Esses dias achei mais um daqueles projetos que me fez indagar: “Como não pensei nisso antes?!”. Tem tudo a ver comigo porque mistura experiências com estranhos e ilustrações.

Criado por três garotas da Califórnia, o projeto “When you’re a stranger” convida pessoas a ilustrarem situações irreais que eles viveram com pessoas reais. Sabe quando um estranho interage com você na rua, ou você vê uma cena bizarra e tem vontade de contar pra todo mundo? É uma ideia muito singela e interessante, porque estabelece um contato com o mundo dos estranhos que eu tanto amo! Já pensei em várias situações que eu gostaria de ilustrar, principalmente aquelas que vivo no transporte público. hahaha

Segue algumas das melhores ilustrações/histórias que eu achei.

YOU INVITED ME INTO THE KIDDIE POOL

“We were both drenched with sweat.
The dance party was among the most legendary.
She asked me to join her in the ankle-deep water.
She teaches acting for a living.”

YOU SAID I HAD A BEAUTIFUL VOICE

“I sat at the red light in my car, singing – okay, bellowing – along to the radio, channeling my inner Mariah Carey. Out of the corner of my eye I see the car in the turning lane inch up and stop, once, twice, three times. I panic. They’re trying to get my attention. “Maybe they want directions,” I think. So I turn my head to see a handsome, 40-something-year-old man with a friendly smile in the car next to me motioning for me to roll down the window. I turn down the blaring music and roll down my window. “You have a beautiful voice,” he says wryly as the light turns green. I laugh and thank him quickly before driving away. Maybe he was serious, maybe it was mockery – either way it was funny, and it made my Monday.”

YOU TALKED ABOUT HITLER ON THE FIRST DATE

“You were charming, you were cute, you were passionate. But somewhere between ordering drinks and getting our appetizer you started talking about Hitler and fluoride brain-washing by our government. I began to worry.”

YOU SERVED ME A PROVOCATIVELY SHAPED PASTRY

“He followed us into the bakery and walked behind the counter. He served us provocatively shaped pastries and asked us how old we were. We never did find out if he actually worked there.”

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E aí, curtiu? Contaí aí nos comentários a história que você gostaria de ver ilustrada! Quem sabe não rola uma inspiração e a gente faz uma versão brasileira? :)

 
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Engraçado como as pessoas e as conversas vem em horas que a gente mais precisa, né? Eu realmente amei todos os comentários e conselhos que vocês me deram no post anterior. De verdade. Me ajudou a clarear as ideias e ver o que realmente importa. Talvez eu só tenha tido mais certeza do que estava pensando, mas ler a opinião de outras pessoas que vêem a história de fora, ajuda muito a dar mais coragem para tomarmos nossas decisões. Eu ainda não estou 100% certa do que será o meu futuro, mas com certeza estou me sentindo menos insegura agora.

O Maikel passou uma semana na Holanda e voltou esses dias. Ter esse tempo sozinha também me ajudou a pensar e entender os meus medos e sentimentos. Colocava a música alta aqui no quarto, chorava, lembrava do Brasil, da minha família e de tudo que eu sinto falta da minha antiga vida. Liguei para alguns amigos que talvez pudessem me ajudar, tipo uma amigona da faculdade que está morando na Escócia há quase 2 anos, para saber mais como era essa coisa de passar muito tempo fora do Brasil sem saber quando exatamente vai voltar. Cultura, saudades, lar… Como será que vai ser a minha vida nos próximos anos?

Desci lá na cozinha para esquentar a minha sopa, e encontrei a Eunice, minha flatmate canadense. Ela é uma super querida, mas está se mudando aqui de casa com o namorado alemão. Não lembro ao certo como começamos a nossa conversa, eu geralmente só converso o básico com ela pois nunca acho que meu inglês é bom o suficiente para bater papos profundos… Mas esse papo que acabamos de ter na cozinha foi surpreendente. Tanto pelo meu inglês (que ela até chegou a elogiar, yei!), quanto pela história que ela me contou sobre a vida dela. Comecei a falar do Maikel e das minhas dúvidas sobre largar tudo para morar com ele na Holanda… E ela resolveu me contar como conheceu o Oliver, seu atual namorado.

