Essa é a continuação de uma linda história que começou em outro post, se você não leu, clique aqui e leia. Ah! Pra dar mais sentimento, dê play para ouvir esse cara enquanto lê a continuação da história:

Eu tinha gostado muito muito muito de você e daquela noite. No dia seguinte só conseguia pensar no quanto eu amava Londres e deveria estar morando ali. Você me trouxe todos os sentimentos bons e sonhos que eu tinha deixado de lado quando voltei pro Brasil, e isso era incrível. Londres é realmente a cidade da minha vida e onde toda a magia acontece. Eu já estava feliz e satisfeita por ter tido uma noite deliciosa, daí você me mandou mensagem dizendo que queria me ver de novo. Eu ainda tinha uns dias na cidade e pensei, por que não? Sou dessas que acho que quando a gente está viajando não deve se privar de nada, então topei o seu convite e fui passar a sexta-feira de ressaca vendo filme na sua casa. A gente pediu comida, ficou juntinhos no sofá vendo tv… E aquilo parecia tão certo, fazia tanto sentido. Minha mente foi longe imaginando como seria minha vida se eu morasse ali e tivesse você como namorado (eu sei, eu sempre faço isso e também acho ridículo, mas e daí?! rs). Para “piorar”, mais tarde descobri que o seu gosto musical era parecido com o meu. Você ganhou ainda mais meu coração colocando Keaton Henson pra tocar. Era como se aquele filme lindo da nossa breve vida juntos tivesse ganhado a trilha sonora mais bonita de todas. O foda é que as músicas eram tristes, e era impossível não pensar no fato de que aquilo tudo ia acabar em poucos dias.

Daí você me chamou pra passar a próxima noite com você. E a outra, e a outra. Então eu cancelei minhas noites solitárias no hostel e me mudei pra sua casa. Que rápidos, né? Todo mundo deve estar pensando. Mas pra mim, todas essas paixões avassaladoras e inconsequentes foram as que mais valeram a pena até hoje. Fui sem medo de ser feliz. E… Cacete, como a gente foi feliz em tão poucos dias?! Ao mesmo tempo que eu tinha medo de estar me envolvendo tanto com uma pessoa que não tinha a menor chance de ver de novo no futuro, não me privei de sentir nem um pinguinho de sentimento. Aliás, não acho que eu seja dessas pessoas que consegue se privar de SENTIR. Eu sempre vou até o fundo porque se apaixonar e curtir alguém novo é uma das melhores coisas dessa vida. Confesso que me preocupei um pouco com a intensidade das coisas, principalmente pela vida que eu levava fora daquela realidade de viagem. Mas escolhi não me privar de nada, e no fim descobri que essa foi a melhor escolha que poderia ter feito, já que minha realidade desmoronou depois de poucos dias que te deixei em Londres para ir passar uns dias em Berlim. Ter seguido meus instintos e vivido os sentimentos ao máximo foi a melhor escolha que eu poderia ter feito durante a minha viagem inteira.

Berlim foi, pela segunda vez, uma cidade dura. Eu queria ter ficado com você, os dias estavam cinzas e frios. E daí aconteceu aquela coisa que me fez sentir ainda mais sem chão. Mas você continuou ali, falando comigo todos os dias e se fazendo presente e aumentando ainda mais tudo que eu sentia por você. Não havia a menor chance da gente conseguir se ver de novo, mas eu estava tão apegada que não me importei de fazer os sentimentos se aflorarem cada vez mais. Pra onde a gente tava indo? Eu não fazia a menor ideia, só sabia que você me fazia bem e eu não queria parar. Daí veio Copenhagen, que foi uma viagem mais feliz. Eu reaprendi a curtir meus momentos sozinha e me fiz mais forte para poder voltar pra minha realidade no Brasil. Mas você, de certa forma, agora fazia parte dessa realidade, e continuava lá firme e forte, me lembrando o quanto gostava de mim e sentia saudade. Juro que eu não imaginava que fôssemos tão longe assim.

Agora estou aqui em São Paulo e já faz mais de um mês que nos conhecemos. Aliás, logo menos completaremos dois meses juntos (!), quem diria, hein? Eu, que acreditava que o único caminho era ter relacionamentos abertos e condenava muito os relacionamentos à distância, estou aqui: num relacionamento monogâmico com uma pessoa que mora em outro continente. Paguei minha língua, minha mente, meu corpo inteiro. A gente realmente não tem como prever o futuro. Não vou dizer que está sendo fácil, ninguém disse que seria, né? Mas a cada dia isso tudo parece mais certo, mais “meant to be”. E quer saber? Por mais loucura que tudo isso possa parecer ou ser, de fato, eu não me importo. Se não der certo, vou continuar tendo tudo que tenho hoje: minha vida, meu emprego, minha família e… A vontade de ser feliz. Aliás, a tal vontade de ser feliz acho que nunca vou perder, e é por isso que acabo me metendo em situações loucas como essa. A gente tem mesmo é que correr atrás da nossa felicidade e, se a tentativa não der certo, não deu. A gente vai lá, levanta e começa tudo de novo. Afinal… Continuar tentando só pode me trazer coisas boas, assim como quando a vida me trouxe você.

 
19
Compartilhe esse post:

Eu já estava um pouco de saco cheio de usar o Tinder em Londres. Váááários caras gatos mas nenhum papo interessante – isso quando eles me respondiam, né? Lembro que ficava tirando print da tela só para guardar aqueles rostinhos bonitos, mas como ia embora em menos de uma semana, tentar insistir em encontros não me parecia tão tentador. Lembro que só dei like seu perfil dele porque, além de bonitinho, você parecia ser diferente. Aquela foto sua todo quebrado na cadeira de rodas parecia meio debochada, então achei que talvez pudesse ser um cara interessante. Mesmo assim, não esperava nada. Ainda bem que você pediu para irmos pro Whatsapp e insistiu para que nos encontrássemos. Se não fosse isso, eu não teria tentado nada. E, bom… Já que era meu primeiro dia sozinha na viagem e eu realmente não tinha nada melhor pra fazer, sair com um cara local pra uma cerveja me pareceu a melhor opção. Nunca fui fã de curtir a noite sozinha e em Londres os caras só pensam em beber. Olhar/falar/interagir com mulheres é a última coisa que se passa na cabeça deles, rs.

