Que eu fui pra Londres me perder pra me achar, todo mundo já sabe. Que eu me mudei pra Holanda com o meu namorado, alguns se deram conta. Mas que eu acabei de voltar pro Brasil, e minha vida vai ter que recomeçar do zero, nem todo mundo viu. Agora chegou a hora de encarar.

Skinny Love by Birdy on Grooveshark

Tomar essa decisão foi muito difícil. Eu e o Maikel fizemos de tudo para ficarmos juntos, até a possibilidade de casar era existente. Mas no final, vimos que o amor nem sempre é o suficiente para manter as pessoas juntas. A nossa vida é feita de escolhas, e nós tínhamos feito escolhas diferentes. Não foi por falta de tentativa, a gente até tentou fazer dar certo. Mas as escolhas que fizemos, simplesmente não poderiam existir juntas. Só a gente sabe a dor que é ter que terminar um relacionamento onde os dois se amam e não querem se separar. Todos as conquistas, todos os planos, ainda existem e cabe a nós aceitar que eles não podem mais existir. Quanto a isso, estamos trabalhando para superar. Eu sempre soube que não seria fácil…

Ontem, vindo pra casa do aeroporto, eu olhei São Paulo com outros olhos. Aquelas ruas, que eu tanto conhecia e que me faziam sentir em casa, já não eram mais as mesmas. Aqui não é a minha casa. Não é onde a minha felicidade está. Mas onde é que ela está então? Eu morei em Londres por 1 ano, e lembrando do meu cantinho lá, não consigo mais sentir que lá é a minha casa. Talvez nunca tenha sido. Daí comecei a pensar na casa do Maikel na Holanda, onde eu morei por apenas 3 meses, mas acho que é o mais próximo do sentimento de lar que eu tenho agora. Não pela casa em si, mas sim porque é onde o meu amor está. A merda é que agora não estou mais lá, e deitada na minha própria cama, não consigo me sentir feliz.

Sinto que estou totalmente perdida, vazia. Cheia de boas lembranças, que me machucam agora por  lembrarem do que eu não tenho mais. Olho para os meus livros, os objetos de decoração do meu quarto e penso que poderia viver sem tudo isso. Eu poderia ir embora e começar outra vida, sozinha, do zero. Mas ao mesmo tempo tenho 3 malas para desfazer, cheias de fragmentos da vida que eu não pude ter. E como isso dói… Tenho que arranjar espaço dentro do meu passado, para colocar as coisas do meu futuro que não existiu. Ou do meu feliz presente, que teve que acabar tão bruscamente. Anyway, a dor ainda é a mesma. E é indescritível.

Eu cheguei, mas não quero ver ninguém. É como se eu não estivesse aqui, porque não quero estar aqui. Eu sentia saudades de todos, mas agora que estou aqui é como se eu quisesse continuar longe. Dá pra entender isso? Também é estranho pra mim.

Me perdi em Londres pra me achar, mas agora sinto que voltei mais perdida ainda. Não sei nem onde é minha casa, ou o lugar que me deixa feliz. Acho que preciso processar tudo que está acontecendo, dar tempo ao tempo e ir me achando aos poucos. Enquanto isso, vou buscar ânimo para recolher os cacos de mim mesma que estão espalhados pelo chão.

 
54
Compartilhe esse post:

Depois de mais de 1 ano morando na Europa, já sei de cor e salteado quais são os clichês que os europeus mais falam sobre o Brasil: futebol, sensualidade, Ronaldinho, samba, mulheres bonitas, caipirinha, bundas, verão, espanhol (?), Ai Se Eu Te Pego, etc. Mas hoje, tive uma experiência que prova totalmente o contrário do que os gringos pensam sobre os brasileiros serem um povo tão, digamos assim… Caliente.

Brasileiro adora ser chamado de povo bonito, sensual, fio dental na praia e pouca roupa no calor… Mas rola inclusive uma baita contradição nessa história toda, porque a gente quer mostrar uma sensualidade totalmente forçada e plastificada que, pra mim, ta longe de ser interessante.

Não só aqui na Holanda, como também em alguns outros países da Europa tipo Rússia ou Alemanha, eles tem o costume de frequentar saunas. E diferente do que a gente pensa sobre as saunas no Brasil, o fato de frequentar uma sauna não tem nada a ver com ser gay ou estar desesperado por sexo. Aqui as pessoas vão em família, casais, e levam até as crianças quando se é conveniente. Hoje foi a minha primeira vez numa sauna como essas, e acho que posso dizer que nunca fiquei tanto tempo pelada na frente de outras pessoas, desde que comecei a entender o que é estar, de fato, pelado.