Ela namorava um cara que conheceu pela internet, e ele era de uma cidadezinha pequena na Flórida, então eles namoraram a distância por muito tempo. Quando chegaram no limite da distância, Eunice resolveu que: ou terminava o namoro, ou ia viver com ele na cidade dele. Ela teve as mesmas dúvidas que eu pois sempre foi acostumada com cidade grande e tudo mais, mas mesmo assim resolveu empacotar tudo e ir em busca da felicidade com o seu amor. Colocou seu quarto na internet para ver se conseguia alugar e então um tal de Oliver entrou em contato com ela para saber mais sobre a vaga. Ela disse que a amiga que morava com ela queria apenas meninas, mas que ela ia confirmar se realmente não dava pra voltar atrás pois o cara parecia realmente legal. Enquanto a amiga decidia, Eunice ia empacotando tudo e cuidando da parte burocrática sobre mandar todas as suas coisas para a casa do namorado, comprar as passagens etc. E então a amiga decidiu: ela realmente queria uma menina. Mas conversa vai, conversa vem, Eunice e Oliver foram ficando meio amigos e um dia antes dela viajar ele veio para a cidade visitar os apartamentos que escolheu pela internet. Eles acabaram se encontrando, passaram o dias juntos e ela mostrou a cidade inteira pra ele. Eles conversaram por horas, e parece que o assunto nunca acabava. Sabe o filme “Before Sunrise”? Então… Ela estava a 1 dia de ir morar com seu namorado em outro país mas mesmo assim ficou intrigada quanto ao Oliver e o fato deles terem se dado MUITO bem. Mesmo com toda essa bagunça na cabeça, no dia seguinte ela partiu pro aeroporto. Por brinks do destino, os caras no aeroporto encanaram com o fato dela não ter uma passagem de volta e ela foi mandada para uma salinha X para resolver certas burocracias. Resumindo essa parte da história, ela acabou perdendo o vôo. Então, ainda no Canadá e sem seus objetos pessoais, que já tinham sido mandados para a Flórida, ela resolveu pegar um quarto num hotel até que conseguisse tentar embarcar de novo para a Flórida. O coração bateu mais forte e ela acabou encontrando Oliver de novo. E ele dormiu no hotel com ela. E depois dormiu de novo, na noite seguinte, porque o vôo seria dali a 2 dias.

No fim das contas, ela acabou indo para a Flórida. Conseguiu ficar lá por um mês, mas com a cabeça totalmente no Oliver Canadá. Então, assim como ela tomou a decisão de ir morar com o namorado da Flórida, ela resolveu voltar ao Canadá e ficar com o Oliver, que também tinha namorada na época e acabou terminando tudo para os dois ficarem juntos. Hoje, eles resolveram se mudar para Londres juntos, já que Eunice tinha provado a si mesma que namoro a distância não rolava. Agora ela arranjou um emprego aqui e o Oliver está se aplicando para uma universidade, para fazer alguma pós graduação ou algo assim.

Achei a história tão bonita e me identifiquei tanto… Principalmente porque ela tem 29 anos e ainda não tem certeza do que quer da vida, mas está tentando. Ela se muda com essa facilidade toda, toma decisões e acaba voltando atrás, porque nada é pra sempre. A gente está sempre mudando, evoluindo e pensando diferente, então precisamos mesmo arriscar por amor, por trabalho ou pelo que quer que achamos que vale a pena. Às vezes penso que o Maikel está se precipitando ao abrir o próprio negócio assim tão cedo e criando raízes naquela província minúscula que ele mora na Holanda. Mas quem disse que isso tem que ser pra sempre? Quem disse que talvez um dia ele resolva ir morar no Brasil comigo e abrir um negócio lá também? Ou, quem garante que eu não vá me mudar pra lá e conheça outro cara, talvez o vizinho, e me apaixone perdidamente por ele deixando o Maikel pra trás? Eu não tenho como saber o que vai acontecer, e nem quero, pra ser sincera. Estou vivendo a minha vida e colecionando histórias para contar, e acho que isso é uma das coisas mais importantes que podemos fazer por nós mesmos. Viver sem medo de arriscar e não se arrepender de algo porque deixamos de fazer, porque o chão é o limite. E a nossa casa sempre estará lá se a gente resolver voltar.

 
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