Ser da geração Y é mágico. Estava aqui pensando que quem nasceu nos anos 80, como eu, teve a oportunidade de viver a vida e aprender as coisas de um jeito mais roots, quando internet ainda nem existia, tipo escrevendo diários, colecionando adesivos, papéis de carta, enviando cartas escritas à mão pelo correio… Mas também pôde pegar a internet desde o começo e evoluir com ela. Chat da Uol, ICQ, Msn, “oi, quer tc? Como vc eh?”. E hoje, Tinder, Happn, online dating de nicho. É só apertar o coração e ver se a pessoa também curtiu você. A conversa? Ela começa por texto no celular mesmo, sem muito comprometimento. Se não rolar papo, a gente passa pro próximo.


Lembro até hoje como era quando eu estava na escola. Internet era só depois da meia noite, quando era mais barato pra se conectar. Então conversar com o crush online, nem pensar, né? Celular também não tinha. “Mas como vocês faziam então, tia Renata?”. Bom, queridos jovens, a gente passava o telefone de casa. Dava pro amigo do crush e ele tinha que ter a coragem de ligar pra gente, olha só que desafio! Além do constrangimento de falar com a pessoa pela primeira vez no telefone e ficar arranjando assunto, a gente ainda tinha que ficar de olho pra ver se a mãe não estava ouvindo a conversa pela extensão, era uó! A minha mãe fez isso da primeira vez que um carinha me ligou em casa, fiquei puta da vida.


A gente dava mais a cara a tapa, tinha que peitar as situações. Mas isso não quer dizer que hoje também não seja divertido. O friozinho na barriga antes de encontrar um Tinderette é exatamente o mesmo que eu sentia quando o boy me ligava em casa pra conversar sobre amenidades, acho que isso a internet não tira da gente. Conversar por mensagem de texto sem olhar no olho da pessoa é fácil, mas sempre vai chegar o momento que a gente vai precisar encontrar a pessoa ao vivo e lidar com a realidade, a não ser que você seja desses que curte um romance virtual apenas. (nada contra, tá?)


Eu acho um máximo ter vivido no passado, mas também adoro viver no futuro. Me adapto fácil à essas mudanças e curto a melhor parte dos dois mundos. Estou sempre ansiosa para ver as próximas novidades que a tecnologia guarda pra gente. E você, qual dos dois mundos prefere? Eu confesso que tenho saudade de escrever cartas. Hoje meu diário são minhas redes sociais, e tenho medo de todas essas informações serem perdidas daqui a uns anos. Mas acho que esse é o apego que o passado deixou em mim. O que tá em alta hoje em dia é o desapego, criar conteúdo que se apaga em 24 horas. Amo o Snapchat, mas o desapego é algo que ainda preciso trabalhar muito em mim.

Ps.: falando em Snapchat, me segue lá: rebiscoito

 
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Hoje acordei e pensei: vai ser um bom dia. Levantei da cama cedo, fui na feira comprar legumes, dei comida pra Pandora, brinquei com ela, fiz café da manhã… E enquanto ia pro trabalho, debaixo daquele solzão quente, sentia o calor do sol, dava bom dia pras pessoas na rua… Sabe aquela pessoa irritantemente feliz? Então, era eu. Daí, chegando no trabalho, me deparo com um envelope em cima do teclado, todo escrito à mão, com o endereço dizendo “Brazil”, com Z mesmo. O selo era dos Estados Unidos, então logo pensei: não pode ser do Sam. Primeiro porque ele fala Brasil com S (eu que ensinei!), e segundo porque o selo não era do Reino Unido. Mas quem poderia me mandar uma carta tão bonitinha dos Estados Unidos? Não tenho amigos lá…

Daí abri toda ansiosa e eis o que vejo:

[clique na foto para ver maior]
Meus olhos se encheram de lágrimas, eu tinha certeza que o dia hoje ia ter mesmo bom. Lógico que mandei mensagem pra ele no mesmo minuto e ele ficou super feliz que chegou. Disse que num dia super ocupado ele acabou caindo em um site, achou bonitinho e resolveu me mandar uma carta. Mas como foi meio rápido e ele não tinha nada no histórico de e-mail, ele nem lembrava qual era o site. Ainda bem que a pessoa que escreveu a carta colocou o endereço atrás:

Primeiro eu estranhei que não tinha nem carimbo de data e apenas um selo sem muitas explicações. Endereço do remetente também não, daí descobri que era o projeto artístico de um americano chamado Ivan Cash, que assim como eu, trabalha com publicidade. Bom… Ele trabalhava. Há alguns anos atrás ele resolveu largar seu ~emprego dos sonhos~ numa agência em Amsterdam e começou esse projeto de escrever cartas para estranhos, já que ele amava escrever cartas mas com a correria da vida lhe faltava tempo. A gente recebe tantos e-mails por dia, que dá até agonia de ter que ler todos. Às vezes pode até ser um e-mail carinhoso de alguém que a gente gosta, mas nem se compara a recebermos uma carta escrita a mão dessa pessoa, né?

A ideia foi tão incrível que ele e seu time enviaram mais de 10 mil cartas, publicaram um livro e hoje em dia promovem um evento anual, que dura uma semana inteira e pessoas do mundo inteiro participam. Infelizmente não dá pra entrar no site e enviar uma carta, parece que o esquema é ficar de olho na fanpage do projeto para saber quando vai rolar o evento e mandar a sua carta. O desse ano rolou na primeira semana de novembro e eu tive sorte do meu namorado, que mora do outro lado do mundo, achar o site a tempo e me mandar uma cartinha! Fico imaginando quem foi a pessoa que escreveu, acho que foi uma menina porque a letra é super bonitinha e a pessoa se importou em escrever o nome do Sam com um coração e xxx com caneta colorida. <3

Essas são algumas fotos de cartas que já foram enviadas pelo Snail Mail My Email, olha que graça:

Agora me respondam:

Fiquei aqui pensando no quanto essa ideia é incrível e tem tudo a ver com o meu blog. Se eu fizesse um esquema desses de enviar cartas escritas a mão, todas caprichadinhas com ilustrações feitas por mim, quanto você pagaria pelo envio? Quem sabe não faço as contas do material e tempo que gastaria fazendo isso, e começo um projeto paralelo que deixaria meus dias e o dia de outras pessoas mais feliz?

 
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Hoje o Sam me mandou um link que eu amei tanto que fiquei com vontade de compartilhar com o mundo!

Tem uma banda que eu adoro, chamada We Are The Willows, e eles vão lançar um novo álbum agora em novembro, chamado “Picture (Portrait)”. A característica mais forte da música deles é a voz do vocalista Peter Miller, que quando eu ouvi pela primeira vez podia jurar que era a voz de uma mulher. É super delicada e suave, e as músicas são tristes do jeitinho que eu gosto. Essa é uma das músicas mais famosas deles e foi também a primeira que eu ouvi, olha só os berros que ele dá mais pro final da música, parece até um pouco voz de criança!

Bom, a parte linda do novo álbum que eles estão lançando, é que as músicas foram inspiradas por cartas de amor trocadas pelos avós do Peter Miller, enquanto o avô dele lutava na Segunda Guerra Mundial. O Peter Miller morou alguns anos com seus avós enquanto fazia faculdade, e eles sempre falavam pra ele dessas cartas. Daí ele se formou na faculdade e sabe o que os avós deram de presente? Todas as cartas trocadas por eles naquela época, que na verdade nem eram todas porque o avô dele teve que se desfazer de muitas quando a guerra acabou e ele voltou pros Estados Unidos. Eu sou suspeita pra falar, mas não é o presente mais incrível do mundo? Deu até vontade de perguntar pra minha vó se ela guarda cartas de amor da época que ela conheceu meu avô! :’)

No link que o Sam me mandou tem uma entrevista completa com o Peter Miller em inglês, falando um pouco sobre a história e seu processo criativo para escrever/fazer as músicas, mas aqui eu traduzi a parte que mais gostei:

Você acha que o romance está realmente morto?

Peter Miller: A relação dos meus avós me fez pensar muito sobre como o romance está ligado à proximidade, escassez e acesso à informação. As condições em que meu avô escrevia as cartas para a minha avó com certeza não eram ideais para um namoro. Suas cartas eram muito censuradas e muitas vezes ele nem sabia se minha avó iria recebê-las. Se ela as recebesse, ele só teria sua carta-resposta vários meses depois. Dá pra imaginar ficar sem saber se os sentimentos da pessoa são recíprocos ou não enquanto você espera a resposta?  Quanto sentimento deve estar envolvido nisso!

E o amor na era moderna?

Peter Miller: Hoje podemos saber muito sobre uma pessoa sem nem antes falar com ela! Podemos stalkear a pessoa online e descobrir se ela gosta do mesmo tipo de música que a gente, se ela estudou fora, fez trabalho voluntário, se tem uma irmã etc. E quando falamos com elas, já sabemos que a resposta será quase que imediata (ou percebemos que ela não está muito interessada caso demore muito para responder). Além do mais, temos uma gama muito maior de opções. Não temos apenas 4 ou 5 potenciais parceiros, temos milhares! Outro fator é que hoje temos muito menos pressão social e biológica para escolhermos alguém.

Então, se compararmos os parâmetros de hoje em dia com os da época dos nossos avós, acredito que a gente conheça mais as pessoas do que eles conheciam naquela época. Temos chances de encontrar alguém compatível com a gente. Sendo assim, se escolhemos alguém para nos relacionar, quer dizer que já conhecemos a pessoa o bastante para querer nos relacionar com ela e amá-la, de fato. Nossa escolha é muito mais exata, portanto, um pouco mais verdadeira.

A parte linda, confusa e incrível da época dos nossos avós é que eles escolhiam seus parceiros de forma muito diferente. Eles não tinham o mesmo acesso à informação, então, se apaixonar por alguém era muito mais uma questão de escolha. 

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Esse papo todo de amor na era moderna me lembrou muito esse texto aqui, que escrevi quando assisti o filme “Her”: Como explicar o amor nos tempos modernos?. E ah! Esse é o clipe de uma das músicas desse novo álbum deles, já inspirada nas cartas: Dear Ms. Branstner

 
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Hoje cheguei em casa depois de receber uma péssima notícia. Vim por calçadas diferentes no caminho de volta pra casa, assim ninguém que me vê passando por ali todos os dias notaria a minha cara de choro e ouviria meus soluços. A única coisa que eu queria era chegar em casa, não ter que pensar em nada e só chorar, chorar e chorar.

Sequei as lágrimas para entrar no prédio e cumprimentar o porteiro, quando ele me chamou para entregar um pacote do correio. Pensei: Ué, não comprei nada pela internet recentemente… O que será?

No remetente, o nome de um amigo inglês que conheci esse ano enquanto trabalhava no hostel, que agora estava morando e trabalhando em um hostel em Cusco, no Peru. Ele havia mesmo me mandado um email pedindo meu endereço, mas eu nem lembrava. Entrei no meu quarto, ainda chorando sem parar, e cada vez que olhava para o pacote chorava cada vez mais. Estava tão triste que até se olhasse prum filhote de cachorrinho me pedindo carinho, eu não ia conseguir parar de chorar.

Sentei na cama, li o jeito que ele escreveu meu endereço no envelope e o abri. Dentro, uma máscara peruana para a minha coleção com quatro pacotes do meu chocolate favorito dentro. Tentei, sem sucesso, lembrar em que momento eu contei para ele que Reese’s Cup era meu chocolate preferido entre todos do mundo. A gente deve ter ficado juntos por uns 4 dias, no máximo, e ele acertou tanto assim no presente? Tem gente que entra na nossa vida para ter o simples papel de ser brilhante mesmo…

O começo da carta dizia:

“Dear dearest Renata,

This is actually the first letter I have ever written. Aren’t you Special!”

Só consegui continuar lendo depois de chorar litros de novo. Como pode uma pessoa que eu mal conheço se mostrar tão querida exatamente no momento que eu mais preciso? Os correios poderiam ter entrado em greve, o envelope poderia ter se perdido entre as milhões de encomendas que são enviadas no mundo, ou o porteiro poderia ter me entregado na hora do almoço, quando eu ainda estava bem. Mas não, alguém quis que essa carta chegasse em minhas mãos exatamente no momento em que eu mais precisava de uma esperança.

Obrigada, Universo. Ou seja lá quem fez isso acontecer hoje.

 
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Ontem a noite voltei pra casa chorando. Tive um sábado frustrante, nada saiu como eu esperava e ainda tive momentos desagradáveis. É, acontece. E quando acontece eu só consigo pensar nele. Não se engane, eu também penso nele quando estou feliz. Mas quando as coisas não vão bem o fato dele não estar aqui me dói três vezes mais. Eu choro, sinto falta de situações que nunca vivi. E odeio o mundo por não ter me dado a chance de viver essa história. Ah… A distância. Queria que minha vida fosse um filme pra pelo menos ter a esperança de que ainda vamos nos encontrar.

Hoje acordei com uma daquelas ressacas emocionais. Achei que o choro e drama da noite passada fossem efeito do álcool, mas a angustia ainda é a mesma e o fato dele não estar aqui ainda dói demais. Choro de novo. Choro porque acordei com vontade de ter ele na minha cama, de sentir seu corpo nu me abraçando em baixo das cobertas. Será que ele é de abraçar enquanto dorme? Se não for, tudo bem. Me contentaria em dormir e acordar com a certeza de que ele está ao meu alcance.

Só dormimos juntos uma vez. Foi na noite em que nos conhecemos, estávamos bêbados e ele era apenas um cara estranho na minha cama. Tive medo de acordar e ter que inventar algo sutil pra fazer ele embora. Mal sabia eu que iria me apaixonar tanto assim e dar tudo pra voltar naquela noite, sentindo tudo isso que sinto agora.

Escrever me conforta, me faz sentir melhor. É como se ele estivesse lendo e, de alguma forma, me fizesse sentir menos angustiada. Mas não mostro isso pra ele, não falo nem metade do que sinto. Ele só acha que eu lembro dele de vez em quando, e mando mensagens aleatórias como qualquer outra pessoa boa que passou por sua vida. A verdade é que o que eu sinto é tão forte e dói tanto, que me arrisco até a dizer que é amor. Amor por uma pessoa que eu mal conheço. Que besteira, menina…

 
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Hoje faz 4 meses que você foi embora. Agora o tempo que estamos longe um do outro é mais longo do que o tempo inteiro que ficamos juntos. Engraçado, né? Fico me perguntando se gosto tanto assim de você porque não posso te ter, ou se é porque você realmente levou meu coração embora pra outro país.

Sempre soube que a gente sumiria um do outro com o tempo. As mensagens iriam diminuindo, as lembranças começariam a desaparecer… Mas a vontade que tenho de ainda te ver um dia, acho que nunca vai acabar. Sabe essas histórias bonitas de filme, onde mesmo depois de anos separados, eles sempre se encontram no final? Não acho que isso vá acontecer com a gente, mas gosto de pensar que sim pois faz doer menos.

Por falar em filmes, esses dias vi uma cena tão bonita! Um casal apaixonado se reencontrou depois de anos, e ela perguntou:

- Por que você parou de me escrever?

Ele olha bem fundo nos olhos dela e responde o inesperado:

- Porque não era o suficiente.

Dizer “bom dia”, “boa noite”, contar as novidades ou apenas falar um oi pra se fazer presente, não é o suficiente. Eu quero sentir o seu cheiro, olhar nos teus olhos e ficar com vergonha de ter conversas muito profundas porque você sempre vai corrigir o meu inglês. Eu quero ouvir aquele teu sotaque bonito, e ganhar um beijo daqueles que nem o que você me deu quando nos achamos na praia de Copacabana depois da queima de fogos do ano novo. Não fazia nem um mês que a gente se conhecia, mas naquele beijo eu quase senti você dizendo eu te amo. Calma, calma! Não precisa se assustar. Eu sei que a gente nem chegou perto da fase de dizer eu te amo ou sequer sentir algo parecido com amor. Mas eu daria tudo pra conseguir ter a chance de viver isso com você um dia.

Já faz algum tempo que não nos falamos, e tenho pensado muito em você. Nos momentos tristes você é a primeira coisa que me vem a cabeça. Os silêncios também me fazem pensar em você. Fico vendo o horário da Inglaterra no meu celular e pensando o que você deve estar fazendo naquele exato momento. Quando estou pensando em jantar, você provavelmente está escovando os dentes para ir dormir…

Você ainda arruma o cabelo daquele jeito que eu gosto? Ainda rói as unhas e dorme de bruços com o braço em baixo do travesseiro? …eu sei tão pouco sobre você. Queria saber mais, pra ter mais lembranças boas quando a saudade aperta.

Será que você já conheceu outra garota? Ela já te prendeu, já te fez perder a cabeça, como você dizia que eu fazia? Espero que você não chame ela dos mesmos nomes que me chamava. Espero que você ainda lembre de mim, e tenha lá no fundo do peito uma esperança dessas bonitas de filme, que diz que a gente ainda vai se reencontrar um dia. Seja na Inglaterra, na Escócia, no Brasil ou na China, mas a gente ainda vai se reencontrar.

Eu não ligo que você goste de futebol. Não ligo que seja orgulhoso e que provavelmente a gente ainda vá brigar muito por causa disso. Eu só quero fazer parte da sua vida e viver perto o bastante para que a distância não o impeça de fazer de mim “a sua namorada” (lembra disso?)…

Espero que você ainda pense em mim, e que nunca seja tarde demais pra gente se reencontrar e você me dar outro beijo daqueles que me fez sentir a garota mais especial do mundo.

Update:
Hoje é dia 16/04/2013 e, depois de ter tido um sonho muito real de que ele tinha voltado, resolvi não mandar mensagem pois achei que seria muito clichê. O dia passou e, no final da tarde, recebo uma mensagem dele perguntando como estou… Salvei uma partezinha da conversa, só para mostrar um pouco o que senti:


(óbvio que não enviei)

 
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Eba! Finalmente aprontei mais uma das minhas peripércias aqui na Terra da Rainha e tenho algo de interessante para escrever nesse blog. Não é nenhum caso inédito de flerte com estranhos (ou será que é?), mas é uma história bem fofa que ainda não chegou ao seu final, assim espero.

Com a chegada do verão, rolam vários festivais aqui em Londres, e esses dias eu vi que ia ter algo aqui pertinho de casa, do lado de fora de um museu. Era free, então resolvi dar uma conferida com o Maikel mesmo sem entender exatamente do que se tratava. Chegando lá, reservamos nosso lugarzinho sentados na grama e abrimos uma latinha de cerveja. Na medida em que o povo ia chegando, ficava mais difícil conseguir guardar um lugar bom para ver a apresentação, e eu, como sempre, fiquei observando todo mundo a minha volta. Enquanto olhava para um lado e para o outro, reparei que tinha uma menina sentada meio que do meu lado, ouvindo música com um fone de ouvido e mexendo no celular de vez em quando. Ela estava sozinha, parecia estar esperando alguém. E enquanto eu observava as pessoas chegando, vira e mexe meu olhar se cruzava com o dela. Depois de umas 4 esbarradas de olhar, me dei conta de que ela também estava reparando em mim. Até aí ok, tudo rolava meio disfarçado.

De repente, em uma das minhas tentativas de disfarce para ver se ela estava olhando, trocamos o olhar mais longo de todos e eu acabei sorrindo no final, para não parecer que estava olhando por algum motivo ruim. E ela então me sorriu de volta. PRONTO! Eu sempre digo que sorrisos abrem portas… Depois disso eu não podia deixar a nossa história morrer. Resolvi caçar um recibo de supermercado na bolsa e escrever um bilhete, com aquela pergunta aleatória que é a minha preferida: o que você está ouvindo?

Depois de escrever o bilhete, comecei a sentir um frio na barriga que me impedia de entregar pra ela. O Maikel começou a me encher o saco falando que eu devia entregar logo, mas eu tanto enrolei que quando resolvi entregar um velho sentou bem entre nós duas. Ai merda! E agora? Será um sinal para não entregar? Não dei muitas chances para as incertezas, desvivei do velho e entreguei o papel e a caneta pra ela.

(ela olhou pra mim com cara de “o que é isso?!”)

(eu fiz uma mímica para ela entender que atrás do recibo havia um bilhete)

- Ah! – ela sorriu.

Depois de ler, ela me perguntou se o bilhete era meu ou do Maikel. Eu disse que meu, e ela sorriu de novo. Daí então começamos um bate papo por bilhete, mesmo com o velho entre nós. Ele ria e as vezes até pegava o bilhete e entregava pra outra, só pra dar aquela ajudinha esperta.


(do outro lado continuei: “…so if you want some company… :))

Daí ela acabou vindo sentar perto da gente e começamos a conversar. Gente, a menina era uma querida! Sabe quando o seu instinto acerta em cheio que uma pessoa vale a pena? Passamos o evento inteiro juntas e no fim trocamos telefones para nos encontrarmos de novo. Achei legal porque não tenho nenhuma amiga inglesa, e nunca tinha tentado isso de dar bilhetes para meninas. Ela foi uma graça e eu espero realmente que a gente se encontre de novo e em breve.

Ah! Sobre a banda que ela estava ouvindo, cheguei em casa e coloquei no Spotify para ouvir. Gostei tanto, mas tanto, mas tanto, que agora estou com mais vontade ainda de encontrá-la de novo. Sabe quando você se apaixona pela pessoa só pelo gosto musical? Então. Segue aqui uma playlist de algumas músicas, a banda chama Grimes (que na verdade não é uma banda, é uma cantora!). Enjoy!


 
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Taí mais um daqueles projetos incríveis que tem tudo a ver comigo e com certeza com vocês que lêem meu blog. Amores breves de esquina, metrô, escadas, shoppings, ônibus, faróis de trânsito: quem nunca teve, não é mesmo? E aquele arrependimento que nos assombra pelo resto do dia: “POR QUE EU NÃO DISSE ALGUMA COISA?”.

Bom, o “I Wish I Said Hello” fala exatamente sobre isso. Depois que você se apaixonou perdidamente por aquele desconhecido que passou por você na rua, invés de lidar com o arrependimento para o resto da vida, eles vão lá e colocam um adesivo com uma mensagem exatamente onde o amor aconteceu. Quem sabe a pessoa não passa por lá novamente e se dá conta de que você FEZ SIM alguma coisa depois daquele momento em que vocês cruzaram os olhares?


Super bem feitinhos e de um jeito muito sutil, os pins são colados, não importa em que superfície, mas sempre onde o avassalador e rápido momento aconteceu. No site eles colocam as fotos e ainda disponibilizam um mapa do Google Maps marcando exatamente onde estão os pontos onde eles aconteceram.

Ah! A melhor parte de todas é que você pode fazer o seu próprio adesivo e colar na sua cidade, na esperança de achar o seu amor breve de novo e fazê-lo se tornar um amor eterno. Eles disponibilizam o layout do adesivo e você só precisa personalizar com a sua hitória, daí imprime e sai colando pelas cidades. Então minha gente: nem tudo está perdido, ainda há esperanças!

Demais, não é? Não sei como não tive essa ideia antes. Teria um mapa IMENSO com vários pontos marcados em São Paulo e aqui em Londres também. Acho que vocês deviam tentar pois nada acontece se não dermos essas chances a sorte. :)

 
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Nessa vez que voltei pro Brasil pra tirar meu visto, andei dando uma arrumada em algumas caixas no meu quarto e acabei encontrando pequenos tesouros. Vocês lembram alguns posts que eu fiz aqui sobre meus que eu escrevia quando era mais nova? Se não lembram cliquem aqui e aqui.

Dessa vez o achado não foi um diário, e sim uma carta que escrevi pra mim mesma, daquelas pra guardar para a posterioridade. Na real eu acho que fazia parte do meu diário, que naquela época eu já chamava de “agenda” porque não era mais criança, e acabou não cabendo na data da agenda e eu resolvi terminar numa folha de papel que se perdeu entre as minhas tralhas. Que bom! Porque eu adoro achar essas coisinhas quando menos espero.

O meu primeiro beijo foi com 13 anos e não teve nada de especial. A única coisa que eu pensava enquanto ele estava me beijando era: “NÃO SOU MAIS BV! NÃO SOU MAIS BV! NÃO SOU MAIS BV!” – hahaha sério, eu odiava ser BV porque minhas amigas já tinham beijado e eu ainda não. E isso na época era super importante!

Clique na imagem para ler

Infelizmente ele não foi meu primeiro amor, e eu era tão tímida naquela época que acabei ficando um ano inteiro sem beijar de novo. O segundo beijo foi mais legal, com um menino que eu realmente gostava e eu lembro que até colei o chiclete que eu estava mascando no dia na minha agenda (ECA, eu sei!).

Acabei achando o telefone do tal do Bruno nas minhas coisas e liguei pra ele pra ver se o número ainda era dele! Não sabia muito o que ia falar, mas seria legal achar o primeiro cara que eu beijei no Facebook, afinal… Eu mal lembro da cara dele. Mas infelizmente atendeu um cara que não conhecia nenhum Bruno, então acho que nunca vou reencontrá-lo.

Achei engraçada a minha linguagem na carta. Sempre dou risada das coisas que escrevia quando mais nova… Segue aqui alguns high lights:

“Quando estávamos andando de bug vimos uns MINOS…”
(esse nem preciso comentar…)

“FICHA: [_] Feio [X] Bonito [X] Gostoso”
(qual seria meu conceito de “gostoso” quando eu tinha 13 anos?!)

“Ñ vou fazer nada que vc ñ queira!”
(essa foi a primeira vez DE MUITAS que um cara me falou isso na vida, mas naquela época eu super acreditei e achei linda a atitude… Ahhh… Os meus 13 anos…)

“…mas eu tava com tando medo que acabei não dando (o 2º beijo)”
(gente, até hoje eu me arrependo de não ter dado esse outro beijo. Como assim eu podia ser tão tímida naquela época, né? Tinha beijado o muleque no dia anterior e fiquei com vergonha de beijar de novo!)

O meu maior medo quando tinha 13 anos era de beijar um menino e ele falar que eu beijava mal. Lembro até que tinha um cara da minha escola que era mó bonito e popularzinho, que queria me beijar e eu também super queria mas não tinha coragem. Um dia cheguei até a sonhar que a gente beijou e ele saiu espalhando pra escola inteira que eu beijava mal. Mas pensando agora, 12 anos depois, acho que mandei muito bem no meu primeiro beijo porque eu costumava treinar muito! Beijava a parede, meu joelho, o espelho, umas bonecas… Até aquele truque da laranja e o de tentar pegar o gelo com a língua num copo d’água eu tentei.

Então meus amigos, se vocês estão nessa fase de dar o primeiro beijo, minha melhor dica é: RELAX! Mesmo se não for a melhor experiência do mundo, o tempo deixa a gente bem craque nisso! ;)

 
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Sabe o que você deveria fazer? Parar de reclamar que a sua vida é sem graça. Se você não permitir que novas situações aconteçam para deixar seus dias mais interessantes, sua vida vai continuar sendo chata e monótona como sempre. Mas calma, isso não é uma bronca. É só uma coisa que eu penso e sei, por experiência própria, que a gente pode mudar.

Esses dias estava subindo as escadas da estação Canada Water, que fica perto da minha casa aqui em Londres, quando vi um post-it no chão com algo escrito. Muitos de vocês sabem que adoro bilhetes e saber um pouquinho mais da vida de estranhos sempre me fascinou, então pegar bilhetes que vejo no chão é uma das minhas especialidades. Mas acho que as pessoas aqui em Londres não escrevem muito bilhetes porque vejo muito lixo nas ruas e estações de metrô, mas bilhetes que é bom, NADA. Então, não perdi a oportunidade e logo peguei aquele papelzinho amarelo dobrado e sujo que foi esquecido ou jogado nos degraus daquela fria escada de metrô.

Quando li o bilhete, por um momento achei que estava no Brasil. Podia me imaginar lendo o bilhete na escada do metrô Vila Madalena, que é o mais perto da minha casa em São Paulo. Mas OPA! Eu estou em Londres! Como assim o bilhete está escrito em português?

Pois é meus amigos… Em 3 meses morando em Londres, o primeiro bilhete que eu pego no chão é uma listinha de supermercado escrita em português. Dá pra acreditar? Isso mudou totalmente meu dia. Comecei a pensar sobre os acasos da vida, destino, estrangeiros, estudantes fazendo intercâmbio… E então imaginei a menina que tinha escrito aquela delicada listinha. Será que ela tinha acabado de chegar em Londres, por isso precisava comprar roupas de frio, aparelho de ginástica e pijama? Será que ela estava de regime ou seria simplesmente uma apreciadora de vegetais? Acho que ela é estudante. Mas não consigo imaginar o que exatamente ela está estudando.

De certa forma me identifiquei com a menina do bilhete e senti vontade de conhecê-la pessoalmente, já que a gente falava a mesma língua e ela teria muitas coisas legais para compartilhar comigo sobre a viagem. A melhor parte é que a gente poderia ir uma na casa da outra sem ter que pegar metrô, pois provavelmente ela morava no mesmo bairro que eu e fazia compras no mesmo supermercado. Inclusive, a gente poderia marcar encontros para fazer as compras do mês juntas! E quando ela estivesse doente eu poderia pegar a listinha dela e fazer as compras pra ela, já que nos tornaríamos melhores amigas para toda a vida.

 

 
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