Aqui as pessoas frequentam as saunas completamente nuas. Sem frescura, sem pudor… Sem medo de ser feliz mesmo. Quando cheguei lá, já no vestiário, vi um monte de peito, pinto, bunda, pele caída, barriga tanquinho e mais uma mistura de um monte de tipos de corpos, sem nenhum sinal de vergonha ou vontade de esconder. Tentei agir com naturalidade, mas quando comecei a tirar a roupa deu aquele friozinho na barriga. Isso passou completamente depois de uns 5 minutos, pois o fato de estar pelado e a vontade é melhor do que qualquer outro sentimento. A sauna que eu fui era gigante… Tinha piscina a céu aberto, sauna molhada, seca, com água, com vapor… Tudo quanto é tipo. E a maior parte do lugar era completamente aberta, então, para se movimentar de uma sauna pra outra, você tinha que andar de roupão, toalha ou… Pelado mesmo. O engraçado era que tava fazendo 4˚ quando chegamos lá, e eu não imaginei que conseguiria sair pelada do lado de fora. Mas não é que a gente acostuma? A melhor coisa do mundo era sair de uma sauna muito quente e caminhar pelo gramado lá fora, com os pés descalços e sem a toalha pra cobrir tudo.

(eu me comportei e só tirei uma foto do lado de fora do lugar.)

Mesmo me sentindo super a vontade, tive que controlar meus olhares. Como evitar olhar pro pinto daquele cara super gato que estava entrando na jacuzzi que eu tava, né? Ou ficar analisando qual é o tipo de depilação que as mulheres holandesas mais gostam. Poxa, nunca tive essa oportunidade! :) Mas deixando um pouco as brincadeiras de lado, fiquei muito me imaginando lá com alguns amigos ou até mesmo a minha família. Será que eu me sentiria tão a vontade assim? Esse seria o assunto principal se eu estivesse lá com uma pessoa do Brasil. Nunca tive muito essa cultura de ficar pelada em casa, então acho que não iria pra sauna com o meu irmão por exemplo. Mas ao mesmo tempo, eu estava lá pelada no meio de TANTA gente, bonita, feia, velha, nova… Como poderia ter vergonha do meu próprio irmão?

pudor |ô|
(latim pudor, -oris)
s. m.
1. Sentimento de vergonha. = CONSTRANGIMENTO, EMBARAÇO, PEJO

Achei importante colocar o significado dessa palavra aqui, pra todo mundo entender o que exatamente significa. Pudor é uma coisa que o brasileiro tem muito, independentemente se usa fio dental, rebola até o chão ou faz letras de música com cunho totalmente sexual. Nossos corpos precisam ser lindos, sem celulite, peito siliconado… Se não, nem na praia de biquine a gente quer aparecer. Mas as pessoas na sauna se sentiam tão bem, tão relaxadas… Tavam lá de pernas abertas pro mundo ver, mesmo se não estivessem com a depilação em dia.

Daí comecei a imaginar como seria se abrissem um lugar desses no Brasil. Invés de relaxar, a galera iria pra lá se mostrar, desfilar, reparar nos outros. Ou os caras iriam com um grupo de amigos, pra ver se conseguiam pegar alguma mulher. Celular então? Vixe… A galera ia dar um jeito de entrar com o celular no bolso, pra tirar umas fotos escondidos e postar no Facebook, certeza. Não tô falando mal de brasileiro de graça não, porque eu mesma, no começo, agi exatamente da mesma forma. Porque isso simplesmente não faz parte da nossa cultura, e tudo que é diferente, a gente tende a reparar, analisar ou até mesmo julgar.

No fim, acredito que consegui disfarçar bem a falta de experiência. A pior parte do dia todo foi ter que tomar banho e colocar a roupa de novo. Calcinha, calça, sutiã, casaco… Parecia que tinha voltado pra prisão, de onde nunca havia saído antes. Se eu continuar morando aqui, quero fazer desse costume algo bem presente na minha vida. Suei todas as minhas tristezas e voltei completamente revigorada de um dia na sauna.

Você acha que teria coragem de frequentar um lugar assim? Ou como imagina que seria se abrissem uma sauna dessas no Brasil?