Enquanto te esperava no bar, começou a bater aquele pânico que sempre tenho – e odeio – antes dos primeiros encontros. Um frio na barriga péssimo, que me fazia querer acabar logo com aquele começo da noite e pular para a parte onde já estivéssemos íntimos um do outro. Não sabia se você era legal, se a gente gostava das mesmas coisas… Se você teria o humor inglês que é tão diferente do humor do meu país. Será que meu inglês está enferrujado? Será que ele vai gostar de mim? Será que ele é alto? Baixo? Chato? Daí você chegou. Eu tinha achado uma exposição de arte hipster bem em frente ao meu hostel, e te convidei pra ir comigo dar uma olhada. Hummm… Pelo jeito você não era muito ligado em arte, né? Ok, vamos sair daqui e tomar logo uma cerveja.

Minha primeira impressão foi que você era um cara muito engraçado. Mas muito engraçado mesmo. Até demais. Achei que a noite seria meio chata porque você fazia muitas piadas e uma hora ou outra eu ia ficar entediada. Também achei engraçado o fato de você ter aqueles dentinhos tortos que muitos ingleses tem. Era um pacote completo: inglesinho, loiro – ou meio ruivo, como você gosta de dizer que é – e dentinhos zuados. Conversa vai conversa vem, comecei a te achar legal. O fato de você ser engraçadão parou de me incomodar e eu comecei a rir genuinamente das suas piadas. Você me ganhou quando começamos a falar sobre o quão chato era sair para primeiros encontros. Os papinhos, o doce que normalmente as meninas fazem… Lembro de você me contando que elas te perguntavam coisas sem noção, ficavam com vergonha de falar sobre certos assuntos e nada parecia natural. Ouso dizer que, apesar do mal estar sempre presente em primeiros encontros, com a gente foi natural desde o começo, né? Eu tenho esse medinho antes de encontrar o cara mas ele termina no exato momento em que o encontro. Acho isso incrível!

Daí fomos pra balada, você tentou me beijar… E eu com essa mania de querer que todos os primeiros beijos sejam perfeitos, recusei, porque aquela não era a hora de dar o primeiro beijo (ainda). Acho que você não entendeu nada, né? Mas a espera valeu a pena. Foi tudo tão gostoso. E eu nunca vou esquecer da gente saindo daquele pub com você enfiando dois pints enormes na cueca por minha causa! hahaha.

[continua aqui...]

 
7
Compartilhe esse post:

Que eu fui pra Londres me perder pra me achar, todo mundo já sabe. Que eu me mudei pra Holanda com o meu namorado, alguns se deram conta. Mas que eu acabei de voltar pro Brasil, e minha vida vai ter que recomeçar do zero, nem todo mundo viu. Agora chegou a hora de encarar.

Skinny Love by Birdy on Grooveshark

Tomar essa decisão foi muito difícil. Eu e o Maikel fizemos de tudo para ficarmos juntos, até a possibilidade de casar era existente. Mas no final, vimos que o amor nem sempre é o suficiente para manter as pessoas juntas. A nossa vida é feita de escolhas, e nós tínhamos feito escolhas diferentes. Não foi por falta de tentativa, a gente até tentou fazer dar certo. Mas as escolhas que fizemos, simplesmente não poderiam existir juntas. Só a gente sabe a dor que é ter que terminar um relacionamento onde os dois se amam e não querem se separar. Todos as conquistas, todos os planos, ainda existem e cabe a nós aceitar que eles não podem mais existir. Quanto a isso, estamos trabalhando para superar. Eu sempre soube que não seria fácil…

Ontem, vindo pra casa do aeroporto, eu olhei São Paulo com outros olhos. Aquelas ruas, que eu tanto conhecia e que me faziam sentir em casa, já não eram mais as mesmas. Aqui não é a minha casa. Não é onde a minha felicidade está. Mas onde é que ela está então? Eu morei em Londres por 1 ano, e lembrando do meu cantinho lá, não consigo mais sentir que lá é a minha casa. Talvez nunca tenha sido. Daí comecei a pensar na casa do Maikel na Holanda, onde eu morei por apenas 3 meses, mas acho que é o mais próximo do sentimento de lar que eu tenho agora. Não pela casa em si, mas sim porque é onde o meu amor está. A merda é que agora não estou mais lá, e deitada na minha própria cama, não consigo me sentir feliz.

Sinto que estou totalmente perdida, vazia. Cheia de boas lembranças, que me machucam agora por  lembrarem do que eu não tenho mais. Olho para os meus livros, os objetos de decoração do meu quarto e penso que poderia viver sem tudo isso. Eu poderia ir embora e começar outra vida, sozinha, do zero. Mas ao mesmo tempo tenho 3 malas para desfazer, cheias de fragmentos da vida que eu não pude ter. E como isso dói… Tenho que arranjar espaço dentro do meu passado, para colocar as coisas do meu futuro que não existiu. Ou do meu feliz presente, que teve que acabar tão bruscamente. Anyway, a dor ainda é a mesma. E é indescritível.

Eu cheguei, mas não quero ver ninguém. É como se eu não estivesse aqui, porque não quero estar aqui. Eu sentia saudades de todos, mas agora que estou aqui é como se eu quisesse continuar longe. Dá pra entender isso? Também é estranho pra mim.

