Como vocês devem ter visto, fui conhecer Belo Horizonte pela primeira vez e AMEI! Então resolvi escrever mais um post contando pra vocês os highlights da viagem. Para saber mais do Collaborate Hostel, onde me hospedei por lá, é só dar um pulo no post anterior.

Antes de falar da viagem, acho que vale contar que a minha ida pra lá foi uma saga. Era feriado em São Paulo na quinta-feira e eu comprei a passagem para ir na quinta a noite, em um dos últimos ônibus disponíveis. Pensei: vou passar a noite viajando e chego lá um pouco descansada para aproveitar o dia. Ledo engano… Perdi o ônibus na rodoviária porque minha passagem veio impressa toda torta e eu fiquei esperando o busão na plataforma errada. Daí, mesmo tentando me tranferir pro próximo ônibus, a viagem foi cancelada porque o ônibus estava cheio. Consegui meu dinheiro da passagem de volta e voltei pra casa com o rabinho entre as pernas. “Não vai ser dessa vez que vou conhecer Belo Horizonte…” pensei comigo mesma. Mas daí, chegando em casa lá pela 1h da manhã, decidi que ainda valeria a pena pegar o ônibus do primeiro horário na quarta, pois ainda teria uma noite a mais para aproveitar, já que os outros feriados seriam todos grudados no final de semana. E foi isso que eu fiz. Sem arrependimentos. A única parte ruim de fazer isso é que na quinta a noite, no meu primeiro programa em BH, eu passei mal porque quase não tinha comido durante a viagem, mas até isso acabou sendo bom: as pessoas da cidade são tão queridas que além da minha amiga Ana ter me ajudado, um grupo de amigos desconhecido acabou comprando uma água pra mim e ficamos bróders pelo resto da minha viagem. Lá no final do post tem fotos de todos eles <3

Instituto Inhotim

Apesar de não ficar em Beagá, o Instituto Inhotim é parada obrigatória pra quem vai pra lá. Aliás, um dos motivos pelo qual eu queria ir conhecer Belo Horizonte era dar uma passada em Brumadinho para visitar Inhotim. Eu tinha expectativas altíssimas sobre o lugar e todas elas foram superadas. O dia estava lindo e Inhotim é um lugar incrível. Me apaixonei e queria morar lá por tipo… 1 semana! Dizem que 1 dia é pouco para conhecer o lugar inteiro, e é verdade. Mas eu não teria tempo de ir por mais que isso, e mesmo assim consegui ver a maioria das coisas que queria. O ingresso custa R$40 inteira e R$20 meia, e lá tem vários restaurantes e diferentes opções de comida. Vejam algumas fotos:



Maletta

O Maletta é um edifício no centro que todo mundo me falou pra ir. No segundo andar eles tem vários bares onde as mesas ficam numa espécie de sacadinha em volta do prédio, e você pode tomar drinks ou cerveja com os amigos olhando pra cidade. O bar que fui lá se chamava DUB, que é famoso por seus drinks diferentes e deliciosos. Apesar deu gostar mais de cerveja, tinha que prestigiar um dos drinks da casa, né? Então pedi um Vanilla Mojito (R$18), que era um mojito de limão com um toque de baunilha (ele é o da segunda foto ali em baixo, que está junto com um drink que tem canela em cima). Devo dizer que foi o melhor mojito que eu já tomei na vida! Outro drink bem famoso por lá é o Bloody Mary (primeira foto), que eles fazem de um jeito minucioso e único! Começam queimando um galhinho de alecrim com um maçarico dentro do copo de ponta cabeça, para dar um gostinho de “alecrim defumado”. O drink é finalizado com uma folha de coentro e uma fatia bonita de bacon, também preparada com o maçarico. Coisa linda de se ver e se beber, eu provei e achei delícia. O drink laranja da foto é um Negroni, que era o preferido do Luiz Felipe!

Foto via Guia BH

Angu

Eu nunca nem tinha ouvido falar em angú, mas ainda no DUB, resolvi pedir uma porção de “pastel de angu”, que nada mais é um pastel de polenta (depois me explicaram que angú era basicamente polenta, hahaha). Esse pastel vem crocante e sequinho por fora e molinho e cremoso por dentro, nunca tinha comido algo igual. Se alguém conhecer um lugar que vende isso em São Paulo, por favor, me indiquem aí nos comentários do post!

