Hoje acordei pensando nele. Atrasada, como sempre, peguei um ônibus até o trabalho e comecei a ouvir uma música que me levou de volta aos braços dele naquele quarto de hotel. Quando vi, lágrimas escorriam pelo meu rosto. Que estranho, pensei, eu nem cheguei a desenvolver sentimentos tão profundos por ele… A gente mal se conhecia. Ficamos poucos dias juntos. Mas é engraçado como às vezes nosso corpo pede por contato humano, peles quentinhas se tocando e um abraço que, por mais desconhecido que seja, nos faz sentir tão bem.

Lembro que na hora de dormir ele me abraçava por trás e aquilo parecia certo. Ao mesmo tempo que pensava que não conseguiria dormir assim tão junto, tão grudado, eu não achava ruim o abraço dele porque sabia que não teria aquilo por muito tempo. Ele ia voltar pro país dele em poucos dias e se tornaria mais um dos meus breves amores gringos do Tinder aqui no Brasil. Como será que ele se sente dormindo assim tão abraçadinho com uma garota que ele também nem conhece?, eu pensava. Dormir nos braços de uma pessoa me parece algo tão íntimo, tão pessoal. Passa muito esse sentimento de proteger/ser protegido. Mas do que? De quem?

Talvez seja mais simples que isso. Talvez os solteiros que dormem abraçadinhos com pessoas que mal conhecem estejam apenas buscando se proteger da solidão. E apesar de adorar ser solteira, tem dias que a gente acorda com a solidão machucando o coração.

 
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Um comentário em “Solteiros que dormem abraçadinhos”

  1. Como cheguei até aqui? Mal pude perceber. Os olhos embaçados me impeliram na direção contrária a que desejava seguir. Me afoguei nas duras pedras da realidade. Destroçava-me, com freqüência, ao recuperar a pouca visão. Descuidei de minha missão, cavei fundo a decepção e queimei nosso coração. Perdi minhas asas, que se quebraram quando entrei neste inferno. Uma criança não reconhece um erro. Caminho sozinho porque falhei. Soltei-me de todos quando sai de minha casca. Orgulhosa nova casca do engano. Deixei à morte toda minha família. Desapareceram rápido. Agora estou caído em desgraça, ouvindo a contínua canção das cigarras sobre a virtude do amor, meu antigo amor. Meu amor perdido.



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