 
31
Compartilhe esse post:

Esses dias alguém postou essa frase no meu mural do Facebook:

Isso me fez pensar em como as coisas são engraçadas. Quando se mora fora do Brasil, e se é obrigado a se relacionar com as pessoas numa língua que não é a sua língua nativa, fica tão mais difícil de lidar com esse tipo de coisa… Claro que se o cara lançar um “I love you” em 3 dias, também vou achar ele louco, mas e se ele me chamar de “docinho” no dia seguinte?

Ok, isso soou muito brega em português, mas eu chamo meu namorado de “sweetie” de vez em quando. Anyway, conheci esse cara muito bonito dia desses numa balada em Amsterdam, ficamos, e foi no dia seguinte que aconteceu: enquanto trocávamos mensagens todas cheias de elogios, ele me chamou de “sweetie” e “love” em duas mensagens diferentes. Eu li, dei aquela gelada, mas ao mesmo tempo pensei: será que se fosse a língua nativa dele, ele me chamaria assim também? O cara era holandês, e obviamente estávamos conversando em inglês, então não sei até que ponto devo achar ele tosco ou não.

Por vía das dúvidas, preferi relevar, porque ele é uma graça e super legal. Mas entendem o meu ponto?

Ps. Sim, eu ainda vou escrever sobre a minha vinda pra Holanda e tal. Mas quis postar essa reflexão aqui no blog antes disso, pra saber o que vocês acham.

 
13
Compartilhe esse post:

Bom, até agora estou há mais de 1 ano morando em Londres e, como muitos de vocês já sabem, vim pra cá porque dei uma pausa na minha vida profissional e pessoal, já que ambas não andavam me trazendo lá muitas alegrias. “Vou me perder pra me achar”, era o que eu sempre dizia. Mas afinal… O que eu realmente achei?

É engraçado como uma viagem dessas pode mudar as pessoas de tantos jeitos diferentes. Eu achei que fosse me encontrar aqui, ter certeza do que quero pra minha carreira, talvez saber mais sobre a vida e voltar pro Brasil super certa do que iria fazer. Tanta coisa maluca aconteceu, que agora estou me mudando pra Holanda e não faço a menor ideia de quando e SE volto pro Brasil (assim, pra valer). Quando eu menos esperava, conheci meu namorado e, como num passe de mágica, a gente se apaixonou. Sabe aquela relação que já começa sem erros e enganações? Totalmente sincera e do bem? Acho que a maioria dos meus relacionamentos que começaram assim, deram certo. O resto foi tudo ilusão, daquelas que a gente conhece o cara, acha que é a pessoa da nossa vida mas um mês depois já nem lembra que existe ou quer que o cara role escada abaixo. Bom… Vocês que acompanham meu blog há tempos sabem, melhor do que ninguém, sobre meus amores platônicos, pés na bunda e trapalhadas no amor, né?

Hoje em dia troco mensagens com os poucos amigos que me restaram, ou, melhor dizendo, os poucos amigos que eu quis que restassem. Uma das mudanças que essa viagem fez na minha vida foi: nem metade das pessoas que eu considerava amigos, eram realmente dignos da minha amizade. Minha lista de amigos reduziu para menos da metade, e eu sou muito mais feliz assim, obrigada. Menos gente pra me preocupar, menos gente pra dizer: “estou com saudades”, quando na verdade isso estaria saindo só da boca pra fora.

Ainda não faço a menor ideia do que quero pra minha carreira, mas fiquei feliz em perceber que sou capaz de me bancar. Londres é uma cidade MUITO cara pra morar, e eu consegui pagar tudo com a minha grana, ás vezes me ferrando com freelas mas ainda sim com muito orgulho e cabeça erguida. Claro que se eu precisasse de alguma ajuda, meus pais poderiam fazer um esforço. Mas o fato de que consegui por mérito próprio até agora, ah… Isso ninguém paga!

