei estranho, principalmente pela naturalidade das pessoas. Bem como você comentou, tinha gente de todas as idades e formas e ninguém ficava reparando, julgando, era algo normal, um programa que as pessoas estavam fazendo com os amigos ou parceiros. É interessante ver como os europeus são mais abertos em relação a essas coisas, a gente ainda é muito conservador. No final foi bem legal, mas não sei se funcionaria no Brasil, pela questão cultural mesmo.
    Ah, e por ser inverno também estava super frio e tinha as áreas abertas. Achei que fosse congelar, mas sobrevivi sem maiores problemas :)


  4. Vc descreveu exatamente como me senti quando fui na praia de nudismo pela primeira vez. Devido a série de regras infelizmente necessarias por aqui é um dos unicos lugares onde vc consegue se despir dos rótulos sociais e ficar a vontade encarando a nudez como algo normal e não erótico. PS: olhar é normal, mas é a mesma coisa q ver uma mulher de bikini com pentelhos e mamilos no lugar de pedacinhos de tecido.


  5. Passei por uma situação parecida, só que na França. Passei duas semanas de agosto lá numa praia, e perto tinha um acampamento daqueles de nudismo, ou seja, na praia dava muita gente peladona mesmo. No começo achei super bizarro, ficava olhando estranho mas depois me acostumei. Depois disso achei um saco ir pra praia e usar biquini =). Mas realmente aqui no Brasil não tem condições de fazer uma coisa assim.


  6. @thaispontes

    10/10/2012 a 22:19:57

    é como andar em Londres de shortinho e não ser desrespeitada, né? é muito estranho. o brasil é um país, além de pobre, muito jovem. por isso tenho pra mim que deva demorar umas 5 ou 6 gerações para que os avanços em nossa educação e no IDH possam resultar num povo mais respeitador e menos hipócrita. ir pro primeiro mundo é realmente viajar no tempo! *amei o texto*


  7. @thaispontes,
    gostoso receber comentário seu aqui, Tha!
    Você acha mesmo que da pra mudar assim, e chegar a esse ponto um dia? Bom.. Provavelmente não estaremos mais aqui pra ver.
    Mas fico imaginando… Se chegarmos a esse ponto, a que ponto o “primeiro mundo” vai estar? Louco, né? hahaha
    Mas com a subida da classe média, essa coisa da galera estar viajando mais e tal… Acho que vai ser um ponto super positivo pro povo dar uma atualizada. Claro, ainda vamos ralar muito, nossa imagem vai ficar cada vez mais tosca por aqui (nessa questão de falta de educação, respeito a culturas etc) mas tudo tem seu lado bom e ruim. Queria viver muito pra dar tempo de ver grandes mudanças!


  8. Sou super tímida. Não sei se me sentiria bem. Mas existe um fator super importante nessa história: seu namorado. Você quer viver tudo com ele, coisas novas, descobertas…. Acho que se eu estivesse no seu lugar, toparia de ir sim e depois acharia super normal. Mas de iniciativa própria, sei n!


  9. Que experiencia legal! Concordo muito com vc: nos brasileiros temos muito mais pudor e muitas crises com relaçao ao corpo, em ficar pelados, etc.
    Morei em Berlim por um tempo e achei muito incrível as contradições que tinham por lá. Por exemplo: em uam tarde que passei o dia todo numa piscina (naquele verão super quente de Berlim), meninas e meninos não iam até o banheiro pra se trocar, tirar a roupa e colocar o maiô ou vice-e-versa. Faziam tudo de forma muito natural. Mas ao mesmo tempo, eu recebia muitos olhares exatamente porque a calcinha do meu biquini era muito pequena (para os padroes deles) a ponto de um cara vir me perguntar se eu era brasileira – e dizer q percebeu isso pelo tamanho do meu biquini!


  10. Nossa, não sei se ia conseguir..de verdade..ainda não to na Europa tempo suficiente pra ser moderninha kkkkk
    E eu não consigo ver o Brasil ser assim, pelos mesmos motivos que você citou. Se a mulher for muito gata, imagina a dor de cabeça?