Me perdi em Londres pra me achar, mas agora sinto que voltei mais perdida ainda. Não sei nem onde é minha casa, ou o lugar que me deixa feliz. Acho que preciso processar tudo que está acontecendo, dar tempo ao tempo e ir me achando aos poucos. Enquanto isso, vou buscar ânimo para recolher os cacos de mim mesma que estão espalhados pelo chão.

 
54
Compartilhe esse post:

Bom, até agora estou há mais de 1 ano morando em Londres e, como muitos de vocês já sabem, vim pra cá porque dei uma pausa na minha vida profissional e pessoal, já que ambas não andavam me trazendo lá muitas alegrias. “Vou me perder pra me achar”, era o que eu sempre dizia. Mas afinal… O que eu realmente achei?

É engraçado como uma viagem dessas pode mudar as pessoas de tantos jeitos diferentes. Eu achei que fosse me encontrar aqui, ter certeza do que quero pra minha carreira, talvez saber mais sobre a vida e voltar pro Brasil super certa do que iria fazer. Tanta coisa maluca aconteceu, que agora estou me mudando pra Holanda e não faço a menor ideia de quando e SE volto pro Brasil (assim, pra valer). Quando eu menos esperava, conheci meu namorado e, como num passe de mágica, a gente se apaixonou. Sabe aquela relação que já começa sem erros e enganações? Totalmente sincera e do bem? Acho que a maioria dos meus relacionamentos que começaram assim, deram certo. O resto foi tudo ilusão, daquelas que a gente conhece o cara, acha que é a pessoa da nossa vida mas um mês depois já nem lembra que existe ou quer que o cara role escada abaixo. Bom… Vocês que acompanham meu blog há tempos sabem, melhor do que ninguém, sobre meus amores platônicos, pés na bunda e trapalhadas no amor, né?

Hoje em dia troco mensagens com os poucos amigos que me restaram, ou, melhor dizendo, os poucos amigos que eu quis que restassem. Uma das mudanças que essa viagem fez na minha vida foi: nem metade das pessoas que eu considerava amigos, eram realmente dignos da minha amizade. Minha lista de amigos reduziu para menos da metade, e eu sou muito mais feliz assim, obrigada. Menos gente pra me preocupar, menos gente pra dizer: “estou com saudades”, quando na verdade isso estaria saindo só da boca pra fora.

Ainda não faço a menor ideia do que quero pra minha carreira, mas fiquei feliz em perceber que sou capaz de me bancar. Londres é uma cidade MUITO cara pra morar, e eu consegui pagar tudo com a minha grana, ás vezes me ferrando com freelas mas ainda sim com muito orgulho e cabeça erguida. Claro que se eu precisasse de alguma ajuda, meus pais poderiam fazer um esforço. Mas o fato de que consegui por mérito próprio até agora, ah… Isso ninguém paga!

Uma coisa que descobri, e que acho que é bem comum quando as pessoas saem de casa, foi que: eu super me dou bem na cozinha! Nunca achei que tivesse o dom, mas a verdade é que eu só não cozinhava no Brasil porque tinha preguiça de lavar a louça, e sempre tinha alguém que o fizesse por mim. É… Assim fica muito fácil, né? Mas mesmo sem saber, fui começando de pouquinho em pouquinho, um arroz, um risotto, comecei a gostar de legumes, azeitonas, queijos, pratos mais elaborados… Até que consegui cozinhar quase uma ceia inteira de natal quando a minha família veio pra cá no final do ano. Essa pra mim foi a maior prova… Depois disso eu pensei: pronto, agora já posso ter uma família, pois tenho certeza que meus filhos não morrerão de fome e eu não vou fazer feio! hahaha

Eu, que nunca tinha saído da casa de mamãe, me vejo agora morando há um ano com um namorado EM UM QUARTO. Achei necessário o uso da caixa alta nessa situação, pois faz toda a diferença morar “num quarto” ao invés de “numa casa”. Bom, moramos numa casa, e dividimos a cozinha com outras pessoas. Mas o nosso lar mesmo, do nosso jeitinho e com o nosso cheirinho, é o nosso quarto. Nossa sala de tv é a nossa cama, e o nosso banheiro também faz parte do quarto. Tudo aqui dentro, sem a menor privacidade e vergonha na cara. Aprendemos a conviver do jeito mais unido possível, mas isso nem sempre é bonito. Quando brigamos, não temos uma sala pra ir espairecer ou um outro quarto pra esperar a poeira baixar. Temos a nossa cama e uma cadeira, que fica ao lado da cama. Então não tem como fugir do mau humor, não tem como passar aquele tempo sozinho… Acho que é até por isso que o volume de posts aqui no blog diminuiu MUITO. A gente ta sempre juntos e eu não consigo me concentrar em uma coisa só, porque ele ta sempre pedindo atenção ou vice e versa.

Enfim, a minha experiência aqui tem sido maravilhosa. Já me sinto em casa: tenho amigos me ligando pra sair toda hora, minhas baladas preferidas, um lugar onde o sol entra pela janela, onde eu me sinto segura e feliz… E um amor, que é um dos maiores motivos pelo qual eu ainda estou aqui. Mas ao mesmo tempo, isso que estou vivendo, não é a realidade. Ser uma estrangeira em um país onde não se tem direito nem de trabalhar, não é nada fácil. Nem se eu fosse rica, e pudesse ficar aqui pra sempre, acho que não aguentaria. Cansei dos freelas que fico fazendo de casa pra pagar minhas contas. Cansei de não ter uma rotina, de não ter que acordar cedo todos os dias para ir pro trabalho… Engraçado que esses dias coloquei isso no Twitter e todo mundo achou um absurdo, mas é a mais pura verdade. Eu sinto falta de trabalhar, sinto falta de ter colegas de trabalho, de ver a minha carreira crescer e de ter um objetivo maior para que eu possa sempre querer mais, mais e mais.A vida aqui ta legal, mas sinto que ainda preciso colocar os pés no chão, sabe?