Uma coisa que descobri, e que acho que é bem comum quando as pessoas saem de casa, foi que: eu super me dou bem na cozinha! Nunca achei que tivesse o dom, mas a verdade é que eu só não cozinhava no Brasil porque tinha preguiça de lavar a louça, e sempre tinha alguém que o fizesse por mim. É… Assim fica muito fácil, né? Mas mesmo sem saber, fui começando de pouquinho em pouquinho, um arroz, um risotto, comecei a gostar de legumes, azeitonas, queijos, pratos mais elaborados… Até que consegui cozinhar quase uma ceia inteira de natal quando a minha família veio pra cá no final do ano. Essa pra mim foi a maior prova… Depois disso eu pensei: pronto, agora já posso ter uma família, pois tenho certeza que meus filhos não morrerão de fome e eu não vou fazer feio! hahaha

Eu, que nunca tinha saído da casa de mamãe, me vejo agora morando há um ano com um namorado EM UM QUARTO. Achei necessário o uso da caixa alta nessa situação, pois faz toda a diferença morar “num quarto” ao invés de “numa casa”. Bom, moramos numa casa, e dividimos a cozinha com outras pessoas. Mas o nosso lar mesmo, do nosso jeitinho e com o nosso cheirinho, é o nosso quarto. Nossa sala de tv é a nossa cama, e o nosso banheiro também faz parte do quarto. Tudo aqui dentro, sem a menor privacidade e vergonha na cara. Aprendemos a conviver do jeito mais unido possível, mas isso nem sempre é bonito. Quando brigamos, não temos uma sala pra ir espairecer ou um outro quarto pra esperar a poeira baixar. Temos a nossa cama e uma cadeira, que fica ao lado da cama. Então não tem como fugir do mau humor, não tem como passar aquele tempo sozinho… Acho que é até por isso que o volume de posts aqui no blog diminuiu MUITO. A gente ta sempre juntos e eu não consigo me concentrar em uma coisa só, porque ele ta sempre pedindo atenção ou vice e versa.

Enfim, a minha experiência aqui tem sido maravilhosa. Já me sinto em casa: tenho amigos me ligando pra sair toda hora, minhas baladas preferidas, um lugar onde o sol entra pela janela, onde eu me sinto segura e feliz… E um amor, que é um dos maiores motivos pelo qual eu ainda estou aqui. Mas ao mesmo tempo, isso que estou vivendo, não é a realidade. Ser uma estrangeira em um país onde não se tem direito nem de trabalhar, não é nada fácil. Nem se eu fosse rica, e pudesse ficar aqui pra sempre, acho que não aguentaria. Cansei dos freelas que fico fazendo de casa pra pagar minhas contas. Cansei de não ter uma rotina, de não ter que acordar cedo todos os dias para ir pro trabalho… Engraçado que esses dias coloquei isso no Twitter e todo mundo achou um absurdo, mas é a mais pura verdade. Eu sinto falta de trabalhar, sinto falta de ter colegas de trabalho, de ver a minha carreira crescer e de ter um objetivo maior para que eu possa sempre querer mais, mais e mais.A vida aqui ta legal, mas sinto que ainda preciso colocar os pés no chão, sabe?

Confesso que estou bem ansiosa para o meu novo recomeço. Em menos de 2 semanas, vou me mudar de país, aprender uma outra língua e finalmente poder começar uma vida nova e mais “normal”. Novos amigos, novos tipos de comida, novas paisagens e uma nova cultura. Já tenho meus objetivos quando chegar lá e provavelmente vou escrever bastante sobre isso aqui, então espero que vocês embarquem comigo nessa nova aventura!

 
33
Compartilhe esse post:

Eba! Finalmente aprontei mais uma das minhas peripércias aqui na Terra da Rainha e tenho algo de interessante para escrever nesse blog. Não é nenhum caso inédito de flerte com estranhos (ou será que é?), mas é uma história bem fofa que ainda não chegou ao seu final, assim espero.

Com a chegada do verão, rolam vários festivais aqui em Londres, e esses dias eu vi que ia ter algo aqui pertinho de casa, do lado de fora de um museu. Era free, então resolvi dar uma conferida com o Maikel mesmo sem entender exatamente do que se tratava. Chegando lá, reservamos nosso lugarzinho sentados na grama e abrimos uma latinha de cerveja. Na medida em que o povo ia chegando, ficava mais difícil conseguir guardar um lugar bom para ver a apresentação, e eu, como sempre, fiquei observando todo mundo a minha volta. Enquanto olhava para um lado e para o outro, reparei que tinha uma menina sentada meio que do meu lado, ouvindo música com um fone de ouvido e mexendo no celular de vez em quando. Ela estava sozinha, parecia estar esperando alguém. E enquanto eu observava as pessoas chegando, vira e mexe meu olhar se cruzava com o dela. Depois de umas 4 esbarradas de olhar, me dei conta de que ela também estava reparando em mim. Até aí ok, tudo rolava meio disfarçado.

De repente, em uma das minhas tentativas de disfarce para ver se ela estava olhando, trocamos o olhar mais longo de todos e eu acabei sorrindo no final, para não parecer que estava olhando por algum motivo ruim. E ela então me sorriu de volta. PRONTO! Eu sempre digo que sorrisos abrem portas… Depois disso eu não podia deixar a nossa história morrer. Resolvi caçar um recibo de supermercado na bolsa e escrever um bilhete, com aquela pergunta aleatória que é a minha preferida: o que você está ouvindo?

Depois de escrever o bilhete, comecei a sentir um frio na barriga que me impedia de entregar pra ela. O Maikel começou a me encher o saco falando que eu devia entregar logo, mas eu tanto enrolei que quando resolvi entregar um velho sentou bem entre nós duas. Ai merda! E agora? Será um sinal para não entregar? Não dei muitas chances para as incertezas, desvivei do velho e entreguei o papel e a caneta pra ela.

(ela olhou pra mim com cara de “o que é isso?!”)

(eu fiz uma mímica para ela entender que atrás do recibo havia um bilhete)

- Ah! – ela sorriu.

Depois de ler, ela me perguntou se o bilhete era meu ou do Maikel. Eu disse que meu, e ela sorriu de novo. Daí então começamos um bate papo por bilhete, mesmo com o velho entre nós. Ele ria e as vezes até pegava o bilhete e entregava pra outra, só pra dar aquela ajudinha esperta.


(do outro lado continuei: “…so if you want some company… :))

Daí ela acabou vindo sentar perto da gente e começamos a conversar. Gente, a menina era uma querida! Sabe quando o seu instinto acerta em cheio que uma pessoa vale a pena? Passamos o evento inteiro juntas e no fim trocamos telefones para nos encontrarmos de novo. Achei legal porque não tenho nenhuma amiga inglesa, e nunca tinha tentado isso de dar bilhetes para meninas. Ela foi uma graça e eu espero realmente que a gente se encontre de novo e em breve.

Ah! Sobre a banda que ela estava ouvindo, cheguei em casa e coloquei no Spotify para ouvir. Gostei tanto, mas tanto, mas tanto, que agora estou com mais vontade ainda de encontrá-la de novo. Sabe quando você se apaixona pela pessoa só pelo gosto musical? Então. Segue aqui uma playlist de algumas músicas, a banda chama Grimes (que na verdade não é uma banda, é uma cantora!). Enjoy!


 
17
Compartilhe esse post:

Taí mais um daqueles projetos incríveis que tem tudo a ver comigo e com certeza com vocês que lêem meu blog. Amores breves de esquina, metrô, escadas, shoppings, ônibus, faróis de trânsito: quem nunca teve, não é mesmo? E aquele arrependimento que nos assombra pelo resto do dia: “POR QUE EU NÃO DISSE ALGUMA COISA?”.

Bom, o “I Wish I Said Hello” fala exatamente sobre isso. Depois que você se apaixonou perdidamente por aquele desconhecido que passou por você na rua, invés de lidar com o arrependimento para o resto da vida, eles vão lá e colocam um adesivo com uma mensagem exatamente onde o amor aconteceu. Quem sabe a pessoa não passa por lá novamente e se dá conta de que você FEZ SIM alguma coisa depois daquele momento em que vocês cruzaram os olhares?


Super bem feitinhos e de um jeito muito sutil, os pins são colados, não importa em que superfície, mas sempre onde o avassalador e rápido momento aconteceu. No site eles colocam as fotos e ainda disponibilizam um mapa do Google Maps marcando exatamente onde estão os pontos onde eles aconteceram.

Ah! A melhor parte de todas é que você pode fazer o seu próprio adesivo e colar na sua cidade, na esperança de achar o seu amor breve de novo e fazê-lo se tornar um amor eterno. Eles disponibilizam o layout do adesivo e você só precisa personalizar com a sua hitória, daí imprime e sai colando pelas cidades. Então minha gente: nem tudo está perdido, ainda há esperanças!

Demais, não é? Não sei como não tive essa ideia antes. Teria um mapa IMENSO com vários pontos marcados em São Paulo e aqui em Londres também. Acho que vocês deviam tentar pois nada acontece se não dermos essas chances a sorte. :)

 
11
Compartilhe esse post:

Nessa vez que voltei pro Brasil pra tirar meu visto, andei dando uma arrumada em algumas caixas no meu quarto e acabei encontrando pequenos tesouros. Vocês lembram alguns posts que eu fiz aqui sobre meus que eu escrevia quando era mais nova? Se não lembram cliquem aqui e aqui.

Dessa vez o achado não foi um diário, e sim uma carta que escrevi pra mim mesma, daquelas pra guardar para a posterioridade. Na real eu acho que fazia parte do meu diário, que naquela época eu já chamava de “agenda” porque não era mais criança, e acabou não cabendo na data da agenda e eu resolvi terminar numa folha de papel que se perdeu entre as minhas tralhas. Que bom! Porque eu adoro achar essas coisinhas quando menos espero.

O meu primeiro beijo foi com 13 anos e não teve nada de especial. A única coisa que eu pensava enquanto ele estava me beijando era: “NÃO SOU MAIS BV! NÃO SOU MAIS BV! NÃO SOU MAIS BV!” – hahaha sério, eu odiava ser BV porque minhas amigas já tinham beijado e eu ainda não. E isso na época era super importante!

Clique na imagem para ler

Infelizmente ele não foi meu primeiro amor, e eu era tão tímida naquela época que acabei ficando um ano inteiro sem beijar de novo. O segundo beijo foi mais legal, com um menino que eu realmente gostava e eu lembro que até colei o chiclete que eu estava mascando no dia na minha agenda (ECA, eu sei!).

Acabei achando o telefone do tal do Bruno nas minhas coisas e liguei pra ele pra ver se o número ainda era dele! Não sabia muito o que ia falar, mas seria legal achar o primeiro cara que eu beijei no Facebook, afinal… Eu mal lembro da cara dele. Mas infelizmente atendeu um cara que não conhecia nenhum Bruno, então acho que nunca vou reencontrá-lo.

Achei engraçada a minha linguagem na carta. Sempre dou risada das coisas que escrevia quando mais nova… Segue aqui alguns high lights:

“Quando estávamos andando de bug vimos uns MINOS…”
(esse nem preciso comentar…)

“FICHA: [_] Feio [X] Bonito [X] Gostoso”
(qual seria meu conceito de “gostoso” quando eu tinha 13 anos?!)

“Ñ vou fazer nada que vc ñ queira!”
(essa foi a primeira vez DE MUITAS que um cara me falou isso na vida, mas naquela época eu super acreditei e achei linda a atitude… Ahhh… Os meus 13 anos…)

“…mas eu tava com tando medo que acabei não dando (o 2º beijo)”
(gente, até hoje eu me arrependo de não ter dado esse outro beijo. Como assim eu podia ser tão tímida naquela época, né? Tinha beijado o muleque no dia anterior e fiquei com vergonha de beijar de novo!)

O meu maior medo quando tinha 13 anos era de beijar um menino e ele falar que eu beijava mal. Lembro até que tinha um cara da minha escola que era mó bonito e popularzinho, que queria me beijar e eu também super queria mas não tinha coragem. Um dia cheguei até a sonhar que a gente beijou e ele saiu espalhando pra escola inteira que eu beijava mal. Mas pensando agora, 12 anos depois, acho que mandei muito bem no meu primeiro beijo porque eu costumava treinar muito! Beijava a parede, meu joelho, o espelho, umas bonecas… Até aquele truque da laranja e o de tentar pegar o gelo com a língua num copo d’água eu tentei.

Então meus amigos, se vocês estão nessa fase de dar o primeiro beijo, minha melhor dica é: RELAX! Mesmo se não for a melhor experiência do mundo, o tempo deixa a gente bem craque nisso! ;)

 
80
Compartilhe esse post:

Estou prestes a completar meu segundo mês longe do meu namorado. E só quem já passou por isso sabe o quanto é difícil manter um relacionamento a distância. No nosso caso, está mais fácil de aguentar pois eu consegui meu visto para ficar mais 6 meses no Reino Unido e estou indo pra lá em 1 semana. Mas este será só o nosso segundo começo, e eu nem consigo imaginar quantos ainda teremos pela frente.

Desde que nos conhecemos e a coisa foi ficando séria, sempre soubemos que nosso relacionamento tinha prazo de validade e pensávamos: “Vamos viver um dia de cada vez, dar valor ao agora e deixar o futuro para frente.” o famoso “depois a gente pensa nisso.”. Acho que todo relacionamento a distância parte desse princípio, pois a gente sempre acha que vai dar um jeito. Mas isso não quer dizer que vá ser fácil, então a gente só fica adiando esse dia, até que ele chegue de fato. E quando se trata de continentes diferentes, a coisa fica muito mais complicada. Quem é que vai deixar tudo pra trás pra ficar com o outro? Vamos nos casar? Isso não é muito sério? Vamos morar onde, como, quando? É muita coisa em jogo. Família, dinheiro, carreira, dinheiro, amor, dinheiro, amigos… Falo muito em dinheiro pois hoje em dia acho que esse é um dos nossos maiores problemas. Afinal, seria super fácil poder viajar toda hora para a Europa para poder vê-lo quando eu quisesse. Ou pagar um curso incrível numa universidade de lá para estudar por bastante tempo, ou simplesmente morar lá com ele sem precisar gastar nada. Mas infelizmente essa não é a nossa realidade. O visto que consegui apenas para 6 meses já me custou 1 mês de trabalho fora todas as despezas de curso e custo de vida de lá. E ao mesmo tempo que isso está se encaminhando, eu tenho que conseguir um jeito de ganhar dinheiro sem ter permissão para trabalhar no Reino Unido, ou seja: minha carreira está parada, estou vivendo de freelas e me matando para conseguir morar em outro país. Mas isso ainda se encaixa no “depois a gente pensa nisso”. Estamos fazendo pouquinho por pouquinho, arranjando maneiras para ficar juntos, mas sempre pensando que vai chegar um dia que isso tudo vai ter que acabar e vamos ter que tomar decisões mais sérias. Essas decisões são tão sérias, que arrisco a dizer que são as mais difíceis que já tive que fazer na minha vida, mesmo sem nem ter feito ainda.

Daí estava eu neste domingo em casa solitária, quando achei um filme que talvez tivesse tudo a ver com a nossa história. Comecei a chorar logo nas primeiras cenas pois já sabia que aquilo tudo ia mexer muito comigo. E COMO mexeu. Como é incrível assistir um filme que retrata exatamente o que estamos vivendo no momento, não é? Acho que posso dizer que chorei em 80% do filme, mas talvez o fato de que estou na TPM também tenha que ser levado em consideração.

A história é de um casal que se conhece nos EUA. Ele é de lá e ela é do Reino Unido. Aliás, essa parte dela ser inglesa foi incrível porque tem cenas deles em Londres e imagina como eu não fiquei nostálgica né? Mas no geral, é um filme inteiro meio triste. Claro que não vou contar o final, mas confesso que me deixou um pouco perturbada. Tenho tanto medo do nosso futuro e de pra onde tudo isso pode ir. Quanto mais vivemos juntos, mais nos envolvemos e criamos laços. Tenho muito medo disso ter que acabar um dia e sofrer muito, mas esse medo nunca me impediria de fazer nada agora. A medida que o tempo vai passando e as dificuldades vão surgindo, o relacionamento vai ficando desgastado mas o amor sempre prevalece. Não sei se ele será o suficiente, mas se for… O que acontecerá quando chegarmos no topo da montanha? Essas são apenas algumas das dúvidas que se passam pela minha cabeça atualmente.

Bom, assistam o trailer e sintam um pouco da sensibilidade do filme:

Em vários momentos eu me vi ali, no lugar da personagem. Os silêncios, os espaços vazios, a falta que faz sentir o cheiro da pessoa ou o quanto é difícil conseguir conciliar os horários para podermos ter uma simples conversa por telefone! É realmente angustiante. Porque depois que achamos essa pessoa, várias coisas que antes fazíamos sozinhos não fazem mais sentido, só fazem sentido se for com o outro. Os momentos, as risadas, o toque da pele e o primeiro olhar ao acordar juntos de manhã… Como o amor pode ser tão bom mas tão dolorido ao mesmo tempo?

Quem quiser baixar, aqui está o link pro Torrent que eu usei e aqui a legenda. Espero que gostem! Depois venham me contar o que acharam do filme! ;)

 
47
Compartilhe esse post:

Tem vezes que chego a conclusão de que viver na nossa geração é bem mais difícil do que era antigamente. Essa história toda de geração Y, muitas opções, a gente ta sempre meio perdido sem saber o que escolher… É tudo verdade, mas não só profissionalmente falando. Tenho a impressão de que pra gente tudo é sempre muito difícil e rodeado de dúvidas, mesmo depois que a gente escolhe. Não sei se a cidade onde moramos também interfere, porque ser de cidade grande acaba deixando a gente um pouquinho mais louco. Quando comecei a ter que escolher coisas do tipo: que faculdade vou fazer, qual curso, com que quero trabalhar, etc., eu me deparei com tantas respostas ao mesmo tempo, que mesmo depois de formada me vejo na maior crise profissional da história. Mas enfim… Isso não tem nada a ver com o assunto do post.

O problema é que essas dúvidas também aparecem no amor. Quando você acha alguém que tem bem a ver com você, começa a construír algo e ta tudo indo lindamente bem, a vida começa a colocar algumas situações no nosso caminho que fazem a gente pensar: “E SE?”. Dá vontade de bater nesse pensamento, não dá? Porque a gente não deveria complicar tanto as coisas, mas acontece. Começamos a imaginar novas possibilidades, como tudo seria se a gente não estivesse vivendo aquilo… E é aí que as dúvidas sobre o relacionamento começam. Tudo que você amava fazer antes já não tem mais tanta graça. Você conhece gente nova, vê novas possibilidades, mas ao mesmo tempo se sente preso em algo que costumava te fazer bem. E ainda faz bem, na real, mas a gente enche nossa cabeça de caraminholas e já não tem mais tanta certeza de nada.

Como resolver um relacionamento quando as dúvidas aparecem? Será que vale a pena correr o risco de dar aquele tempo para depois ver que era aquilo mesmo que você queria? Mas daí a outra pessoa pode encontrar outros caminhos e vocês se perdem pra sempre. Por outro lado, vale a pena continuar uma relação quando existe a dúvida?

Tenho um pouco de medo de ser sempre encantada pelo novo. Mas uma das melhores coisas que já me aconteceu foi ficar alguns anos sozinha. Eu me conheci, vi como funcionava a vida de solteiro e anotei todos os prós e contras. Tudo era sempre novo, porém efêmero. E isso chega uma hora que cansa. Então hoje em dia eu tento, no meu relacionamento, viver essa coisa do novo mesmo estando com ele. Mas o medo da dúvida chegar ta sempre me rodeando. A gente não controla, simplesmente acontece. “E SE…?”

Ps. esse vídeo que coloquei no post foi a inspiração para escrever sobre o assunto. Ele traduz totalmente o que eu quero dizer e temo. Fora isso, ele foi gravado em Brick Lane, a minha rua preferida em Londres. Então foi bem bacana ver o vídeo reconhecendo os lugares e me sentindo muito mais próxima da história. Espero que gostem!

 
37
Compartilhe esse post:

Conheço uma pessoa que tem um hobby muito peculiar, daqueles que, na hora de fazer uma análise a primeira vista, a gente só consegue inventar se formos muito criativos. Sabe quando você olha pro sapato da pessoa ou pro jeito dela se vestir, e tenta criar manias e gostos sem nem saber o nome dela? Então.

Essa pessoa gosta de sonhar. E acho que o simples fato de sonhar, às vezes já é o suficiente. Sempre que passamos em frente a um futuro prédio, daqueles com placas enormes falando a quantidade de dormitórios e metros quadrados, ela fica atenta para saber se vai ter visita com apartamento mobiliado. O hobby dela é visitar modelos de apartamentos mobiliados, só para ficar sonhando como seria se ela fosse morar ali.

Uma casa nova, móveis novos, tudo limpo e lindo… Como se fosse um recomeço de vida, tudo do zero, inclusive as mágoas. De certa forma acho isso bonito. Não que ela seja infeliz por não poder comprar nem se mudar de casa, mas ela sonha com outra vida e fica pensando em como tudo poderia ser diferente. Não tenho nem certeza se ela pensa isso tudo que estou falando, mas queria que ela soubesse que eu acho bonito. Sabe quando a gente sente vontade de escapar um pouquinho da realidade? É assim que ela escapa da dela.

Essa pessoa é muito próxima a mim, e quando ler esse texto vai sacar na hora que é sobre ela. Não teria problema nenhum em citar nomes, mas por não ser sobre mim vou preservar.

❤ Você conhece alguém com uma mania assim bonita? Compartilhe comigo nos comentários!

 
25
Compartilhe esse post: