No post anterior, disse que quando acabou minha conversa com o cara do metrô peguei um desenho que já tinha começado e continuei desenhando. Um papel bem sujo, de graxa especificamente, que um dia usei para limpar uma parte da minha bolsa que havia sujado no ônibus. É uma criatura. Eu adoro desenhar criaturas. E aquele papel todo sujo e amassado pedia uma criaturinha nele. Na empolgação de falar com pessoas, resolvi ver o que elas pensariam ao ver meu desenho.

Já na rua, voltando pra casa, vinham vindo três caras tipo aqueles arrumadinhos indo pra balada na Vila Olímpia, sabe? Cheirosos, até me pareicam talvez…Gays. Mas enfim…Não pensei duas vezes e quando eles passaram ao meu lado eu disse: ‘Meninos, queria saber o que vcs acham do meu desenho.’ [e mostrei o pequeno papel nojentinho]. Um deles disse: ‘ah, tem que ver na luz…’ me puxando pra uma parte na calçada onde era mais iluminada pelo poste. Depois de um tempo olhando, um deles, com uma cara de entendedor de arte disse: ‘Olha..acho que a gente tem que sentir a áurea do desenho sabe? Pra saber como é a pessoa q desenhou ele’ e eu: ‘..poxa, então vc vai dizer que eu sou suja como meu desenho?’…Eles começaram a rir e tentar se explicar daí eu agradeci, dei uma risadinha e continuei indo pra casa.

Um pouco mais pra frente vinha um menino com um cachorro. Ele devia ter uns 17 anos. O parei e disse: Oi, oq vc acha do meu desenho?’depois de um tempo olhando ele respondeu: Olha..eu acho que ele parece com aquele…’bombo esponja’, sabe?‘ eu: ‘Ahhh sei, o BOB esponja?’ e ele: ‘Sim…É o bombo esponja mesmo?! Eu acertei?!’ e eu: ‘Não. mas obrigada mesmo assim! tchau!’. Foi engraçado. As pessoas são engraçadas.

Daí, chegando em casa perguntei pra um amigo no msn o que ele achava e mandei o desenho. Claro, ele teve tempo de pensar numa resposta legal, fazer uma profunda análise e me falar isso:

‘Eu imaginei que ele fosse um amigo imaginário, como os da Mansão Foster para Amigos Imaginários.
O nome dele deve ser ‘Spitzel’ ou coisa parecida, e aposto que ele tem sotaque russo (tipo vilão de filme do 007). Ele é super peludinho mas faz a barba dia sim, dia não. E pela cara dele, seu melhor amigo deve ser um pinguim que só fala mimimimimi’

Legal né? E você, o que acha do meu desenho?

fim.

 
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Sempre tive vontade de fazer um blog para traduzir em palavras alguns pensamentos que eu acho que só se passam pela minha cabeça. [ou não] Mas vamos lá.

Hoje, depois da facul, voltei pra casa de metrô.
Chegando na plataforma, reparei que 3 pessoas que estavam ao meu lado ouviam música com um fone de ouvido e mal se olhavam.Daí, um desses 3, por ter um jeitinho mais descolado me fez pensar algo que geralmente penso: o que será que ele está ouvindo nesse fone?

Tive a idéia de pegar um papel na bolsa, sentar do lado dele e ‘conversar’ mas sem parecer invasiva. A porta do metrô parou bem na minha frente. Esperei ele entrar e o segui até o banco.
Assim que sentamos, eu já estava com papel e caneta na mão [um papel que por sinal era uma nota fiscal que tinha perdida na minha bolsa.]. Daí, antes de eu terminar de escrever, vi que o cara pegou um caderninho e um lápis vermelho e começou a desenhar. Nossa, que legal, ele realmente tinha a ver comigo – pensei. Escrevi o bilhetinho e dei pra ele, assim, sem olhar nos olhos – para não se tornar algo muito íntimo. Ele olhou e pegou logo em seguida meio instigado. Entendendo minha proposta, conversamos:

(clique na imagem para ampliá-la)

Terminamos antes da estação Sumaré. Mas acho que pela falta de contato visual durante a conversa, não ficou uma situação constrangedora. Ele continuou fazendo seus desenhos no caderninho com seu lápis vermelho e eu peguei um papelzinho cheio de graxa que tinha usado para limpar minha bolsa um dia e continuei o desenho que já tinha começado nele…

Quando chegou na estação que ele ia descer, eu me afastei pro lado para ele sair, e saindo, ele disse: Tchau [com um sorriso]. Eu fiz o mesmo.
Uma breve amizade, simpática e acolhedora que durou mais ou menos uns 15 minutos e acabou assim, em segundos – pra nunca mais voltar.

Fim.

 
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