Confesso que estou bem ansiosa para o meu novo recomeço. Em menos de 2 semanas, vou me mudar de país, aprender uma outra língua e finalmente poder começar uma vida nova e mais “normal”. Novos amigos, novos tipos de comida, novas paisagens e uma nova cultura. Já tenho meus objetivos quando chegar lá e provavelmente vou escrever bastante sobre isso aqui, então espero que vocês embarquem comigo nessa nova aventura!

 
33
Compartilhe esse post:

Eba! Finalmente aprontei mais uma das minhas peripércias aqui na Terra da Rainha e tenho algo de interessante para escrever nesse blog. Não é nenhum caso inédito de flerte com estranhos (ou será que é?), mas é uma história bem fofa que ainda não chegou ao seu final, assim espero.

Com a chegada do verão, rolam vários festivais aqui em Londres, e esses dias eu vi que ia ter algo aqui pertinho de casa, do lado de fora de um museu. Era free, então resolvi dar uma conferida com o Maikel mesmo sem entender exatamente do que se tratava. Chegando lá, reservamos nosso lugarzinho sentados na grama e abrimos uma latinha de cerveja. Na medida em que o povo ia chegando, ficava mais difícil conseguir guardar um lugar bom para ver a apresentação, e eu, como sempre, fiquei observando todo mundo a minha volta. Enquanto olhava para um lado e para o outro, reparei que tinha uma menina sentada meio que do meu lado, ouvindo música com um fone de ouvido e mexendo no celular de vez em quando. Ela estava sozinha, parecia estar esperando alguém. E enquanto eu observava as pessoas chegando, vira e mexe meu olhar se cruzava com o dela. Depois de umas 4 esbarradas de olhar, me dei conta de que ela também estava reparando em mim. Até aí ok, tudo rolava meio disfarçado.

De repente, em uma das minhas tentativas de disfarce para ver se ela estava olhando, trocamos o olhar mais longo de todos e eu acabei sorrindo no final, para não parecer que estava olhando por algum motivo ruim. E ela então me sorriu de volta. PRONTO! Eu sempre digo que sorrisos abrem portas… Depois disso eu não podia deixar a nossa história morrer. Resolvi caçar um recibo de supermercado na bolsa e escrever um bilhete, com aquela pergunta aleatória que é a minha preferida: o que você está ouvindo?

Depois de escrever o bilhete, comecei a sentir um frio na barriga que me impedia de entregar pra ela. O Maikel começou a me encher o saco falando que eu devia entregar logo, mas eu tanto enrolei que quando resolvi entregar um velho sentou bem entre nós duas. Ai merda! E agora? Será um sinal para não entregar? Não dei muitas chances para as incertezas, desvivei do velho e entreguei o papel e a caneta pra ela.

(ela olhou pra mim com cara de “o que é isso?!”)

(eu fiz uma mímica para ela entender que atrás do recibo havia um bilhete)

- Ah! – ela sorriu.

Depois de ler, ela me perguntou se o bilhete era meu ou do Maikel. Eu disse que meu, e ela sorriu de novo. Daí então começamos um bate papo por bilhete, mesmo com o velho entre nós. Ele ria e as vezes até pegava o bilhete e entregava pra outra, só pra dar aquela ajudinha esperta.


(do outro lado continuei: “…so if you want some company… :))

Daí ela acabou vindo sentar perto da gente e começamos a conversar. Gente, a menina era uma querida! Sabe quando o seu instinto acerta em cheio que uma pessoa vale a pena? Passamos o evento inteiro juntas e no fim trocamos telefones para nos encontrarmos de novo. Achei legal porque não tenho nenhuma amiga inglesa, e nunca tinha tentado isso de dar bilhetes para meninas. Ela foi uma graça e eu espero realmente que a gente se encontre de novo e em breve.

Ah! Sobre a banda que ela estava ouvindo, cheguei em casa e coloquei no Spotify para ouvir. Gostei tanto, mas tanto, mas tanto, que agora estou com mais vontade ainda de encontrá-la de novo. Sabe quando você se apaixona pela pessoa só pelo gosto musical? Então. Segue aqui uma playlist de algumas músicas, a banda chama Grimes (que na verdade não é uma banda, é uma cantora!). Enjoy!


 
17
Compartilhe esse post:

Estou prestes a completar meu segundo mês longe do meu namorado. E só quem já passou por isso sabe o quanto é difícil manter um relacionamento a distância. No nosso caso, está mais fácil de aguentar pois eu consegui meu visto para ficar mais 6 meses no Reino Unido e estou indo pra lá em 1 semana. Mas este será só o nosso segundo começo, e eu nem consigo imaginar quantos ainda teremos pela frente.