  11. Nossa re, rsrs sou super tímida,tenho vergonha até de biquini, não conseguiria ir a uma sauna dessas nunca. . .


  12. Tive uma experiência parecida na Alemanha. Realmente é interessante observar essa diferenças culturais. Mas acho que acima de tudo parte da culpa é nossa, mulheres brasileiras. Sempre tentamos conquistar, ser sensuais, nos preocupamos demais com o que os outros pensam, em todos os sentidos. Nós deveríamos relaxar mais. Mulher de biquini está vestida para conquistar, quando estamos peladas, sem nenhum acessório sequer é sempre mais difícil ser sexy.
    As vezes penso que somos mais machistas do que muitos homens.


  13. Eu não sei se iria no Brasil exatamente pelo que você falou.. Vai que postal no Facebook, vai que trollam de alguma forma, e eu me sentiria mais desconfortável porque a probabilidade de conhecer alguém é muito maior. Em um país, ou continente, diferente é bem provável que eu, pelo menos, fosse experimentar. Acho uma experiência super interessante assim como praia de nudismo. :)


  14. Re, te conheci lá no blog da STB e migrei pra cá!
    Daqui eu não saio! Daqui ninguém me tira! kkkkk
    Adoro ler o que vc escreve!
    bj!


  15. Rebiscoito, você curti sadomasoquismo, pornografia e fetiches, gostaria de saber o que você acha da prática do sadomasoquismo e pornografia como forma de denegrir as mulheres? Veja essa matéria: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4614275-EI6594,00-Pornografia+celebra+violencia+contra+mulher+diz+sociologa.html
    Sei que você chegou a pesquisar o assunto e tal, sua predileção não é falta de informação, mas o que você acha desse outro lado? Por exemplo, o livro 50 Tons de Cinza, que hoje é um fenômeno literário, trata de relação sado-masô, mas de forma nada muito igualitária e libertadora, como é dito aqui: http://feministacansada.tumblr.com/post/30487300317/50tonsdecinza
    Desculpa se estou sendo chata, mas gostaria mesmo de saber sua opinião sobre o assunto. (ia te mandar essa pergunta naquele lugar onde vc responde pra todo mundo, mas sou analfabeta digital!)

    Um abraço.


  16. Adorei esse texto e achei que você colocou muito bem as diferenças culturais. Deu até pra sentir a liberdade em que essas pessoas vivem! Tô como você… no momento não consigo ver uma coisa dessas no Brasil. E pra falar a verdade, nem nos EUA.


  17. Seu blog é incrível, digamos que eu achei sem querer e pelos posts do diário, que por sinal é muito engraçado. Foi sem querer e acabou fazendo a alegria do meu feriado! parabéns. ps: É bem estranho essas coisas que você passa kkk


  18. Oi Leitora., tudo bem?

    Demorei um pouco pra responder seu comentário porque queria ler com calma os links que você me mandou, e pensar sobre o assunto. Eu tenho um histórico feminista, quando era mais nova sempre ia a marcha mundial das mulheres, escrevia sobre o assunto num blog.. Mas claro, eu era super nova e nem tudo que eu acredito agora, tem a ver com isso, mas acabou ajudando a formar a pessoa que sou hoje.

    Não concordo com a socióloga sobre a pornografia gerar violência. Nunca diria que temos que combater a pornografia para acabar com a violência. Acho que a violência em si, vem da criação da pessoa, da infância, das relações pessoais que essa pessoa tem (tanto com familia, amigos ou amores). Só uma pessoa muito problemática pode se deixar levar pela pornografia e achar que aquilo lá é realidade. Conforme a gente vai ganhando experiência sexual, a gente vai vendo que, cada vez mais, não temos que imitar filmes pornôs pra fazer sexo. Aquilo ali é balela, é estimulação visual para dar prazer as pessoas.

    No mundo fetichista, conheci diferentes tipos de pessoas, e um dia participei de um bate papo só com homens dominantes. Eles contaram da experiência deles com as suas subs, e algumas das subs estavam lá para falar o lado delas da história também. Quem está de fora, ve isso como algo sujo, errado, absurdo. Mas quem vive na prática, sabe que é libertador. Todos eles tem uma vida normal. Alguns são casados com suas subs, e no dia a dia o relacionamento deles é perfeitamente normal. Cheio de respeito e amor e conversa entre eles. As vezes, é a mulher que toma as decisões finais, fazendo totalmente o oposto do que acontece na cama. Mas naqueles momentos mais íntimos, cada um sente prazer com o que gosta. Tem gente que gosta de ser humilhada, gente que gosta de humilhar, sentir dor, ver sofrer… A partir do momento em que você conhece o outro profundamente e conversa para estabelecer limites, TUDO PODE. E nada mais importa fora daquelas 4 paredes. O que falta é as pessoas se abrirem mais, se conhecerem mais… Uma mulher feminista, que luta pela igualdade de direitos, pode muito bem ser uma sub que é totalmente dominada pelo seu marido, sexualmente falando. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, o respeito é o que vale.

    Não li 50 tons de cinza porque morro de preguiça. Pelas críticas que li, e pelo tipo de pessoas que me indicaram dizendo que era um livro ótimo, já deu pra sacar que eu ia odiar. Mas acho que acabou sendo bom por uma coisa: mulheres comuns, cheias de tabus com sexo, acabaram lendo e amando o livro. Isso provavelmente as deixou um pouco mais abertas ao mundo do fetiche, ou pelo menos com uma pulguinha ali atrás da orelha, lembrando que elas também tem prazer e gostariam de ousar um pouco mais na cama – E NÃO HÁ NADA DE ERRADO NISSO.

    Gostei da discussão que você abriu aqui, gostaria de saber a sua opinião sobre isso também. Se quiser, responda aqui nos comentários ou me mande um email: falecom@rebiscoito.com.br ;)


  19. Achei o post e o assunto muito pertinentes. Em viagens, eu também já reparei e me impressionei como fora do Brasil em geral, as pessoas não olham, reparam ou apontam tanto pras outras e o que estão vestindo ou coisas assim… incrível isso. Onde reparei mais nisso foi no Canadá, e vi um lado bom e um ruim nessa situação, a boa é realmente a liberdade de fazer e usar o que quiser sem se importar com os outros, literalmente, e o lado ruim foi a falta de contato mesmo, andar na rua e nem olhar nos olhos de ninguém, como realmente se não reparasse que aquela pessoa está ou esteve ali do seu lado. Acho bom e estranho. Mas outra coisa é à respeito de corpos… de nudez e pudor! De fato todo o mundo pensa o contrário do brasileiro, por causa do carnaval tão vendido e divulgado talvez (ou com certeza!)? O Brasil é vendido como o país das bundas de fora e tudo liberado e também por isso é que brasileiro se importa tanto com a aparência, é o que é vendido pro mundo todo. Eu, particularmente, odeio esse estereótipo brasileiro, mas vivendo aqui a gente meio que é acostumado a isso, problema é estar lá fora e perceber o quanto pensam assim de nós, principalmente mulheres. Se sem muitos lugares tão liberais assim pelo Brasil a nossa imagem tanto aqui dentro como pra fora é assim, imagine se tivessem… definitivamente nosso povo não teria maturidade pra saber qual a real utilidade e objetivo dessas saunas, por exemplo. :/


  20. Eu ficaria nua numa boa!


  21. Eu moro no japao e aqui tem algumas saunas assim , que entram todos nus, eu sempre frequento com meu marido , la tem gente de todas idades e corpos, e ninguem repara em ninguem .. As mulheres sentam de pernas totalmente abertas de modo que da pra ver bem toda a vagina e anus e elas num tao nem ai ..


  22. Achei muito interessante a sua matéria. Concordo com a opinião de todos em relação a diferença cultural brasileira e a européia. Em casa gostamos de frequentar praias e resorts naturistas, que são raros no Brasil. Mas percebe-se pelas respostas que ao mesmo tempo em que são apresentadas as dificuldades para viabilizar essa prática no Brasil, também se observa a disposição de todos (ou quase isso) em querer frequentar ambientes assim. Acredito já existir uma sociedade esclarecida que no Brasil que concordaria em frequentar lugares desse tipo, em total segurança logicamente. Talvez devêssemos começar em casa a não colocar tantas restrições a nudez, não despejar sempre uma conotação sexual à simples condição de se estar despido, fazer com que nossos filhos encarem isso de forma natural, poderem crescer sem a mentalidade de que vincula nudez com sexo sempre.


  23. Pessoal, aqui no Brasil tem lugares frequentados por nudistas onde se pode encontrar gente vivendo todas as circunstâncias de um dia de lazer estando pelados. Mas o Brasileiro, por ser inexperiente nessas questões – sim, estar nu entre outros nos coloca em situação de igualdade – costuma ridicularizar essas situações como se só se tratasse de colocar o sexo à mostra. E o incrível é que até os estrangeiros que entram em contato conosco nessas situações acabam acreditando que se trata de liberar o flerte e a sedução, porque a gente com frequência se coloca a partir desse referencial. Mas também existe lugares onde se pode estar nu aproveitando o sol em família. São poucos, ainda.


  24. Cultura é uma coisa muito complexa mesmo. Cada país tem a sua e é dificil fazer parte de uma diferente da sua. Não adianta, é difícil mesmo. Não diria que somos mais atrasados ou algo assim com relação ao resto do mundo. É a coisa da cultura mesmo. Viajei por diversos países do mundo e todos foram a mesma coisa. Cada um tem seu jeito, sua maneira, seus hábitos. Lembro que na Austrália tentei explicar que no Brasil há lugares para levar seu parceiro/parceira para um local, digamos, exclusivo ao sexo (móteis). Ficaram chocados. Criticavam também nosso carnaval. Por que vocês beijam tanto? Por que tão pouca roupa? Festas populares como as nossas por lá envolvem mais bebidas alcoólicas e “roupa” que pegação e corpos sendo expostos. Como explicar a eles nossos biquinis? E o nosso funk? Cada país tem seu jeito e sempre vai chocar quem vem de fora.


  25. Oi, sou eu de novo!

    Estava lendo um texto sobre pornografia e lembrei dessa breve troca de mensagens que tivemos.

    Gostaria de saber a sua opinião sobre os argumentos, sobre o que é dito a respeito da pornografia.

    http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2008/05/no-fui-convidada-para-essa-festa-e-se.html


  26. Oi de novo, Leitora :)

    Eu sempre tenho uma posição meio diferente de pessoas comuns sobre assuntos sexuais. Não me encaixo muito nos padrões brasileiros de pensamento sobre o assunto, mas vamos lá: achei que a professora foi bem sensata em tudo que disse, e respeito a opinião pessoal dela sobre filmes pornôs. Não é todo mundo que gosta, né?! Mas cada um tem uma opinião sobre isso, as pessoas são diferentes.

    Eu, particurlarmente, adoro pornografia. Mas filmes pornôs, desses convencionais, não me excitam também. É tudo muito fake, da pra ver que não é natural e o fato deu ficar vendo cenas que sei que estão sendo “forçadas”, de certa forma, corta todo o meu tesão. Mas adoro fotos, filmes caseiros e pessoas reais “fazendo pornografia”. Tenho muita preguiça do lado feminista da coisa, que diz que a mulher é tratada como pedaço de carne e bla bla bla, porque cada um assiste e participa se quer, e querendo ou não, filmes pornôs fazem sucesso e são consumidos tanto por homens, quanto por mulheres (por mais que muitas não admitam).

    Concordo plenamente quando ela diz que tem dó de meninos que aprendem a fazer sexo assistindo filmes pornôs, porque eles realmente serão bem ruins de cama, mas isso pode acontecer com qualquer um. A vida e a experiência acabam nos mostrando o que é realmente bom.

    Enfim.. Não sei se falei exatamente do ponto que você queria, mas você podia participar um pouco da discussão dando a sua opinião também, né? Não apenas pedindo a minha :)


  27. Tá certo. Vou falar o que acho. Não sei se não compartilho de um pensamento convencional, acho que sexo é assunto privado mesmo e que a gente conhece sobre o outro na transa, independente do diálogo a respeito do assunto.
    Convivo com pessoas bastante libertárias quanto a isso, que não fariam do sexo um assunto na mesa de bar e que até achariam uma caretice isso ser o assunto central, mas que são sensacionais na transa.
    Uma amiga que é professora fala de um exercício engraçado que ela já fez com as crianças: ela colocou uma linha no chão e dividiu a sala entre o lado público e o lado privado, a fim de que as crianças aprendessem sobre o que falar e quando falar. Parece castrador demais? Acho que não. Muitas vezes a gente pensa que está sendo mente aberta, quando na verdade estamos fazendo papel de babaca e encaretando mais a vida falando bobagens em público, e pior: julgando quem nem conhecemos, como se a pessoa por não falar de determinado assunto, por não querer sair dizendo por aí que adora sentir o braço de alguém dentro de si, por exemplo, mas prefere manter tal assunto privado (acho até que silenciar sobre certos assuntos é bastante excitante, acho também que quando certas coisas do sexo entram para o plano do discurso, deixam de ser excitantes, ao mesmo tempo que outras coisas quando ditas dão tesão)
    Sobre a pornografia, acho que andei vendo os filmes errados. Gosto mais quando são 2 mulheres, por mais que eu goste de homens e mulheres e atualmente esteja num relacionamento monogâmico com um cara, as cenas de sexo hétero ou homossexual com homens não me atraem.
    Rê, vou parar por aqui, porque eu viajo na maionese e acho que você não deve ter entendido metade do que eu quis dizer, já que sou péssima com as palavras.
    Um abraço.


  28. Adorei esse texto! Eu sempre tive essa impressão sabe?

    As pessoas falam muito da sensualidade brasileira, mas se a guria já coloca o pé para fora de casa de shorts é mega julgada. É uma pseudo sensualidade pra lá de hipócrita porque só serve onde eles querem e pior “pra quem pode”.

    O corpo é a coisa mais natural da vida, ninguém vem ao mundo coberto de tricoline ou poliéster! Mas como você e outras pessoas ressaltaram, imaginar encarar a nós e ao próximo no Brasil é algo meio absurdo: você teria medo de levar seus filhos porque não sabe o que se passa na cabeça das pessoas, ia se sentir terrível nua, ia ter rezar pra não tirarem fotos de você ou sua família – o que esperar de um país onde marmanjo com a esposa a tiracolo fica tarando mulher amamentando recém-nascido?

    Como tenho aulas de desenho com modelo nu, passei por algo meio parecido; no começo todo mundo ficava meio assim, as mais tímidas davam risadinhas nervosas, a gente não sabia bem pra onde olhar e desenhar certas partes era bem constrangedor – depois de umas aulas, ficou normal, conversamos com os modelos, detalhamos mesmo, seja magro gordinho, escultural, é tudo anatomia, é tudo gente.


  29. luciana bonguardo

    13/01/2015 a 01:11:57

    A pergunta é: faz se tanto sexo aí quanto aqui?
    A cuca Brasileiras, desde que as esquadras Européias entraram no Brasil, forçando negras e índias a fazer sexo a força, constitui-se no País do sexo e da sacanagem.
    Impossível, ou quase, como você mesma mencionou, olhar sem desejar…..culturas completamente diferentes do início ao fim.


  30. Sauna mista??? Aff, jamais, na verdade nenhum tipo de sauna.


  31. Em relação à questão que vc colocou de ficar nu com a família, acho que é muuuuuuuuuito pior! Sério, imagina na frente dos seus parentes, pai mãe, credo! Estranho é estranho, vc não tem contato com eles. imagina lá com o pessoal da empresa, ficar todo mundo peladão…oi???!!!!



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