Ser da geração Y é mágico. Estava aqui pensando que quem nasceu nos anos 80, como eu, teve a oportunidade de viver a vida e aprender as coisas de um jeito mais roots, quando internet ainda nem existia, tipo escrevendo diários, colecionando adesivos, papéis de carta, enviando cartas escritas à mão pelo correio… Mas também pôde pegar a internet desde o começo e evoluir com ela. Chat da Uol, ICQ, Msn, “oi, quer tc? Como vc eh?”. E hoje, Tinder, Happn, online dating de nicho. É só apertar o coração e ver se a pessoa também curtiu você. A conversa? Ela começa por texto no celular mesmo, sem muito comprometimento. Se não rolar papo, a gente passa pro próximo.


Lembro até hoje como era quando eu estava na escola. Internet era só depois da meia noite, quando era mais barato pra se conectar. Então conversar com o crush online, nem pensar, né? Celular também não tinha. “Mas como vocês faziam então, tia Renata?”. Bom, queridos jovens, a gente passava o telefone de casa. Dava pro amigo do crush e ele tinha que ter a coragem de ligar pra gente, olha só que desafio! Além do constrangimento de falar com a pessoa pela primeira vez no telefone e ficar arranjando assunto, a gente ainda tinha que ficar de olho pra ver se a mãe não estava ouvindo a conversa pela extensão, era uó! A minha mãe fez isso da primeira vez que um carinha me ligou em casa, fiquei puta da vida.


A gente dava mais a cara a tapa, tinha que peitar as situações. Mas isso não quer dizer que hoje também não seja divertido. O friozinho na barriga antes de encontrar um Tinderette é exatamente o mesmo que eu sentia quando o boy me ligava em casa pra conversar sobre amenidades, acho que isso a internet não tira da gente. Conversar por mensagem de texto sem olhar no olho da pessoa é fácil, mas sempre vai chegar o momento que a gente vai precisar encontrar a pessoa ao vivo e lidar com a realidade, a não ser que você seja desses que curte um romance virtual apenas. (nada contra, tá?)


Eu acho um máximo ter vivido no passado, mas também adoro viver no futuro. Me adapto fácil à essas mudanças e curto a melhor parte dos dois mundos. Estou sempre ansiosa para ver as próximas novidades que a tecnologia guarda pra gente. E você, qual dos dois mundos prefere? Eu confesso que tenho saudade de escrever cartas. Hoje meu diário são minhas redes sociais, e tenho medo de todas essas informações serem perdidas daqui a uns anos. Mas acho que esse é o apego que o passado deixou em mim. O que tá em alta hoje em dia é o desapego, criar conteúdo que se apaga em 24 horas. Amo o Snapchat, mas o desapego é algo que ainda preciso trabalhar muito em mim.

Ps.: falando em Snapchat, me segue lá: rebiscoito

 
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3 comentários em “Como a gente flertava antes do Tinder existir?”

  1. Victor Costa

    07/10/2016 a 15:41:06

    Nada como mandar uma indireta pelo subnick do msn.
    Reza a lenda que tinha gente que ficava logando/deslogando só para a notificação aparecer na tela da menina =P


  2. Victor,

    Nooooooooooossa!!! hahaha LEMBRO MUITO. Que tempos bons…


  3. Diego Fávero

    12/12/2016 a 17:41:29

    A primeira mina que conheci pela internet teve que me mandar a foto por Correios. Passávamos madrigadas ao telefone e eu imaginava ser alguém tipo a Luana Piovanni, pela descrição que ela passou. Quando a cartinha chegou foi um balde de água a -30º! :( … depois conheci uns amigos na sala 2 do UOL que me colocaram numa turma de amigos de internet e rolava encontros todo fds! E quando rolava uma máquina fotográfica pra registrar os momentos, tinha que depender de alguém pra scannear e mandar pra turma toda! Os jovens de hoje tem que agradecer de joelho!! hahaha



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