Desde que nos conhecemos e a coisa foi ficando séria, sempre soubemos que nosso relacionamento tinha prazo de validade e pensávamos: “Vamos viver um dia de cada vez, dar valor ao agora e deixar o futuro para frente.” o famoso “depois a gente pensa nisso.”. Acho que todo relacionamento a distância parte desse princípio, pois a gente sempre acha que vai dar um jeito. Mas isso não quer dizer que vá ser fácil, então a gente só fica adiando esse dia, até que ele chegue de fato. E quando se trata de continentes diferentes, a coisa fica muito mais complicada. Quem é que vai deixar tudo pra trás pra ficar com o outro? Vamos nos casar? Isso não é muito sério? Vamos morar onde, como, quando? É muita coisa em jogo. Família, dinheiro, carreira, dinheiro, amor, dinheiro, amigos… Falo muito em dinheiro pois hoje em dia acho que esse é um dos nossos maiores problemas. Afinal, seria super fácil poder viajar toda hora para a Europa para poder vê-lo quando eu quisesse. Ou pagar um curso incrível numa universidade de lá para estudar por bastante tempo, ou simplesmente morar lá com ele sem precisar gastar nada. Mas infelizmente essa não é a nossa realidade. O visto que consegui apenas para 6 meses já me custou 1 mês de trabalho fora todas as despezas de curso e custo de vida de lá. E ao mesmo tempo que isso está se encaminhando, eu tenho que conseguir um jeito de ganhar dinheiro sem ter permissão para trabalhar no Reino Unido, ou seja: minha carreira está parada, estou vivendo de freelas e me matando para conseguir morar em outro país. Mas isso ainda se encaixa no “depois a gente pensa nisso”. Estamos fazendo pouquinho por pouquinho, arranjando maneiras para ficar juntos, mas sempre pensando que vai chegar um dia que isso tudo vai ter que acabar e vamos ter que tomar decisões mais sérias. Essas decisões são tão sérias, que arrisco a dizer que são as mais difíceis que já tive que fazer na minha vida, mesmo sem nem ter feito ainda.

Daí estava eu neste domingo em casa solitária, quando achei um filme que talvez tivesse tudo a ver com a nossa história. Comecei a chorar logo nas primeiras cenas pois já sabia que aquilo tudo ia mexer muito comigo. E COMO mexeu. Como é incrível assistir um filme que retrata exatamente o que estamos vivendo no momento, não é? Acho que posso dizer que chorei em 80% do filme, mas talvez o fato de que estou na TPM também tenha que ser levado em consideração.

A história é de um casal que se conhece nos EUA. Ele é de lá e ela é do Reino Unido. Aliás, essa parte dela ser inglesa foi incrível porque tem cenas deles em Londres e imagina como eu não fiquei nostálgica né? Mas no geral, é um filme inteiro meio triste. Claro que não vou contar o final, mas confesso que me deixou um pouco perturbada. Tenho tanto medo do nosso futuro e de pra onde tudo isso pode ir. Quanto mais vivemos juntos, mais nos envolvemos e criamos laços. Tenho muito medo disso ter que acabar um dia e sofrer muito, mas esse medo nunca me impediria de fazer nada agora. A medida que o tempo vai passando e as dificuldades vão surgindo, o relacionamento vai ficando desgastado mas o amor sempre prevalece. Não sei se ele será o suficiente, mas se for… O que acontecerá quando chegarmos no topo da montanha? Essas são apenas algumas das dúvidas que se passam pela minha cabeça atualmente.

Bom, assistam o trailer e sintam um pouco da sensibilidade do filme:

Em vários momentos eu me vi ali, no lugar da personagem. Os silêncios, os espaços vazios, a falta que faz sentir o cheiro da pessoa ou o quanto é difícil conseguir conciliar os horários para podermos ter uma simples conversa por telefone! É realmente angustiante. Porque depois que achamos essa pessoa, várias coisas que antes fazíamos sozinhos não fazem mais sentido, só fazem sentido se for com o outro. Os momentos, as risadas, o toque da pele e o primeiro olhar ao acordar juntos de manhã… Como o amor pode ser tão bom mas tão dolorido ao mesmo tempo?

Quem quiser baixar, aqui está o link pro Torrent que eu usei e aqui a legenda. Espero que gostem! Depois venham me contar o que acharam do filme! ;)

 
47
Compartilhe esse post:

Tem vezes que chego a conclusão de que viver na nossa geração é bem mais difícil do que era antigamente. Essa história toda de geração Y, muitas opções, a gente ta sempre meio perdido sem saber o que escolher… É tudo verdade, mas não só profissionalmente falando. Tenho a impressão de que pra gente tudo é sempre muito difícil e rodeado de dúvidas, mesmo depois que a gente escolhe. Não sei se a cidade onde moramos também interfere, porque ser de cidade grande acaba deixando a gente um pouquinho mais louco. Quando comecei a ter que escolher coisas do tipo: que faculdade vou fazer, qual curso, com que quero trabalhar, etc., eu me deparei com tantas respostas ao mesmo tempo, que mesmo depois de formada me vejo na maior crise profissional da história. Mas enfim… Isso não tem nada a ver com o assunto do post.

O problema é que essas dúvidas também aparecem no amor. Quando você acha alguém que tem bem a ver com você, começa a construír algo e ta tudo indo lindamente bem, a vida começa a colocar algumas situações no nosso caminho que fazem a gente pensar: “E SE?”. Dá vontade de bater nesse pensamento, não dá? Porque a gente não deveria complicar tanto as coisas, mas acontece. Começamos a imaginar novas possibilidades, como tudo seria se a gente não estivesse vivendo aquilo… E é aí que as dúvidas sobre o relacionamento começam. Tudo que você amava fazer antes já não tem mais tanta graça. Você conhece gente nova, vê novas possibilidades, mas ao mesmo tempo se sente preso em algo que costumava te fazer bem. E ainda faz bem, na real, mas a gente enche nossa cabeça de caraminholas e já não tem mais tanta certeza de nada.

Como resolver um relacionamento quando as dúvidas aparecem? Será que vale a pena correr o risco de dar aquele tempo para depois ver que era aquilo mesmo que você queria? Mas daí a outra pessoa pode encontrar outros caminhos e vocês se perdem pra sempre. Por outro lado, vale a pena continuar uma relação quando existe a dúvida?