Pôr-do-sol no mirante das Mangabeiras

Lá em BH eu vi um dos pores do sol mais bonitos da minha vida. Fui com meu querido amigo Luiz Felipe ao Mirante das Mangabeiras, que fica pertinho (ou meio dentro?) do Parque das Mangabeiras (que também vale uma visita, se você tiver tempo). Para andar do parque até o mirante, dá uma boa caminhadinha cheia de subida, por mais ou menos uma meia hora. Mas como estávamos cheios de energia para gastar, andamos e conseguimos chegar a tempo de pegar o sol ainda alto. O clima lá estava tão gostoso que além de tirar um milhão de fotos, resolvemos ficar até tarde pra dar pra ver as luzes da cidade. Valeu muito a pena! Acho que é um dos lugares que mais indico para quem for visitar Belo Horizonte pela primeira vez. É um pouco longe do centro da cidade, então dependendo de onde você estiver é preciso pegar um táxi. Ele fica um pouco mais acima da Praça do Papa, que é um dos outros pontos turísticos da cidade. Dizem que o pôr-do-sol na Praça do Papa é incrível, mas eu te aconselharia a subir mais até o Mirante porque lá é muito mais bonito e alto!

O povo mineiro

Sempre ouvia falar bem dos mineiros, que eles eram receptivos e queridos, e quando cheguei lá a fama foi 100% comprovada! Que sotaque gostoso, sô! Que simpatia deliciosa. No meu primeiro dia lá, fui numa feirinha depois de chegar cansada da rodoviária e minha pressão baixou, achei que fosse morrer (rs) e um grupo de desconhecidos foi super atencioso e me comprou até uma água. Acabei virando bróder deles e nos vimos todos os dias da viagem. Me senti em casa e acabei até participando de festinhas no apê de um deles no centro, me senti quase parte da turma! hehehe Fora esses novos amigos, encontrei também a Ana, que só conhecia pela internet e tornou a viagem perfeita! Ela me levou pra cima e pra baixo de carro, enquanto ia apontando todos os lugares icônicos da cidade e contando sua história e curiosidades. Ela parecia uma enciclopédia ambulante, adoro pessoas que memorizam as histórias dos lugares (porque sou péssima pra isso! hahaha). Sem contar que eu e ela parecíamos amigas de longa data, tínhamos muito em comum e ela acabou se tornando uma amiga ainda mais especial.

Esses foram os highlights da minha viagem. E você, já foi pra Belo Horizonte? Me conta aí nos comentários as suas impressões e lugares preferidos, eu voltei com o sentimento de que quero ir pra lá de novo um dia!

 
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Desde que fui picada pelo bichinho da viagem, não consigo muito parar quieta na minha cidade. Esse ano estabeleci uma meta de que tentaria sempre viajar nos feriados para uma cidade diferente no Brasil. Adoro viajar, mas conheço pouco meu próprio país, então queria mudar isso! Esse ano fui pra Curitiba, que era uma das cidades que estavam no topo das que eu queria conhecer, e nesse último feriado fui Pra Belo Horizonte. Gente, que cidade querida! Já ouvia falar super bem dos mineirinhos, mas minhas expectativas foram todas superadas. Esse post será especialmente dedicado ao hostel que fiquei, o Collaborate Design Hostel, mas depois escreverei outro sobre a viagem em si com fotos e impressões sobre a cidade.

Encontrei o Collaborate procurando por hostels no Hostelworld. O que me chamou a atenção foi o visual, a decoração, a arquitetura da casa e principalmente a proposta do hostel. Eles fazem algumas exposições colaborativas com artistas de BH que deixam o hostel ainda mais bonito. Meus olhinhos de designer brilharam ao ver fotos do lugar e até o logo deles me encantou, fui conquistada pelo visual! Antes mesmo de chegar lá já comecei a imaginar as fotos que ia tirar pra ilustrar esse post! hahaha

O hostel tem diferentes opções de acomodações. Eu fiquei no quarto feminino que tinha 5 camas. Uma coisa que achei ótimo foi o tamanho dos lockers (armários individuais), que cabia até minha mala de mão que é bem grandinha. Ponto positivíssimo, pois não curto muito deixar a mala, mesmo que trancada, dando sopa no quarto enquanto passo o dia todo fora. Vejam algumas fotos do quarto:

As opções de quartos são:

● 4 Quartos coletivos mistos de 6, 7 ou 16 camas.
● 1 suíte com cama de casal
● 1 quarto privativo para 2 pessoas (com beliche)
● 1 quarto feminino com 5 camas (esse foi o que eu fiquei)

O que o hostel tem de bom?

● Na diária já está incluso o café da manhã, que não tem hora pra acabar, só termina quando acaba a comida. Achei isso um puta diferencial porque quando estamos viajando às vezes voltamos super tarde e é um saco ter que acordar cedo pra pegar o café da manhã;
● Tomadas em todas as camas. Isso faz muita diferença, porque dá pra deixar o celular/computador carregando enquanto estamos na cama e ele fica pertinho da gente o tempo todo;
● Armários individuais super espaçoso, como já mencionei antes;
● Eles também disponibilizam uma toalha para todos os hóspedes junto com a roupa de cama, o que foi perfeito pra mim porque esqueci minha toalha! Sempre levo uma toalhinha de mochileiro daquelas pequenas que secam rápido, mas dessa vez esqueci e normalmente aluguel de toalhas é cobrado em hostels. No Collaborate não! <3
● O hostel é bem tranquilo e tem um ambiente super agradável. Me senti mega confortável lá e o pessoal da recepção era super prestativo!
● A localização do hostel é muito boa! Me falaram pra ficar nessa área chamada Savassi, que é tipo uma “Vila Madalena” de BH, e acertaram em cheio. O bairro é charmoso e cheio de barzinhos. Também dá pra ir a pé até o centro, que leva um tempinho, mas achei super agradável andar pela área.


Clique nas fotos para vê-las maiores:






Vale lembrar

● A área onde o Collaborate fica é super bem localizada e cool, mas cheia de ladeiras muito loucas. Aliás, tem MUITOS hostels naquela região. Se você tiver problemas em subir ladeiras, prepare-se! Eu costumava ir pro centro sempre a pé, porque era decida, mas acabava voltando de táxi porque no final do dia já estava sem condições de subir tudo aquilo.
● Eles não tem computador para os hóspedes. Isso pra mim não fez a menor diferença porque eu mal ficava lá e usava só o celular, mas se você for precisar acessar a internet de um computador ou passar as fotos da câmera, por exemplo, é melhor levar o seu.
● Também senti falta de um secador de cabelo, alguns hostels disponibilizam um na recepção para emprestar para os hóspedes e é ótimo porque o meu ocupa muito espaço na mala. Mas se for ficar no Collaborate e não consegue viver sem secador, leve o seu! ;)

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A Juliana Rosa, do blog Trip Feeling, também fez um post review do hostel, e lá você pode ver mais algumas fotos dos outros quartos – dá uma olhada!

 
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Sabe quando você viaja para um lugar e dá tudo errado? Daí você volta pro Brasil reclamando que odiou aquela cidade, as pessoas, o clima e tudo. Mas a verdade é que viagens são feitas de experiências e sorte, MUITA sorte. A experiência de conhecer Paris, por exemplo, pode ser totalmente diferente para mim do que para você. Quando fui pra lá esse ano recebi várias dicas de conhecidos que já tinham ido e mó galera falava mal dos parisienses, que eles eram mal educados e bla bla bla, daí acabou que minha experiência em Paris foi incrível, inclusive com os parisienses! Cheguei até a ser abordada na rua por um, pois ele viu que eu estava com um mapa na mão parecendo perdida, e ele me ofereceu ajuda. Sério, como não amar?

Daí esses dias me deparei com esse vídeo lindo na minha timeline do Facebook, que fala exatamente sobre isso:

O vídeo chama “I hate Thailand“, ou “Eu odeio a Tailândia“, e surpreende com a reviravolta que rolou na história do cara. Fui pesquisar e vi que o vídeo é, na verdade, um vídeo para promover o turismo na Tailândia usando psicologia inversa, e também limpar um pouco a imagem do país depois de uns crimes meio pesados que rolaram com turistas por lá. De qualquer forma, achei o vídeo muito bom! E me lembrei de várias viagens que já fiz e histórias que já ouvi sobre pessoas que odeiam lugares que eu amo, mas que na verdade elas apenas tiveram falta de sorte no lugar. Até as cidades mais feias do mundo merecem uma segunda chance para poder mostrar sua real beleza!

São Paulo, por exemplo, é uma cidade muito subestimada na minha opinião. Trabalhei durante cinco meses em um hostel e a maioria dos gringos que vinha pra cá ficava no máximo uns dois dias ou só vinha porque tinha conexão nos aeroportos de São Paulo. Gringos que vem pro Brasil geralmente querem ver natureza, praia, mulheres de biquine… Não uma selva de pedras que é São Paulo. Mas a verdade é que aqueles poucos que resolviam ficar por mais tempo, ou já sabiam do potencial da cidade, acabavam querendo ficar mais e mais, porque é aqui que a magia acontece. O calor do concreto e a pressa das pessoas no dia a dia demora um pouco pra conquistar os estrangeiros mas, com o tempo, eles acabam vendo o quanto de coisas legais a cidade tem pra oferecer.Tem até um vídeo bem bacana de um gringo que se apaixonou por São Paulo e quis mostrar pra todo mundo o quanto a cidade é underrated:

Massa, né? Se você é paulistano e tem amigos gringos, mande esse vídeo pra eles já!

Bom, depois de ter visto o vídeo da Tailândia e ter pensado sobre o assunto, comecei a lembrar de cidades que eu já visitei e que merecem uma segunda chance para que eu me apaixone por elas também. Berlim, por exemplo, é uma cidade que eu já visitei duas vezes e nenhuma das duas foi tão incrível assim. E olha que Berlim é uma cidade que tem a minha cara, hein? Mas nas duas vezes que fui estava numa fase de vida super complicada e a cidade foi dura comigo, os alemães foram um pouco fechados, o tempo também judiou um pouco de mim… Mas sempre voltei com aquele sentimento que diz: Berlim ainda vai me conquistar um dia!

E você, tem alguma cidade que merece uma segunda chance?

 
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Essa é a continuação de uma linda história que começou em outro post, se você não leu, clique aqui e leia. Ah! Pra dar mais sentimento, dê play para ouvir esse cara enquanto lê a continuação da história:

Eu tinha gostado muito muito muito de você e daquela noite. No dia seguinte só conseguia pensar no quanto eu amava Londres e deveria estar morando ali. Você me trouxe todos os sentimentos bons e sonhos que eu tinha deixado de lado quando voltei pro Brasil, e isso era incrível. Londres é realmente a cidade da minha vida e onde toda a magia acontece. Eu já estava feliz e satisfeita por ter tido uma noite deliciosa, daí você me mandou mensagem dizendo que queria me ver de novo. Eu ainda tinha uns dias na cidade e pensei, por que não? Sou dessas que acho que quando a gente está viajando não deve se privar de nada, então topei o seu convite e fui passar a sexta-feira de ressaca vendo filme na sua casa. A gente pediu comida, ficou juntinhos no sofá vendo tv… E aquilo parecia tão certo, fazia tanto sentido. Minha mente foi longe imaginando como seria minha vida se eu morasse ali e tivesse você como namorado (eu sei, eu sempre faço isso e também acho ridículo, mas e daí?! rs). Para “piorar”, mais tarde descobri que o seu gosto musical era parecido com o meu. Você ganhou ainda mais meu coração colocando Keaton Henson pra tocar. Era como se aquele filme lindo da nossa breve vida juntos tivesse ganhado a trilha sonora mais bonita de todas. O foda é que as músicas eram tristes, e era impossível não pensar no fato de que aquilo tudo ia acabar em poucos dias.

Daí você me chamou pra passar a próxima noite com você. E a outra, e a outra. Então eu cancelei minhas noites solitárias no hostel e me mudei pra sua casa. Que rápidos, né? Todo mundo deve estar pensando. Mas pra mim, todas essas paixões avassaladoras e inconsequentes foram as que mais valeram a pena até hoje. Fui sem medo de ser feliz. E… Cacete, como a gente foi feliz em tão poucos dias?! Ao mesmo tempo que eu tinha medo de estar me envolvendo tanto com uma pessoa que não tinha a menor chance de ver de novo no futuro, não me privei de sentir nem um pinguinho de sentimento. Aliás, não acho que eu seja dessas pessoas que consegue se privar de SENTIR. Eu sempre vou até o fundo porque se apaixonar e curtir alguém novo é uma das melhores coisas dessa vida. Confesso que me preocupei um pouco com a intensidade das coisas, principalmente pela vida que eu levava fora daquela realidade de viagem. Mas escolhi não me privar de nada, e no fim descobri que essa foi a melhor escolha que poderia ter feito, já que minha realidade desmoronou depois de poucos dias que te deixei em Londres para ir passar uns dias em Berlim. Ter seguido meus instintos e vivido os sentimentos ao máximo foi a melhor escolha que eu poderia ter feito durante a minha viagem inteira.

Berlim foi, pela segunda vez, uma cidade dura. Eu queria ter ficado com você, os dias estavam cinzas e frios. E daí aconteceu aquela coisa que me fez sentir ainda mais sem chão. Mas você continuou ali, falando comigo todos os dias e se fazendo presente e aumentando ainda mais tudo que eu sentia por você. Não havia a menor chance da gente conseguir se ver de novo, mas eu estava tão apegada que não me importei de fazer os sentimentos se aflorarem cada vez mais. Pra onde a gente tava indo? Eu não fazia a menor ideia, só sabia que você me fazia bem e eu não queria parar. Daí veio Copenhagen, que foi uma viagem mais feliz. Eu reaprendi a curtir meus momentos sozinha e me fiz mais forte para poder voltar pra minha realidade no Brasil. Mas você, de certa forma, agora fazia parte dessa realidade, e continuava lá firme e forte, me lembrando o quanto gostava de mim e sentia saudade. Juro que eu não imaginava que fôssemos tão longe assim.

Agora estou aqui em São Paulo e já faz mais de um mês que nos conhecemos. Aliás, logo menos completaremos dois meses juntos (!), quem diria, hein? Eu, que acreditava que o único caminho era ter relacionamentos abertos e condenava muito os relacionamentos à distância, estou aqui: num relacionamento monogâmico com uma pessoa que mora em outro continente. Paguei minha língua, minha mente, meu corpo inteiro. A gente realmente não tem como prever o futuro. Não vou dizer que está sendo fácil, ninguém disse que seria, né? Mas a cada dia isso tudo parece mais certo, mais “meant to be”. E quer saber? Por mais loucura que tudo isso possa parecer ou ser, de fato, eu não me importo. Se não der certo, vou continuar tendo tudo que tenho hoje: minha vida, meu emprego, minha família e… A vontade de ser feliz. Aliás, a tal vontade de ser feliz acho que nunca vou perder, e é por isso que acabo me metendo em situações loucas como essa. A gente tem mesmo é que correr atrás da nossa felicidade e, se a tentativa não der certo, não deu. A gente vai lá, levanta e começa tudo de novo. Afinal… Continuar tentando só pode me trazer coisas boas, assim como quando a vida me trouxe você.

 
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Eu já estava um pouco de saco cheio de usar o Tinder em Londres. Váááários caras gatos mas nenhum papo interessante – isso quando eles me respondiam, né? Lembro que ficava tirando print da tela só para guardar aqueles rostinhos bonitos, mas como ia embora em menos de uma semana, tentar insistir em encontros não me parecia tão tentador. Lembro que só dei like seu perfil dele porque, além de bonitinho, você parecia ser diferente. Aquela foto sua todo quebrado na cadeira de rodas parecia meio debochada, então achei que talvez pudesse ser um cara interessante. Mesmo assim, não esperava nada. Ainda bem que você pediu para irmos pro Whatsapp e insistiu para que nos encontrássemos. Se não fosse isso, eu não teria tentado nada. E, bom… Já que era meu primeiro dia sozinha na viagem e eu realmente não tinha nada melhor pra fazer, sair com um cara local pra uma cerveja me pareceu a melhor opção. Nunca fui fã de curtir a noite sozinha e em Londres os caras só pensam em beber. Olhar/falar/interagir com mulheres é a última coisa que se passa na cabeça deles, rs.

Enquanto te esperava no bar, começou a bater aquele pânico que sempre tenho – e odeio – antes dos primeiros encontros. Um frio na barriga péssimo, que me fazia querer acabar logo com aquele começo da noite e pular para a parte onde já estivéssemos íntimos um do outro. Não sabia se você era legal, se a gente gostava das mesmas coisas… Se você teria o humor inglês que é tão diferente do humor do meu país. Será que meu inglês está enferrujado? Será que ele vai gostar de mim? Será que ele é alto? Baixo? Chato? Daí você chegou. Eu tinha achado uma exposição de arte hipster bem em frente ao meu hostel, e te convidei pra ir comigo dar uma olhada. Hummm… Pelo jeito você não era muito ligado em arte, né? Ok, vamos sair daqui e tomar logo uma cerveja.

Minha primeira impressão foi que você era um cara muito engraçado. Mas muito engraçado mesmo. Até demais. Achei que a noite seria meio chata porque você fazia muitas piadas e uma hora ou outra eu ia ficar entediada. Também achei engraçado o fato de você ter aqueles dentinhos tortos que muitos ingleses tem. Era um pacote completo: inglesinho, loiro – ou meio ruivo, como você gosta de dizer que é – e dentinhos zuados. Conversa vai conversa vem, comecei a te achar legal. O fato de você ser engraçadão parou de me incomodar e eu comecei a rir genuinamente das suas piadas. Você me ganhou quando começamos a falar sobre o quão chato era sair para primeiros encontros. Os papinhos, o doce que normalmente as meninas fazem… Lembro de você me contando que elas te perguntavam coisas sem noção, ficavam com vergonha de falar sobre certos assuntos e nada parecia natural. Ouso dizer que, apesar do mal estar sempre presente em primeiros encontros, com a gente foi natural desde o começo, né? Eu tenho esse medinho antes de encontrar o cara mas ele termina no exato momento em que o encontro. Acho isso incrível!

Daí fomos pra balada, você tentou me beijar… E eu com essa mania de querer que todos os primeiros beijos sejam perfeitos, recusei, porque aquela não era a hora de dar o primeiro beijo (ainda). Acho que você não entendeu nada, né? Mas a espera valeu a pena. Foi tudo tão gostoso. E eu nunca vou esquecer da gente saindo daquele pub com você enfiando dois pints enormes na cueca por minha causa! hahaha.

[continua aqui...]

 
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Até hoje ainda é difícil aceitar o fato de que morei na Europa por mais de um ano e não visitei Paris. Estava na minha lista de top 5 cidades que queria conhecer mas por força das circunstâncias acabou não rolando. Eu prefiro acreditar que não era pra ser mesmo. Tentei ir mais de uma vez, uma delas no meu último mês de Europa, mas tudo parecia acontecer para meus planos irem por água a baixo.

É… Acho que não era pra ser dessa vez mesmo. A vida deve estar guardando algo muito especial pra quando eu finalmente conseguir ir. Acho que aquele francês que conheci aqui em São Paulo esse ano, que disse que a casa dele em Paris estava de portas abertas me esperando quando eu quisesse ir, é a maior prova disso. Ele é lindo e músico e me deu a maior bola. Tem coisa melhor do que ir pra Paris e ainda ter um francês gato para te receber e te mostrar a cidade? …Paris que me aguarde!

Enquanto isso, fico aqui me deliciando com vídeos como este:

 
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Depois de mais de 1 ano morando na Europa, já sei de cor e salteado quais são os clichês que os europeus mais falam sobre o Brasil: futebol, sensualidade, Ronaldinho, samba, mulheres bonitas, caipirinha, bundas, verão, espanhol (?), Ai Se Eu Te Pego, etc. Mas hoje, tive uma experiência que prova totalmente o contrário do que os gringos pensam sobre os brasileiros serem um povo tão, digamos assim… Caliente.

Brasileiro adora ser chamado de povo bonito, sensual, fio dental na praia e pouca roupa no calor… Mas rola inclusive uma baita contradição nessa história toda, porque a gente quer mostrar uma sensualidade totalmente forçada e plastificada que, pra mim, ta longe de ser interessante.

Não só aqui na Holanda, como também em alguns outros países da Europa tipo Rússia ou Alemanha, eles tem o costume de frequentar saunas. E diferente do que a gente pensa sobre as saunas no Brasil, o fato de frequentar uma sauna não tem nada a ver com ser gay ou estar desesperado por sexo. Aqui as pessoas vão em família, casais, e levam até as crianças quando se é conveniente. Hoje foi a minha primeira vez numa sauna como essas, e acho que posso dizer que nunca fiquei tanto tempo pelada na frente de outras pessoas, desde que comecei a entender o que é estar, de fato, pelado.

Aqui as pessoas frequentam as saunas completamente nuas. Sem frescura, sem pudor… Sem medo de ser feliz mesmo. Quando cheguei lá, já no vestiário, vi um monte de peito, pinto, bunda, pele caída, barriga tanquinho e mais uma mistura de um monte de tipos de corpos, sem nenhum sinal de vergonha ou vontade de esconder. Tentei agir com naturalidade, mas quando comecei a tirar a roupa deu aquele friozinho na barriga. Isso passou completamente depois de uns 5 minutos, pois o fato de estar pelado e a vontade é melhor do que qualquer outro sentimento. A sauna que eu fui era gigante… Tinha piscina a céu aberto, sauna molhada, seca, com água, com vapor… Tudo quanto é tipo. E a maior parte do lugar era completamente aberta, então, para se movimentar de uma sauna pra outra, você tinha que andar de roupão, toalha ou… Pelado mesmo. O engraçado era que tava fazendo 4˚ quando chegamos lá, e eu não imaginei que conseguiria sair pelada do lado de fora. Mas não é que a gente acostuma? A melhor coisa do mundo era sair de uma sauna muito quente e caminhar pelo gramado lá fora, com os pés descalços e sem a toalha pra cobrir tudo.

(eu me comportei e só tirei uma foto do lado de fora do lugar.)

Mesmo me sentindo super a vontade, tive que controlar meus olhares. Como evitar olhar pro pinto daquele cara super gato que estava entrando na jacuzzi que eu tava, né? Ou ficar analisando qual é o tipo de depilação que as mulheres holandesas mais gostam. Poxa, nunca tive essa oportunidade! :) Mas deixando um pouco as brincadeiras de lado, fiquei muito me imaginando lá com alguns amigos ou até mesmo a minha família. Será que eu me sentiria tão a vontade assim? Esse seria o assunto principal se eu estivesse lá com uma pessoa do Brasil. Nunca tive muito essa cultura de ficar pelada em casa, então acho que não iria pra sauna com o meu irmão por exemplo. Mas ao mesmo tempo, eu estava lá pelada no meio de TANTA gente, bonita, feia, velha, nova… Como poderia ter vergonha do meu próprio irmão?

pudor |ô|
(latim pudor, -oris)
s. m.
1. Sentimento de vergonha. = CONSTRANGIMENTO, EMBARAÇO, PEJO

Achei importante colocar o significado dessa palavra aqui, pra todo mundo entender o que exatamente significa. Pudor é uma coisa que o brasileiro tem muito, independentemente se usa fio dental, rebola até o chão ou faz letras de música com cunho totalmente sexual. Nossos corpos precisam ser lindos, sem celulite, peito siliconado… Se não, nem na praia de biquine a gente quer aparecer. Mas as pessoas na sauna se sentiam tão bem, tão relaxadas… Tavam lá de pernas abertas pro mundo ver, mesmo se não estivessem com a depilação em dia.

Daí comecei a imaginar como seria se abrissem um lugar desses no Brasil. Invés de relaxar, a galera iria pra lá se mostrar, desfilar, reparar nos outros. Ou os caras iriam com um grupo de amigos, pra ver se conseguiam pegar alguma mulher. Celular então? Vixe… A galera ia dar um jeito de entrar com o celular no bolso, pra tirar umas fotos escondidos e postar no Facebook, certeza. Não tô falando mal de brasileiro de graça não, porque eu mesma, no começo, agi exatamente da mesma forma. Porque isso simplesmente não faz parte da nossa cultura, e tudo que é diferente, a gente tende a reparar, analisar ou até mesmo julgar.

No fim, acredito que consegui disfarçar bem a falta de experiência. A pior parte do dia todo foi ter que tomar banho e colocar a roupa de novo. Calcinha, calça, sutiã, casaco… Parecia que tinha voltado pra prisão, de onde nunca havia saído antes. Se eu continuar morando aqui, quero fazer desse costume algo bem presente na minha vida. Suei todas as minhas tristezas e voltei completamente revigorada de um dia na sauna.

Você acha que teria coragem de frequentar um lugar assim? Ou como imagina que seria se abrissem uma sauna dessas no Brasil?

 
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