Tenho um pouco de medo de ser sempre encantada pelo novo. Mas uma das melhores coisas que já me aconteceu foi ficar alguns anos sozinha. Eu me conheci, vi como funcionava a vida de solteiro e anotei todos os prós e contras. Tudo era sempre novo, porém efêmero. E isso chega uma hora que cansa. Então hoje em dia eu tento, no meu relacionamento, viver essa coisa do novo mesmo estando com ele. Mas o medo da dúvida chegar ta sempre me rodeando. A gente não controla, simplesmente acontece. “E SE…?”

Ps. esse vídeo que coloquei no post foi a inspiração para escrever sobre o assunto. Ele traduz totalmente o que eu quero dizer e temo. Fora isso, ele foi gravado em Brick Lane, a minha rua preferida em Londres. Então foi bem bacana ver o vídeo reconhecendo os lugares e me sentindo muito mais próxima da história. Espero que gostem!

 
37
Compartilhe esse post:

Engraçado como as pessoas e as conversas vem em horas que a gente mais precisa, né? Eu realmente amei todos os comentários e conselhos que vocês me deram no post anterior. De verdade. Me ajudou a clarear as ideias e ver o que realmente importa. Talvez eu só tenha tido mais certeza do que estava pensando, mas ler a opinião de outras pessoas que vêem a história de fora, ajuda muito a dar mais coragem para tomarmos nossas decisões. Eu ainda não estou 100% certa do que será o meu futuro, mas com certeza estou me sentindo menos insegura agora.

O Maikel passou uma semana na Holanda e voltou esses dias. Ter esse tempo sozinha também me ajudou a pensar e entender os meus medos e sentimentos. Colocava a música alta aqui no quarto, chorava, lembrava do Brasil, da minha família e de tudo que eu sinto falta da minha antiga vida. Liguei para alguns amigos que talvez pudessem me ajudar, tipo uma amigona da faculdade que está morando na Escócia há quase 2 anos, para saber mais como era essa coisa de passar muito tempo fora do Brasil sem saber quando exatamente vai voltar. Cultura, saudades, lar… Como será que vai ser a minha vida nos próximos anos?

Desci lá na cozinha para esquentar a minha sopa, e encontrei a Eunice, minha flatmate canadense. Ela é uma super querida, mas está se mudando aqui de casa com o namorado alemão. Não lembro ao certo como começamos a nossa conversa, eu geralmente só converso o básico com ela pois nunca acho que meu inglês é bom o suficiente para bater papos profundos… Mas esse papo que acabamos de ter na cozinha foi surpreendente. Tanto pelo meu inglês (que ela até chegou a elogiar, yei!), quanto pela história que ela me contou sobre a vida dela. Comecei a falar do Maikel e das minhas dúvidas sobre largar tudo para morar com ele na Holanda… E ela resolveu me contar como conheceu o Oliver, seu atual namorado.

Ela namorava um cara que conheceu pela internet, e ele era de uma cidadezinha pequena na Flórida, então eles namoraram a distância por muito tempo. Quando chegaram no limite da distância, Eunice resolveu que: ou terminava o namoro, ou ia viver com ele na cidade dele. Ela teve as mesmas dúvidas que eu pois sempre foi acostumada com cidade grande e tudo mais, mas mesmo assim resolveu empacotar tudo e ir em busca da felicidade com o seu amor. Colocou seu quarto na internet para ver se conseguia alugar e então um tal de Oliver entrou em contato com ela para saber mais sobre a vaga. Ela disse que a amiga que morava com ela queria apenas meninas, mas que ela ia confirmar se realmente não dava pra voltar atrás pois o cara parecia realmente legal. Enquanto a amiga decidia, Eunice ia empacotando tudo e cuidando da parte burocrática sobre mandar todas as suas coisas para a casa do namorado, comprar as passagens etc. E então a amiga decidiu: ela realmente queria uma menina. Mas conversa vai, conversa vem, Eunice e Oliver foram ficando meio amigos e um dia antes dela viajar ele veio para a cidade visitar os apartamentos que escolheu pela internet. Eles acabaram se encontrando, passaram o dias juntos e ela mostrou a cidade inteira pra ele. Eles conversaram por horas, e parece que o assunto nunca acabava. Sabe o filme “Before Sunrise”? Então… Ela estava a 1 dia de ir morar com seu namorado em outro país mas mesmo assim ficou intrigada quanto ao Oliver e o fato deles terem se dado MUITO bem. Mesmo com toda essa bagunça na cabeça, no dia seguinte ela partiu pro aeroporto. Por brinks do destino, os caras no aeroporto encanaram com o fato dela não ter uma passagem de volta e ela foi mandada para uma salinha X para resolver certas burocracias. Resumindo essa parte da história, ela acabou perdendo o vôo. Então, ainda no Canadá e sem seus objetos pessoais, que já tinham sido mandados para a Flórida, ela resolveu pegar um quarto num hotel até que conseguisse tentar embarcar de novo para a Flórida. O coração bateu mais forte e ela acabou encontrando Oliver de novo. E ele dormiu no hotel com ela. E depois dormiu de novo, na noite seguinte, porque o vôo seria dali a 2 dias.

No fim das contas, ela acabou indo para a Flórida. Conseguiu ficar lá por um mês, mas com a cabeça totalmente no Oliver Canadá. Então, assim como ela tomou a decisão de ir morar com o namorado da Flórida, ela resolveu voltar ao Canadá e ficar com o Oliver, que também tinha namorada na época e acabou terminando tudo para os dois ficarem juntos. Hoje, eles resolveram se mudar para Londres juntos, já que Eunice tinha provado a si mesma que namoro a distância não rolava. Agora ela arranjou um emprego aqui e o Oliver está se aplicando para uma universidade, para fazer alguma pós graduação ou algo assim.

Achei a história tão bonita e me identifiquei tanto… Principalmente porque ela tem 29 anos e ainda não tem certeza do que quer da vida, mas está tentando. Ela se muda com essa facilidade toda, toma decisões e acaba voltando atrás, porque nada é pra sempre. A gente está sempre mudando, evoluindo e pensando diferente, então precisamos mesmo arriscar por amor, por trabalho ou pelo que quer que achamos que vale a pena. Às vezes penso que o Maikel está se precipitando ao abrir o próprio negócio assim tão cedo e criando raízes naquela província minúscula que ele mora na Holanda. Mas quem disse que isso tem que ser pra sempre? Quem disse que talvez um dia ele resolva ir morar no Brasil comigo e abrir um negócio lá também? Ou, quem garante que eu não vá me mudar pra lá e conheça outro cara, talvez o vizinho, e me apaixone perdidamente por ele deixando o Maikel pra trás? Eu não tenho como saber o que vai acontecer, e nem quero, pra ser sincera. Estou vivendo a minha vida e colecionando histórias para contar, e acho que isso é uma das coisas mais importantes que podemos fazer por nós mesmos. Viver sem medo de arriscar e não se arrepender de algo porque deixamos de fazer, porque o chão é o limite. E a nossa casa sempre estará lá se a gente resolver voltar.

 
50
Compartilhe esse post:

Parece que minha inspiração só funciona com fortes emoções. Quando eu chego ao ápice da emoção que estou sentindo, me dá vontade de escrever. E é por isso que eu não escrevo com mais frequencia, como vocês sempre me pedem. Se eu escrever por escrever, parece que não vai ser algo vindo de dentro. Escrever por escrever não me preenche, e acho que nem preencheria vocês também.

Eu já estava com vontade de falar sobre o assunto, mas ainda me faltava um motivo. O estouro foi agora, enquanto lia o email de uma pessoa que eu nem conheço pessoalmente, mas já tem um grande espaço no meu coração, a Pri. Ela mora na França e começou a me mandar emails aleatoriamente, que evoluíram para cartas daquelas de verdade, que a gente recebe por correrio. Sempre muito querida e doce, parece que ela me conhece há muito mais tempo e sempre fala algo que me surpreende e me faz sentir próxima dela. Nesse último email, ela tentava me dar algum conselho sobre essa loucura boa que está sendo a minha vida, e então ela falou a frase que traduzia a coisa mais simples do mundo, mas que foi exatamente a que me fez chorar: “É claro que sinto falta dos meu amigos, do meu pai (que é o maior amor da minha vida), das pequenas coisas, como o sol entrando na janela do meu quarto….

Ler essa frase em negrito foi como ver um filminho na minha cabeça, de todos os raios de sol entrando pelas janelas dos quartos que eu já dormi. Na minha casa em Alphaville quando era pequena, onde os raios de tinham aquele brilho bonito feito pela água da piscina… No meu quarto em São Paulo, onde a janela divide o sol em várias tiras como se estivessem querendo fazer um desenho no teto…. Essa imagem de sol entrando na janela, sempre foi algo que me fez sentir segurança. Acho que pelo fato de estar em casa, numa cama gostosa, ao lado de pessoas que eu amo e com tudo que era meu por perto. Eu sempre fui de ficar deitada na cama olhando para os reflexos de sol entrando aos pouquinhos pela janela, e indo embora quando as nuvens escondiam o sol. Acho que nem eu percebia o quão poético e importante isso era pra mim, mas quando a Pri citou o sol entrando pela janela, eu me desatei a chorar.

Estou vivendo um dos momentos mais felizes da minha vida. Moro em Londres com um namorado incrível, que me ama e me trata bem, me faz dar risada desdo primeiro minuto em que eu abro os olhos de manhã e toma conta de mim como uma mãe quando fico doente. Quando eu digo “eu te amo” pra ele, ele não responde com um “eu também”. Ele prefere falar nas horas em que realmente importa, para que eu nunca me esqueça de que aquilo é verdadeiro e sincero. A gente tem os mesmos valores, os mesmos desejos para um futuro juntos. Ele é doce, é querido por todos. Ele é o meu amor, como há muito tempo eu não chamava alguém.

Mas escolher ficar com ele, significa não ver mais o sol entrando pela janela. Pelo menos não a minha janela, na minha casa em São Paulo. E pensar nisso me dá um medo enorme, porque eu nunca pensei em perder a única certeza que eu tenho na vida: o meu lar. Escolher ele vai significar deixar a minha janela e todas as pessoas que eu amo para trás. Talvez pensar assim seja muito pesado da minha parte, mas eu realmente não consigo ver de outra maneira. Minha família, meus amigos, minhas tralhas, o clima, o caminho do metrô até a minha casa…. Tudo aquilo que eu conheço, acredito e gosto, será trocado por um mundo totalmente novo onde eu não conheço nada, nem ninguém. Um país onde as pessoas não falam a minha língua, e nem a língua que eu ralei pra aprender, que é o inglês. Um lugar onde eu não sei os caminhos, não sei ler as placas nem os cardápios dos restaurantes. Não gosto da comida, não entendo dos costumes… Um mundo totalmente novo e diferente para eu desbravar, sem ter certeza se vou gostar ou não.

Mas daí eu estaria morando numa casa com o meu amor. Teríamos nosso cachorro, nossos filhos que vão falar 3 línguas. Nosso mundinho paralelo, que a gente começou a construír em agosto de 2011, e que recebe um tijolinho por dia, conforme a gente vai fazendo planos e vai se amando cada vez mais.

Eu tenho muito medo do futuro. A intenção de “me perder para me achar” em Londres, acabou tomando proporções maiores do que eu esperava e agora estou mais confusa do que nunca. Em breve terei que tomar decisões que mudarão a minha vida, e a vida de todas as pessoas que eu amo.

Morar fora do Brasil não significa apenas ter saudades da família e dos amigos. É tudo diferente, e a gente só pode contar com nós mesmos. Já imaginou engravidar em um país que você não conhece? Esses dias eu estava lendo uma revista brasileira aqui em Londres e vi uma matéria sobre “Ter filhos no Brasil ou na Inglaterra?”, e toda a matéria girava em torno de histórias de brasileiras e suas experiências engravidando fora de sua terra natal. Já imaginou como é engravidar longe da sua mãe, da sua família, do seu médico de confiança? Ter métodos e exames diferentes, onde você não se sente seguro como se sentiria se estivesse no Brasil? E ter filhos é apenas um exemplo banal, que mostra o quão é complicado pra alguém trocar totalmente sua cultura e costumes para viver em um outro continente. E eu, sinceramente, não sei se estou pronta pra isso. Mas também não quero desistir de um grande amor por medo…

 
49
Compartilhe esse post:

É amigos… Eu finalmente a conheci em carne e osso. Na verdade, não esperava que isso fosse acontecer algum dia mas acho que posso dizer que estou realizada. Ela esteve aqui em Londres para falar de seu novo filme, “The Future”, e eu acho que fui uma das primeiras a comprar o ingresso, graças a uma amiga que me mandou o link do evento.

Na verdade, Miranda não falou de seu novo filme. E nem mesmo de seu novo livro, que ela acabou de lançar mas ainda nem estava nas lojas. Ela fez uma apresentação incrível sobre desconhecidos – um dos assuntos que mais me desperta interesse nesses últimos anos.

Eu não sei ser tiete, mas quando estava na porta esperando tudo começar, minhas pernas tremeram assim que ela saiu de dentro do auditório. Foi uma surpresa… Eu ali parada pensando onde ela estaria naquele momento e de repente ela abre a porta bem em frente a mim e começa a andar entre as pessoas. Não tive coragem de dizer nada, apenas dei um sorriso quando ela olhou nos meus olhos. Ela parou para conversar discretamente com algumas pessoas e aparentava pedir algo, já que elas atenciosamente mexiam em suas bolsas e carteiras enquanto falavam com a Miranda. Só fui entender isso quando o “show” começou.

Fomos recebidos por um cara gigante vestido de diabo (?). Ele era literalmente gigante e super engraçado, parece que recebe as pessoas em todos os eventos realizados pela School of Life.

Miranda começou falando sobre os desconhecidos que estavam perto da gente. Sugeriu que cada um de nós pegasse no braço do desconhecido ao lado, e imaginasse algumas possibilidades futuras com esse estranho como por exemplo: nunca mais ver ele novamente, ou conhecer os filhos deles depois de se tornarem adultos… Enfim, ela fez o povo rir e falou coisas corriqueiras e estranhamente tocantes, como só ela consegue fazer. Para quem quiser ler o discurso na íntegra, achei o texto original aqui.

Logo depois ela sentou na cadeira e colocou uma pinça de sobrancelha em uma almofadinha giratória em cima da mesa, cuja a câmera que aparecia no telão filmava. Ninguém entendeu nada, até ela chamar o desconhecido da platéia que era dono daquela pinça. Ele foi até lá, sentou na cadeira ao lado e foi entrevistado de um jeito bem inusitado. A intenção da coisa toda era que nós, pessoas da platéia, tivéssemos a oportunidade de conhecer alguns dos desconhecidos que estavam presentes no evento, “gente como a gente”.

“Você pode descobrir muito sobre um desconhecido de acordo com o que ele guarda na carteira.”

É isso que Miranda July queria nos fazer entender. Depois de entrevistar o cara da pinça, ela a colocou em um envelope com uma carta dentro, como se fosse um diploma, assinada por ela e pelo dono do objeto. De repente ela anunciou que iria leiloar aquele envelope, e começou um leilão ali mesmo. Mas antes ela nos garantiu que o dinheiro seria usado por uma boa causa. Acreditam que ela vendeu a pinça por £ 125? Isso da aproximadamente R$ 375!

Anyway… Miranda entrevistou mais duas pessoas depois do cara da pinça e repetiu os mesmos passos, leiloando os objetos após a entrevista. Eles contaram o dinheiro e deu aproximandamente £ 232, então ela nos pediu para que fechassemos os olhos e abaixassemos a cabeça para refletir: “Você está precisando deste dinheiro? Talvez tenha existido alguma época na sua vida em que esse dinheiro faria uma diferença enorme, ou talvez essa época seja agora. Então quero que vocês sejam realmente sinceros e levantem o braço se são uma das pessoas que teria sua vida mudada por esta quantia de dinheiro.”. Todos ficamos em silêncio e não tinha como saber quem estava de mãos levantadas pois estávamos de olhos fechados. Depois de um tempo ela nos mandou abrir os olhos e disse que havia dado o dinheiro para um dos desconhecidos de braço levantado. Aposto que nessa hora muita gente pensou: “Droga, por que eu não levantei a minha mão?” hehehe eu pensei.

Assim que o show terminou, todos nós aplaudimos de pé e começamos a formar a fila para receber um autógrafo no livro. Eu, obviamente, comprei os 2 livros que estavam vendendo lá: “No one belongs here more than you.”, que é o penúltimo livro que ela lançou, e “It chooses you”, que anida não estava nas lojas mas eles estavam vendendo lá com exclusividade.

Ah! Esse é o trailler do filme dela que entrou nos cinemas daqui de Londres dia 4 de novembro mas eu ainda não vi:

Alguém aí já conseguiu assistir? Bom.. Espero que tenham gostado do post tanto quanto eu gostei de conhecer a Miranda! <3

Leia também o post Pessoa Favorita, que foi outro post que escrevi depois que vi um vídeo intrigante dela.

 
19
Compartilhe esse post: